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{Missão teste | Sarah Gray | Mentalistas de Psiquê}

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{Missão teste | Sarah Gray | Mentalistas de Psiquê} publicado em em Qui Nov 15, 2018 11:00 am

HEROES OF OLYMPUS




Quando Eros foi embora após Psiquê ter visto seu rosto, a jovem ficou totalmente sem saber o que fazer. Pensou em suicídio, mas, foi impedida pelo deus Pã e por Eco, que acabaram por convencê-la a não fazê-lo. Sendo assim, procurou ajuda de várias deusas mas todas se recusaram a ajudá-la, temendo a fúria de Afrodite. Decide ela então, procurar a própria deusa e é aí que ela lhe passa 4 tarefas.

Sarah Gray, jovem semideusa habitante do acampamento meio sangue, inspira-se bastante na deusa da mente. E, seguindo seus passos, acabou, sem perceber, apaixonando-se por uma prole de Eros. Fato este que acabou por chamar a atenção da própria semideusa, que, ao conhecê-la, acabou por ficar fascinada por seus mentalistas. Para que pudesse se tornar uma de suas seguidoras, Psiquê decidiu que Sarah deveria cumprir as 4 tarefas que também haviam sido passadas para si próprias, éons atrás.

A semideusa foi levada a uma casa, nesta, quatro cômodos foram construídos. Cada um dos cômodos representariam uma das quatro tarefas de Psiquê. A primeira tarefa: As sementes. Representando a vida da mulher, cada dia é como separar uma montanha de sementes. Sarah está diante de uma enorme pilha de sementes dos mais variados tipos. Sua primeira tarefa, assim como sua mentora, é separar as sementes antes do anoitecer. O problema é que, para deixar as coisas mais difíceis, a deusa colocou um cão infernal na sala para atrapalhar a garota. A cada cinco minutos ele revivia para atrapalhá-la ainda mais e só a deixaria em paz quando, enfim, ela terminasse de separar as sementes.

A segunda sala, representando a lã de ouro, aquela que mostra o equilíbrio da mulher perante as atividades masculinas. A sala abre-se em um enorme bosque de verdes relvas e flores demasiadamente perfumadas, tal como o próprio perfume de Evan. Bem ao meio um rio corre livremente, separando a semideusa de carneiros de lã dourada. O tosão de ouro. Sarah deve atravessar o rio e conseguir a lã dos carneiros, porém, deve tomar cuidado pois são extremamente mortais.

Ao terminar a tarefa e caminhar ao norte ela encontrará uma cabana velha, que a levará para o terceiro cômodo. Lá encontrará a terceira tarefa: a água da nascente. Representando a velocidade que a vida passa diante de nossos olhos. A porta esconde uma imensa montanha, guardada pelos mais diversos tipos de monstros. Em seu top a água do Estige. Sarah deve escalar a montanha, enfrentar no mínimo três monstros e pegar a água do rio, só então, encontrando a quarta e última porta.

O ungento da beleza. O aprendizado que vem a partir dos erros. Na última porta Sarah se depara com um enorme rio de aparência sombria, a margem é destruída e podre. Mais a frente um homem em terno italiano a observa: seu rosto cadavérico e orbes fundas e negras. Thanatos. Sarah agora deveria seguir pelo rio e pagar ao barqueiro com um drácma, encontrar com um homem coxo que lhe pedirá ajuda; um homem que está se afogando; as três tecelãs em meio ao caminho, podendo lhe dizer o futuro; o grande cão que guarda as portas do submundo: Cérbero. Ajudá-los ou não será de escolha dela, porém, deve aprender com os erros de Psiquê.  Por fim deverá encontrar Perséfone, mas, ao contrário de procurar o ungento da beleza, deve procurar a última porta, que lhe levará de volta para o acampamento meio sangue.

Regras:


— Fiz essa missão pensando inteiramente no mito de Psiquê;
— Como eu mencionei, você deverá fazer as 4 tarefas da deusa e no fim encontrará a porta que te levará de volta ao acampamento;
— Use a criatividade ao seu favor;
— Pode usar suas armas e os seus poderes assim como os poderes dos mentalistas até nível 7;
— Terá dez dias para postar, em caso de aumento de prazo, basta falar comigo;
— Dúvidas: mp, chatbox ou whatsapp;
— Boa sorte!



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Hipnos Deuses Menores
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Ficha do Semideus
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Re: {Missão teste | Sarah Gray | Mentalistas de Psiquê} publicado em em Seg Nov 26, 2018 10:52 pm

As Tarefas de Psiquê


"A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível." -Alice no País das Maravilhas


TAREFA 1

Sarah não podia dizer que não estava assustada, depois de derrotar o mesmo cão infernal pela terceira vez seguida e vê-lo de pé diante de si, rosnando como se nada tivesse acontecido, era sim uma situação bastante preocupante. Quando falaram que ela teria que repetir os passos de Psiquê, não mencionaram nenhum cachorro raivoso e imortal. Era como se aquele cômodo impedisse que o pó dourado -essência que todo monstro se transforma ao morrer- seguisse seu caminho até o Tártaro. E, como se já não fosse bastante ruim ter que enfrentar o mesmo monstro a cada 5 minutos, o bendito do bicho ainda atrapalhava em sua tarefa principal: Separar uma montanha de sementes. O quarto até que era espaçoso e bem iluminado, grandes vitrais próximos ao teto permitiam a entrada da luz do Sol, suas paredes eram forradas por ladrilhos brancos e o piso era liso e gelado.

A pobre garota estava sentadinha no chão, próxima à montanha de sementes, quando o cão raivoso pulou por cima dela. Por sorte ele não lhe arrancou uma orelha com sua mordida, mas o bicho acabou pousando sobre os montinhos que a semideusa tinha acabado de separar.

— Mas que m... DROGA!!! De novo? — Ela ficou de pé, puxando sua espada multicor. — Será que você não morre?

Definitivamente, Gray já tinha perdido a paciência. Nas duas outras vezes que enfrentou o bicho ela o conseguiu derrotar apenas com sua Croma-Sparti, mas até sua arma parecia estar de saco cheio, pois começava a ficar pesada. O animal babava uma gosma quente, seus olhos ardiam em chamas e os pelos em suas costas estavam eriçados. Como se já não fosse bastante ruim enfrentá-lo, o monstro ainda tinha um estilo de luta espalhafatoso, até parecia que a intenção dele era bagunçar a seleção de sementes que a semideusa estava fazendo.

"Espera um pouco..."

Um estalo veio na cabeça de Sarah.

A filha de Íris apontou a espada na direção do Cão Infernal, nenhuma reação, nada, ele permaneceu imóvel. Então a tatuada experimentou se abaixar e estender a mão na direção das sementes, como se fosse pegar algumas. Na mesma hora o animal começou a rosnar, olhando fixamente para seu braço estendido.

— Hmmmm... — A pequena Gray sorriu. — Então é por isso que você está aqui. Se eu te matar, você revive. Se eu começar a separar as sementes, você me ataca. Mas se eu não fizer nada, você fica quieto. — A menina parou pensativa. — Tá, ainda assim isso não é bom. Eu preciso realizar meu teste, não posso ficar parada olhando pra sua cara.

A semideusa fica pensativa, analisando cuidadosamente a situação.

— Sabe... Eu poderia tentar uma. — Ela guarda sua Croma-Sparti, a transformando em caneta e a colocando no bolso da calça. — Mas, para isso, vou precisar de uma ajudinha de Psiquê.

Ao pronunciar o nome da Deusa, Sarah sente um calafrio percorrer sua espinha. Não sabia de certo o motivo, mas ela tinha a nítida sensação de estar sendo observada.

— É isso aqui que você quer? — Sarah se abaixa e apanha um bocado de sementes com uma das mãos. Na mesma hora o cão infernal começou a rosnar. — Então, vem pegar!!

O animal correu na direção da menina completamente enfurecido e, como ela tinha previsto, ele focava sua mão esquerda. Rápida e astuta, no momento em que o bicho saltou com a boca aberta, Sarah jogou as sementes que segurava no rosto de seu adversário, atrapalhando o movimento do bicho. Aquela era a brecha de que precisava para contra-atacar. A tatuada usa de sua agilidade para desviar de seu atacante e agarrar o pescoço do cão com sua mão direta, ali ela desferiria uma investida a fim de colocar o animal para dormir. Um ataque que misturava a agilidade de Íris com a Inteligência de Psiquê, tanto que, por um milésimo de segundo, seu braço parecia ter deixado um rastro colorido para atrás antes de produzir um golpe poderoso em seu alvo.

— Durma cachorrinho, durma.

Em um primeiro momento, Sarah estranhou bastante a pele suja e quente do cão infernal, mas logo em seguida, quando o bicho caiu desmaiado no chão, ela já não estava mais se importando com isso. Agora tinha que ser rápida há fim de terminar o que fora designada.

Os minutos pareciam passar depressa com a pequena Gray separando aqueles pequenos grãos. Ela já estava de saco cheio, não aguentava mais fazer aquilo. Preferia mil fezes ter que enfrentar um monstro do que realizar aquela tarefa enjoada. A semideusa mal tinha conseguido montar seu terceiro montinho, quando uma semente amarronzada passou rolando do seu lado.

— Mas o que?? — Ela olhou para trás avistando a mesma semente, só que parada. — Tá... Eu já tô ficando louca, minha mente está me pregando peças.

Mal tinha terminado de falar, e uma segunda semente passou caminhando ao lado do cão infernal, que roncava alegremente. Sarah esfregou os olhos, focou na semente e a viu parar em um outro canto da sala. De fato, alguma coisa estava acontecendo. Ela não sabia se era magia, bruxaria ou sorte, mas milhares de formiguinhas começaram a aparecer das frestas dos ladrilhos, em formação, caminhando apressadas e de forma organizada atrás dos grãos. Cada uma parecia encarregada de organizar a sua semente e, Sarah teve que admitir, aquele era um verdadeiro trabalho em equipe. A garota sorria, toda boba, observando aqueles pequeninos insetos trabalhando. Então tinha sido isso o que Psiquê presenciou? Não. A semideusa tinha se lembrado, no mito Psiquê tinha adormecido e, quando as formigas vieram, ela estava, assim como o Cão Infernal, totalmente imersa em seus sonhos.

— Hahahahah... — Sarah ria sozinha, admirando e encantada com o trabalho das formiguinhas. — Tão pequeninas, mas me mostrando que tamanho não importa. Olha pra mim! Mil vezes maior do que vocês, mas totalmente incapaz de separar umas sementes!

Em poucos minutos a tarefa de Sarah estava concluída. A garota agradeceu, tímida, mesmo sabendo que estava fazendo uma pequena reverência para insetos, e seguiu seu caminho para o próximo cômodo. Por um segundo pensou ter visto uma das formigas acenando quando fechou a porta, mas provavelmente deveria ter sido o seu TDAH.

Poderes Passivos Intencionais:
Nível 01
Perícia com Espadas - Os Filhos de Íris possuirão uma habilidade destacável na manipulação de espadas, fazendo movimentos incríveis sem ao menos ter tocado em alguma na vida.

Nível 09
Velocidade Hiper-Humana - Você se torna tão rápido quando os filhos de Hermes. Assim como o deus dos ladrões, sua mãe também é uma mensageira, e por isso é muito veloz.
Poderes Ativos:
1º Nível de Inteligência
Adormecer - Através de contato físico (desarmado ou arma branca), o Mentalista de Psiquê efetua um ataque poderoso que, além de causar dano, tem a chance de adormecer seu alvo. Através de seus conhecimentos avançados, o utilizador desta técnica sabe em qual ponto vital acertar para fazer seu adversário cair no sono. Em monstros, dependerá da boa narração do semideus para confirmar o sucesso do golpe. Em Players, o alvo deverá gastar uma ação narrando como conseguiu resistir ao Adormecer. [-10 de energia]

TAREFA 2

Entrar na segunda sala, que mais parecia um bosque, e não se lembrar de Evan foi totalmente impossível. Só o perfume doce de rosas do campo invadindo suas narinas já fizeram a semideusa ter várias visões do amado. Aquele certamente era um lugar muito bonito, com um gramado verdinho, alguns arbustos ao longe, um céu azul e tudo muito bem iluminado. Sarah até conseguia sentir uma brisa gostosa tocando sua pele, fazendo com que ela se perguntasse se realmente não estava do lado de fora.

A tatuada também conseguiu avistar um grupo de carneiros ao longe e, curiosamente, suas lãs eram amareladas e reluziam na luz do Sol. A segunda tarefa: Conseguir a lã do tosão de ouro. Claro que nenhuma dessas tarefas eram realmente fáceis, afinal ela era uma semideusa, o mundo ao qual pertencia não era nada fácil. Pelo o que a filha de Íris tinha de informação, aqueles carneiros eram um tanto quanto agressivos, por isso ela não poderia chegar arrancando a pelagem dos animais, se não seria bem provável que ela perdesse um braço ou uma perna, isso se saísse viva. E, para melhorar, um rio bastante agitado separava a semideusa do seu objetivo.

— Bom... Acho melhor resolver um problema de cada vez. — Ela se aproximou da beirada no rio, analisando a força da correnteza. — É... Nadar não é uma opção.

A tatuada então tomou distância, focou a outra margem do rio, correu e pulou. Se alguém visse aquela cena, certamente iria perceber que ela não teria chance alguma de saltar toda aquela distância. Porém, no momento em que ainda estava no ar, as tatuagens de Sarah brilharam e um par de asas douradas surgiram magicamente em suas costas. A cor das penas era muito igual à da lã dos carneiros, a única diferença era que elas eram levemente transparentes, como se não tivessem tanta força. Suas asas mágicas bateram suavemente, fazendo com que a menina conseguisse planar até o outro lado. A filha de Íris pousou pesadamente, pouco depois de suas asas desaparecerem, por sorte não torceu o tornozelo.

— Arg... — Ela arquejou. — Eu ainda não consigo controlá-las muito bem... Queria ser que nem Evan e suas asas... — A garota corou levemente ao pensar no filho de Eros.

Um problema à menos, agora teria que enfrentar os animais selvagens. Por um segundo pensou em colocar todos para dormir, mas logo percebeu que seria totalmente impossível. Primeiro que eram muitos e depois que provavelmente ela iria esgotar todas as suas energias. Precisava de um plano novo.

Sarah se aproximou do bando devagar, agachada e utilizando os poucos arbustos que tinham por ali para se esconder. Queria observar primeiro. Os animais estavam tranquilos, mas isso não significava segurança. Alguns se aproximavam do rio para beber água, outros pastavam sossegados e ainda tinham aqueles que usavam outros arbustos e árvores para se coçar ou aproveitar a sombra para descansar. A filha de Íris estava completamente distraída quando uma teia de aranha passou por seu rosto, no mesmo momento ela deu um grito se afastando do arbusto.

— ARANHAAAA!!

A aversão que ela tinha por esses insetos era tão grande que, na hora, ela não pensou que acabaria chamando atenção, a única coisa que queria era se livrar dos insetos. Quando percebeu, estava de pé no gramado com todos os carneiros olhando para ela, talvez até eles tenham se assustado com o grito da menina. Quando caíram em si, os animais começaram à se aproximar. Primeiros eles começaram a caminhar, mas logo em seguida o trote acelerou e os animais começaram a correr. Era um bando bem agitado, tando cabeçadas, se empurrando e até mordendo uns aos outros, de fato eram animais muito agressivos.

A semideusa ficou em choque, aquele não era o momento para fraquejar, mas suas pernas não se mexiam. O bando era numeroso demais e, conforme se aproximavam, ela podia ver que também eram musculosos e fortes. Iria ser trucidada.

— Espera, por favor, se acalmem. Eu não vou machucar vocês, por favooor!! — Em um último movimento de desespero, Sarah fechou os olhos e levantou o braço protegendo o rosto.

E nessa hora suas tatuagens se acenderam novamente, um colorido bonito cercou a menina e começou a criar uma área que se espalhou ao seu redor. Os animais que entravam em contato com essa áurea começavam a se acalmar e passavam pela garota, desviando dela. Quando percebeu, estava cercada. Sarah abriu os olhos curiosa, vendo que, agora, o grupo de carneiros circulava ao seu redor. Alguns até cheiravam suas roupas.

— Hahahaha... Pare com isso, faz cócegas. Pare!! Hahaha...

Os carneiros pareciam tratar a garota como uma igual, o que era bem estranho. Ela só não tinha percebido que o poder de sua mãe era o que estava acalmando os animais. Passando a mão por sobre os pelos douradas dos bichos, ela podia sentir o quão eles eram macios e fofinhos.

— Nossa, vocês são lindos.

Os animais rodeavam a garota, esfregavam suas cabeças em sua mão e até cheiravam o arbusto em que ela estava se escondendo. Vendo aquilo, ela se aproximou.

— Não... Saiam daí! Tem aranhas, elas podem ser venenosas e...

Mas, ao se aproximar, ela vê que, na verdade, alguns pelos das próprias cabras é que acabavam ficando agarradas nos galhos do arbusto. No mesmo momento ela se lembrou do mito de Psiquê: Na segunda tarefa a Deusa retirou os fios que precisava de um espinheiro.

— Claaaro!! Hahahaha... Me desculpem, eu nunca poderia fazer mal a vocês. — Ela esfrega a orelha de um carneiro que estava ao seu lado. — Tudo o que preciso é de uma prova e isso já é o suficiente.

Sarah perde um tempinho retirando alguns tufos de pelo dourado do arbusto, mas, no fim, ela consegue juntar uma quantidade considerável. Em sua mão direita ela apertava firmemente a sua espécie de Amostra Grátis de velocino de ouro.

— Isso deve servir. — Ela se levanta e se afasta, dando passagem para um dos animais se aproximar e deitar na sombra do arbusto. — Hahaha, folgado. — Ela ri e faz um carinho na cabeça do animal.

Enfim a segunda tarefa estava cumprida, quanto tempo já tinha passado desde que ela entrou na casa? Não fazia ideia, principalmente porquê aquele lugar parecia nunca escurecer. E assim ela rumou para sua próxima tarefa, não antes de encontrar a cabana ao norte e só conseguir entrar nela depois de mostrar o tufo dourado que carregava consigo.

Poderes Passivos Intencionais:
Nível 05
Aniquilador de Discórdia - Quando um filho da Deusa chega em um local onde há desunião e inimizade, automaticamente prospera harmonia e temperança.

Nível 08
Asas Douradas II - Os(as) Filhos(as) de Íris possuem um par de asas médias, de tom dourado, em suas costas. Elas podem ajudá-lo em saltos maiores, podendo dar pequenos voos de até 1,5 a 2 metros de altura.

TAREFA 3

Assim que pisou no novo cômodo, que por sinal era muito maior que o anterior, Sarah já percebeu do que se tratava. Era uma terra completamente sem vida, pedregosa, com um céu muito cinza e uma montanha extremamente alta e íngreme, bem no meio do suposto quarto. Vários monstros diferentes circulavam por ali, tantos que a pequena Gray nem conseguiu contar, pois precisou se esconder atrás de um pedregulho quando uma criatura alada passou sobrevoando o local em que estava. Ali ela sabia que seu poder de acalmar multidões não funcionaria.

Enfim estava na terceira tarefa: Pegar a água da nascente do Rio Estige, no topo daquela colina completamente íngreme. Voar também não era uma opção, primeiro que ela só conseguia percorrer curtas distâncias, o topo estava definitivamente fora de alcance, e segundo que ela chamaria muita atenção, se ela já tinha problemas em manter suas asas ativas por longos períodos, imagina ter que fazer isso enquanto luta em pleno ar? Completamente fora de questão. Os planos de Sarah iam todos por água abaixo e quanto mais tempo ela perdia pensando, mais os monstros pareciam estar se aproximando.

"Droga... Eu sou uma semideusa, esses monstros malditos podem sentir meu cheiro. É como se eu fosse um delicioso bife acebolado que acabou de sair do forno, por isso parece que eles estão se aproximando."

Sarah escutou alguns cães infernais rosnando e latindo uns com os outros ao longe. A semideusa corre para outro pedregulho, se afastando, lá ela precisa se abaixar uma segunda vez para não ser vista por um corvo gigante. A tatuada saca sua espada e fica em alerta.

Dizem que corvos significam mau agouro, a filha de Íris só não sabia que o azar viria tão rápido. Quando decidiu correr para uma parte mais baixa naquele terreno irregular, aonde provavelmente estaria mais escondida, ela acaba se deparando com seu primeiro desafiante. Era uma criatura de tamanho colossal, deveria ter uns 10 metros de altura e 20 de extensão. O seu exoesqueleto era preto, sujo e repleto de ranhuras, seus oito olhinhos eram vermelhos cor de sangue e seis patas bastante musculosas sustentavam seu corpo longe do chão. Suas armas eram duas pinças dentadas do tamanho de carros comercias, uma calda blindada que formava um C por cima de suas costas e sustentava um enorme ferrão em sua ponta e suas enormes mandíbulas que, com certeza, a filha de Iris não queria chegar perto. O calafrio que passou pela espinha de Sarah mostrava a tenção que foi ver aquele bicho, principalmente porque ela sabia que qualquer passo em falso iria significar a sua morte, já que a sua frente se estendia um enorme Escorpião do Deserto. (Representação)

Sarah engoliu em seco, e foi só o que conseguiu fazer antes da criatura investir. Suas pinças eram bastante ágeis, mesmo que enormes e, se não fosse pela bênção de sua mãe, teria sido partida ao meio com um único movimento. A garota conseguiu se abaixar e rolar para o lado no exato momento em que ele tentou a agarrar. Mal tinha ficado de pé e a segunda pinça já vinha ao seu encalço e, dessa vez, Sarah precisou se jogar para trás. Um erro, pois, assim que se afastou, o Escorpião atacou com o rabo, tentando empalar sua presa. A semideusa, ainda no chão, estendeu os braços materializando um escudo circular, luminoso e colorido, mas bastante denso. O ferrão cravou na magia defensiva com tanta força que a proteção quase cedeu. E como aquela criatura era forte, Sarah trincava os dentes tentando segurar seu escudo mágico. Teria perecido diante da força esmagadora que o monstro exercia sobre ela se não fosse, mais uma vez, pelas magias de sua mãe. As tatuagens em seus braços brilhavam ferozmente e uma áurea colorida os circulavam, a pequena Gray podia sentir a força que agora conseguia exercer contra o ataque do bicho. A ponta do ferrão de seu oponente chegou a atravessar o escudo em um determinado momento, soltando uma secreção gosmenta que pingou em sua calça e, como se fosse ácido, começou a corroer sua veste.

— Aaaarrrgg... — Sarah sentiu sua pele queimar, já quase não aguentando ficar naquele cabo de força invertido. Precisava sair dali antes que ele ganhasse.

A semideusa joga seu escudo para o lado, levando o ferrão do monstro junto. Aproveitando a brecha criada e liberando uma das mãos, ela aponta na direção dos olhinhos famintos do artrópode e dispara um ataque luminoso que o acerta com uma explosão brilhante bem forte, dessa forma ele ficaria momentaneamente cego. Sarah sabia que seu ataque tinha dado certo, pois no segundo seguinte ele estava girando enlouquecido em círculos e atacando a esmo em todas as direções. O ponto ruim disso? Era um Escorpião de tamanho Colossal que estava golpeando para todos os lados.

Sarah precisou abaixar para não ser atingida na cabeça e saltar para o lado umas duas vezes evitando ser estocada. Parecia um jogo de queimado, mas na dificuldade insana. A semideusa sabia que não aguentaria muito tempo nessa de ficar se esquivando, principalmente quando o monstro lhe deu um empurrão com a parte de trás de uma das pinças e depois quase lhe acertou com o ferrão. Nesse momento a garota tomou a decisão mais maluca de sua vida: Correr para debaixo do artrópode.

O bicho aparentava não ter percebido, pois continuava a rodar e golpear o vento. Ali embaixo, Sarah parou alguns segundos recuperando o fôlego enquanto pensava no que faria em seguida, pois a única coisa de que tinha certeza era que uma hora ele voltaria a enxergar. Percebeu, observando a pele dura que revestia o animal, que sua carapaça aparentava ser mais final ali debaixo.

"Bom... Não tenho muito o que fazer. Mãe... Me proteja!!"

Sarah segurou firme sua espada. Mais uma vez suas tatuagens intensificaram suas cores e começaram a produzir uma áurea colorida, essa energia correu por seu braço e começou a alimentar sua arma, fazendo com que ela brilhasse intensamente nas sete cores do Arco Íris. A semideusa então urrou e atacou. Seu primeiro golpe circular acertou duas patas do animal, o contato do fio da espada com a carapaça produziu um ferimento profundo e fumegante. Seu alvo urrou e tentou correr, mas Sarah já tinha engatilhado um segundo ataque que pegou novamente nas mesmas patas. A ideia da menina era simples: Acertas quantos golpes conseguisse nas pernas do bicho até que ele cedesse ao seu peso. Não tinha um ditado que falava que quanto maior o tamanho, maior é a queda? Pois ela iria colocá-lo à prova. E foi na terceira vez que acertou os mesmos locais que o Escorpião não aguentou. O que a filha de Íris não tinha planejado, era que ela estava bem embaixo daquele monstro de uma tonelada. O animal atingiu o solo com um som seco, levantando bastante poeira. Em um primeiro momento até parecia que ainda estava vivo, mas ele estremeceu e seus olhos perderam a cor. Depois disso, apenas o silêncio pairou no ar. Nenhum movimento, nenhum monstro e nenhuma semideusa, apenas a nuvem arenosa se dissipando.

Alguns segundos se passam até que um pequeno CRACK se faz ouvir no campo de batalha. Uma rachadura surge no topo do abdômen do escorpião e, de lá, sai uma mão feminina segurando uma espada monocromática. O bicho era tão grande que até demorava para começar a virar pó. Sarah tinha atravessado o animal de baixo para cima, abrindo caminho por entre suas entranhas enquanto cortava tudo o que conseguia. Por sorte tinha sua fiel amiga nas mãos, se não fosse por sua Croma-Sparti não teria conseguido cortar o artrópode. A semideusa sai toda coberta por uma gosma verde e nojenta, só não vomitou porquê estava com medo de abrir a boca e dar chances ao azar. O que ela menos queria era que aquele sangue esverdeado escorresse para dentro de sua boca.

A filha de Íris largou sua espada no chão e caiu de joelhos na areia fofa, tentava limpar pelo menos seu rosto. Estava exausta, com os músculos doloridos e mal sabia quantos mais precisaria enfrentar até chegar ao topo daquele monte. Lembra de quando ela disse preferir enfrentar um monstro ao invés de separar sementes? Então, ela estava começando a querer voltar para as sementes.

— RARARARA... Menina Bonita!! — Uma voz grave e estrondosa fez o chão tremer.

Antes mesmo que pudesse fazer qualquer coisa, uma mão gigante agarrou Sarah e a tirou do chão. Será que tudo ali tinha proporções maiores que o normal? Um enorme olho azul surgiu em sua frente, bem no meio de um rosto deformado e feio. Seu segundo oponente era um humano de aproximadamente 7 metros de altura, musculoso, de pele clara, com barba por fazer e um corte de cabelo rastafári preso em um rabo de cavalo. Não usava camisa, tinha um short de couro e sandálias aos pés. Segurava um martelo de pedra em uma das mãos e Sarah na outra. Aquele era um autêntico Ciclope. (Representação)

— Menina engraçada. — O bafo podre quase fez a semideusa desmaiar. — Cheira bem, mas cheira mal. — O jeito como ele falava era engraçado, parecia um bebêzão, só que fedido, grande e feio. — Menina bonita ser minha agora. Bob poder limpar menina e depois comer menina?

Aquela pergunta nem fazia sentido, por que diabos estava perguntando isso para ela? Assustada, a semideusa não respondeu. Um erro, pois logo em seguida o Ciclope a sacudiu e começou a gritar.

— MENINA NÃO SABER FALAR? — O grito ressoou nos ouvidos de Sarah, quase a deixando surda. Mas o pior era ser chacoalhada violentamente, ela perdeu completamente a orientação de cima e baixo, direita e esquerda. — BOB PEGAR MENINA. BOB PODER LIMPAR MENINA E DEPOIS COMEEER?

Bob, o ciclope, apertou sua pegada em Sarah e a semideusa sentiu uma de suas costelas partindo. A pontada veio com uma dor alucinante que a fez ver estrelas.

— Aaaaaaaaarrrrgg — Acabou soltando.

O grito da garota pareceu ter resultado, pois o monstro afrouxou a pegada e aproximou a garota de seu rosto, como se a observasse curioso.

— Menina bonita então saber falar. — Ele para alguns segundos fazendo uma careta, parecia estar fazendo bastante força para pensar. — Menina entende Bob?

— Sim!! — Sarah respondeu de imediato, temendo ser sacudida mais uma vez. — Sim, Bob. Eu entendo o que você diz.

— Então... — Ele repete a careta, pensativo. Seu único olho azul estava quase fechado de tanta força que ele fazia. — Menina responder Bob! Bob poder limpar menina e depois comer menina?

— Hm... Que tal se Bob soltar menina e deixar menina ir embora?

— NÃAAAAOO!!! — O monstro gritou expelindo algumas gotas de baba encima da semideusa, a fazendo se lembrar do seu bafo podre de carniça e deixando os ouvidos da garota doloridos.

— TUDO BEM!! — Gritou de volta, o que não era nada em comparação ao berro de seu oponente. — Tudo bem... Hm... Olha Bob eu sei que você é muito inteligente, não é? Afinal, você me capturou.

— Sim, Bob ser muito inteligente. — Ele bateu com o outro punho fechado no peito, como sinal de força.

— Hm... — Sarah percebeu aquilo, mas preferiu ignorar. — Isso, isso mesmo. Muito inteligente. Então, e se... — Mas ela parou de falar quando uma voz esganiçada surgiu em sua cabeça.

Kyaaaahahahaha, eu sabiiiia. Sabia que tinha um semideus aquiiii!! Kyaaahhh, parecia que uma gralha estava falando com ela. A voz era feminina e esganiçada, bastante irritando. Nesse momento um vulto preto passou voando por cima da cabeça de Bob, que pareceu nem perceber. A criatura alada era uma mistura de mulher com passarinho. De tamanho normal, ela possuía garras no lugar dos pés, asas com plumagens marrons no lugar dos braços e presas muito afiadas no lugar dos dentes. Seu terceiro oponente ainda tinha uma vasta cabeleira da mesma cor que suas asas, olhos amarelados como águias americanas, pele morena e não usava nenhuma roupa. Aparentando ser jovem e bastante rápida, a agressiva Harpia ficou voando em círculos acima dos dois. (Representação)

— Menina não terminou. — Bob falou com ela. De fato, não tinha percebido a chegada da Haripia e muito menos escutado o que ela tinha falado.

— Ham... — Sarah encara Bob e depois de olha volta para cima. — Bob!? Você não está vendo e nem ouvindo aquilo ali?

O ciclope olha para cima, todo lerdo, e fica alguns segundos acompanhando a Harpia com seu olho.

— Passarinho engraçado. Xô passarinho, xô!! — O ciclope sacudia seu martelo no ar, mas sem conseguir chegar nem perto do animal.

Seu gigante idiota!! Largue minha presaaaaa... Kyaaaahh, mais uma vez a voz esganiçada veio em sua cabeça. Foi aí que Sarah percebeu que apenas ela conseguia entender o que aquela Harpia estava falando. O motivo? Não fazia ideia, mas estava entendendo tudo de Harpês.

A mulher-pássaro aproveita a oportunidade e avança contra a mão do ciclope que segurava Sarah. Ela desfere um golpe seco com suas garras, produzindo um corte profundo e fazendo o Ciclope gritar de dor. A ideia da Harpia de fazer com que o Bob largasse a semideusa tinha dado certo, agora a tatuada caia velozmente em direção ao chão. O ciclope gritava e esperneava enquanto a Harpia desceu velozmente uma segunda vez, agora focando Sarah com seu ataque. O que ela não esperava, porém, era que Sarah também conseguia voar. Ou melhor, planar.

A garota produziu suas asas douradas poucos segundos antes de a Harpia chegar em seu encalço. A velocidade da mulher-pássaro era tanta que ela passou zunindo poucos centímetros abaixo da pequena Gray. A semideusa conseguiu pousar no chão e, assim que avistou sua espada, se jogou sobre ela. Se não fosse por sua velocidade hiper-humana, Sarah já teria virado picadinho de Harpia. Sua oponente realizava um ataque após o outro em uma velocidade surreal, o máximo que a garota conseguia fazer era repelir os ataques.

Kyaaaaahahahah... Sou muito rápida para você, prole de Íris? Kyaaaahahaha... Você tem o cheiro nojento de sua mãe, ela falou em sua cabeça.

— Ah!! Calhe a boca!! — Sarah desviou de um ataque que veio por cima e depois bloqueou um segundo que provavelmente iria lhe atingir nas pernas. A criatura parecia um borrão marrom, enquanto a semideusa deixava um rastro colorido para trás. — Olhe pra você, parece um pombo que caiu do ninho, toda despenada!!

Kyaaaaah, a mulher pássaro grasnou enfurecida e se preparou para mais um ataque, mas uma enorme mão desceu do céu e a esmagou como se fosse um inseto. Seu destino foi se transformar em pó dourado.

— Bob não gostar de passarinho. Passarinha machucar Bob.

O ciclope parecia ter se recuperado e, com sorte, conseguiu pegar a Harpia distraída, mas não Sarah. Exausta, mas temendo por sua vida, a semideusa começou a correr para longe do ciclope. Não era possível que, com todo aquele tamanho, aquele desastrado de um olho só conseguiria alcançar a filha de Íris. Passou por vários rochedos, precipitações, subiu e desceu um morro, deu a volta em uma árvore morta e chegou a pular um rio ceco. Olhando por cima do ombro, ela não via nenhum sinal do Ciclope.

"Acho que consegui me livrar dele."

Era o que ela pensava. O chão começou a tremer, primeiro de forma suave, mas aos poucos foi se intensificando e, lá no horizonte, a cabeça deformada com um olho só apareceu. O problema em tentar fugir do ciclope era que, devido ao seu tamanho, uma passada do monstro eram quase oito da pequena Gray.

— Hei menina bonita. — Ele se aproximava todo atabalhoado. — Não é hora de brincar. Bob ter fome!

— Não é possível... Gghh — Uma pontada na costela fez Sarah arfar.

Agora era definitivo, com certeza tinha quebrado alguma coisa. Ela acabou por não conseguir correr mais e, exausta, se entregou ao cansaço e a dor. Bob veio diminuindo os paços e apanhou novamente a semideusa quando a alcançou.

— Cansou de brincar? — Ele olhava a menina de perto. — Bob poder comer menina bonita?

Sarah estava quase entregando os pontos, quando uma ideia lhe veio à cabeça.

— Bob!? — Ele a olhou confuso. — Você não disse que eu estou cheirando mal?

O ciclope deu uma fungada na garota que quase a deixou sem ar.

— Sim. Menina bonita cheira bem, mas cheira mal.

— Então você precisa limpar menina bonita antes de comer. Não é isso?

O ciclope coçou a cabeça com o cabo de seu martelo de madeira.

— Bob poder comer menina bonita se tampar nariz.

— NÃO!! — Sarah quase se desesperou, mas logo se conteve. — Não, Bob. Se comer menina bonita antes de limpar, Bob pode ter dor de barriga. Bob sabe disso porquê é esperto, não sabe?

— Bob ser esperto. Sim!! — Ele levantou o machado de pedra.

— E, sabe Bob, eu tenho certeza que você sabe aonde pode limpar menina bonita.

— Aonde? — Ele fez uma careta pensativo.

— Está vendo aquele monte ali? — O ciclope olhou envolta. — La no topo daquele monte tem a nascente de um rio. Bob sabe o que é um rio?

— ÁGUA!! — O grito fez Sarah encolher a cabeça. — Bob poder limpar menina na água e depois comer! Bob muito esperto!!

— É Bob. — A garota revirou os olhos. — Muito, muito esperto.

O caminho até o monte aonde nascia o Rio Estige pareceu bem menor com as passadas do gigante, principalmente porquê nenhuma outra criatura parecia querer chegar perto dele. Quando chegaram na base da montanha, Sarah pensou que o Ciclope não conseguiria subir aquele morro completamente íngreme, mas o que ele tinha de desastrado e bobão, ele também tinha de forte. O monstro cravava seus pés e sua mão livre na rocha e ia escalando como se aquilo fosse brincadeira de criança. Subiram a montanha de pouquinho em pouquinho, demorando alguns minutos para percorrer toda aquela distância, mas enfim chegaram. Lá encima a visão era deslumbrante, o vale que se estendia, mesmo que morto, era muito bonito. As criaturas e monstros que ali viviam pareciam formiguinhas e o vento lá no alto não estava forte. E ali no topo uma outra beleza: Um pequeno laguinho, totalmente translúcido, refletia a luz acinzentada daquele céu hediondo. Mesmo que em uma primeira vista ele pudesse parecer simples e sem graça, Sarah conseguia sentir seu verdadeiro poder e magnitude.

Bob conseguiu subir o último pedaço com certa dificuldade, até ciclopes podiam se cansar. A testa do monstro estava pingando e Sarah conseguia sentir a mão do meio gigante suando, o que era bem nojento.

— Bob esperto. Bob conseguiu.

— Muito bem Bob. Que tal me colocar no chão agora?

— Não. — Ele parecia tão cansado que não conseguia gritar. — Menina bonita vai fugir.

— Bob, olha onde nós estamos. Não tem como eu correr daqui, se eu fizer isso vou acabar caindo lá embaixo. — O Ciclope dá uma analisada na altura. — Você é esperto Bob, sabe disso.

Bob fez sua típica careta de quem estava pensando e, dessa vez, seu cenho estava tão franzido que Sarah pensou que ele estava sentindo algum tipo de dor. No fim, ele concordou.

— Tudo bem. Bob colocar menina bonita no chão, mas só porquê Bob tem sede. — Ele olhou para a nascente do Rio Estige com seu enorme olho brilhando. — Se menina tentar fugir, Bob esmaga. —  Ela concordou com a cabeça.

O Ciclope colocou a Semideusa no chão com tamanha delicadeza que chegou até a estranhar. Sarah arquejou sentindo sua costela, mais uma vez viu estrelas. Assim que ele se levantou, Sarah olhou para cima encarando aquele olhão azul.

— Hei Bob, você ainda vai me comer?

Ele coçou a cabeça.

— Depois de limpar menina bonita, sim.

— Então me desculpe. — Sarah apontou para o rosto dele e sacou sua Croma-Sparti.

O movimento da garota foi bem rápido. Primeiro fez o disparo de uma magia luminosa que explodiu no rosto de Bob o cegando e, logo em seguida, correu com toda sua velocidade e estocou o pé esquerdo dele com sua espada.

— AAAAHH — O monstro urrou de raiva e levantou o pé sem conseguir ver o que estava acontecendo. Tudo o que a semideusa queria.

Com um giro rápido, a filha de Íris corta o calcanhar do Gigante de um olho só que ainda estava no chão. Sem sustentação, ele cai para trás, na direção do abismo. Por um segundo a garota chegou a sentir uma certa simpatia por Bob, mas no fim ele tinha demonstrado que não passava de um monstro. Se era para sobreviver, então ela precisaria enfrentar qualquer tipo de vilão, sendo ele um bobo ou não.

Assim ela concluiu a terceira tarefa: Pegou um vidrinho, encheu com água do Rio Estige e encontrou um alçapão que a levaria ao próximo cômodo. A única coisa que incomodava a menina era o cheiro forte de enxofre que subia aquelas escadas empoeiradas de mármore preto.

Poderes Passivos Intencionais:
Nível 01
Perícia com Espadas - Os Filhos de Íris possuirão uma habilidade destacável na manipulação de espadas, fazendo movimentos incríveis sem ao menos ter tocado em alguma na vida.

Nível 08
Asas Douradas II - Os(as) Filhos(as) de Íris possuem um par de asas médias, de tom dourado, em suas costas. Elas podem ajudá-lo em saltos maiores, podendo dar pequenos voos de até 1,5 a 2 metros de altura.

Nível 09
Velocidade Hiper-Humana - Você se torna tão rápido quando os filhos de Hermes. Assim como o deus dos ladrões, sua mãe também é uma mensageira, e por isso é muito veloz.

Nível 10
Senhor das Harpias I - Por sua mãe ser irmã de duas Harpias na Mitologia, seus filhos com parentesco divino podem através da mente herdam essa habilidade. Essa habilidade também faz com que possa ler suas expressões e deduzir o que sentem, com isso, as criaturas lhe considerarão um senhor e obedecerão às ordens, dependendo do nível. Mas como se é iniciante, apenas pode-se possuir uma boa companhia e entender o que as harpias dizem.
Poderes Ativos:
Nível 01
Arco de Cores - No local em que o semideus ferir o oponente com sua espada, surgirá um pequeno arco-íris, este, por sua vez deixa a superfície atingida fumegando brevemente e o ataque será 10% mais forte.

Nível 04
Bloqueio Visual - O Semideus filho de Íris pode canalizar a luz do ambiente, deixando-a mais intensa nos olhos de seu adversário. Isso o deixará sem foco por alguns instantes.

Nível 05
Persistência de Íris - Faça com que sua força física aumente consideravelmente, enquanto seus braços brilham com as luzes de Íris.

Nível 07
Escudo Iluminado - Crie um escudo feito de partículas de arco-íris para lhe proteger de ataques inimigos.

TAREFA 4

Descer aquela escadaria interminável só fazia a pequena Gray se lembrar da quarta tarefa que deveria realizar: Encontrar o Unguento da Beleza de Perséfone. Se tudo estivesse ocorrendo como deveria, aquela escadaria levaria a garota direto para o Hades. Um ótimo lugar para se fazer um passeio, pensou. Em um determinado ponto em sua descida, suas tatuagens se acenderam, fazendo com que uma áurea mágica, translúcida e multicolorida começasse a circular por seu corpo, como se fosse uma segunda pele.

Já estava achando que tinham se passado horas desde o momento em que iniciou sua jornada ao Reino dos Mortos. A garota chegou a parar umas duas vezes sua caminhada para recuperar o fôlego e uma terceira para amarrar os tênis, nesse ritmo ela chegaria ao outro lado do mundo antes de encontrar os reinos comandados por Hades. A única coisa que assegurava a menina de que estava seguindo o caminho certo, era o pequeno rio que corria logo ao lado da escadaria sem fim. Sua nascente era no monte logo acima de sua cabeça, de onde Sarah estava vindo, e sua água translúcida produzia um brilho fraco mesmo naquele túnel escuro, debaixo da terra. Aquela era a nascente do Rio Estige e, como toda nascente de um rio, ela começava fraquinha e delicada e, aos poucos, ia se alargando e ganhando força com seu volume d'água.

Quando finalmente chegou à base da escada, o Rio Estige mostrou a sua maior grandeza. Ele desembocava em uma grande gruta subterrânea, se alargando e serpenteando até se perder de vista. Enormes estalactites e estalagmites faziam aquele lugar parecer uma enorme boca sombria. A iluminação ali embaixo era azulada e fraca, o ar era gelado e o som parecia ser comprimido naturalmente. Um calafrio percorreu o corpo da garota ao cair a ficha de que estava chegando aos Hades e, por um segundo, agradeceu por estar sentindo dor, pois isso significava que estava viva.

Sarah caminhou mais alguns minutos até encontrar uma área mais aberta no seu lado da margem do Estige. Em um primeiro momento pensou ter chegado ao seu destino, mas estava muito enganada. O local se arredondava em uma espécie de Hall de Entrada, só que suas proporções eram absurdas. O teto deveria ter uns 10 metros de altura e a parede era totalmente arredondada, formando uma gigantesca gruta. Mas o que realmente chamou a atenção da semideusa foi o homem de terno italiano que se encontrava no fundo desse suposto cômodo. Ele tinha a pele bem morena, as feições calmas, cabelos afros e cumpridos, olhos amendoados e se movimentava com uma elegância que ela nunca tinha visto antes. Uma figura acolhedora, se não tivesse uns 7 metros de altura e um par de asas angelicais e negras.

Sarah se sobressaltou não conseguindo evitar lembrar de Anteros, mas logo em seguida percebeu que aquele não era nem de perto o ante Eros. O ser mitológico olhou calmamente para ela e, sem esboçar qualquer expressão facial, fez-se ouvir com um vozeirão grave.

— Sarah Gray — Falou calmamente fazendo as paredes tremerem. — Ainda não está na sua hora, filha de Íris.

A ficha caiu, aquele não era um homem qualquer ou um monstro, na frente de Sarah se encontrava Thanatos, o Deus da Morte, ceifador de almas.

— S-Senhor... — A garota ficou sem jeito, não sabia se deveria se aproximar, se afastar ou fazer uma reverência em sinal de respeito. Na dúvida, ficou parada.

Ele parecia não ter percebido a insegurança da menina, ou não demonstrou se preocupar. Aquele era o primeiro Deus que a menina encontrava pessoalmente em sua vida. Assim, tirando Anteros que apareceu uma vez para lhe incomodar o juízo lhe dando um baita susto. Nem mesmo Dionísio, o Sr. D do Acampamento Meio-Sangue, nem ele a pequena Gray já tinha visto pessoalmente, e olha que o Deus do Vinho era o Diretor Geral do Acampamento.

Thanatos analisou a garota de cima a baixo, quieto, com um olhar como se estivesse jugando todos os seus pecados e decidindo se aquela alma merecia seguir para o Hades ou cair direto no Tártaro. Por um segundo a garota estremeceu, se ele era um Deus então não adiantaria lutar ou tentar enganar. Sua garganta estava seca, suas pernas tremiam e seu corpo estava paralisado. A importância de se estar diante de uma Divindade era tamanha que a semideusa estava em estado de choque. Chegou até a pensar em dizer alguma coisa, mas foi o Ceifador quem quebrou o silêncio.

— Não, de fato não está na sua hora. — O Deus desviou o olhar. — Está aqui à serviços de Psiquê, é verdade. — O Deus então deu um passo para frente e puxou alguma coisa que estava apoiado atrás dele. — Não tenho tempo para ficar conversando com você, filha de Íris. Mas, antes de ir. — O Deus da morte segurou sua foice com as duas mãos. Era uma arma enorme, do tamanho de um prédio de três andares, toda preta, muito afiada e reluzente. A visão daquela coisa fez o coração de Sarah acelerar. Então aquela era a arma usada para trazer as almas dos mortos até o Hades? — Não se esqueça, Sarah Gray, não podes levar nenhuma alma do Hades de volta ao mundo dos vivos. Se desobedecer a essa regra, a bênção de sua mãe vai deixar de te proteger e eu mesmo irei atrás de você. — O Deus bateu com o cabo da foice no chão, produzindo um barulho seco, e se desfez em uma nuvem negra, se dissipando.

Sarah não sabia o que fazer. A única coisa que queria era sair dali, tanto que saiu correndo assim que suas pernas voltaram à vida. Estava ainda em disparada, apenas seguindo o rio, quando avistou uma espécie de cais um pouco ao longe. Aquela parte do Rio Estige era um pouco mais sombria que seu início, pois uma névoa espeça começava a sair de suas águas e a iluminação azulada ganhava forças.

A menina já sabia o que iria encontrar, que grego não conhecia sobre o barqueiro do Rio Estige? E, de fato, a figura encapuzada estava lá, dentro de seu barco e aguardando o próximo passageiro. A filha de Íris não conseguia enxergar seu rosto, mas as mãos esbranquiçadas e esqueléticas seguravam o remo com firmeza. Ele não disse nada quando a semideusa se aproximou, apenas estendeu uma das mãos, pedindo seu pagamento.

Sarah tinha acabado de meter a mão no bolso quando alguém a segurou pelo braço. Seu passado com essa coisa de segurarem seu braço não era nada boa, por isso ela se desvencilhou e puxou sua espada para ver quem era, pronta para atacar caso necessário. Acabou se deparando com um velho senhor coxo que, assustado com a atitude da garota, acabou caindo sentado no chão. Ele usava umas roupas maltrapilhas, tinha um cabelo grisalho e uma barba grande da mesma cor que lhe caia sobre o peito. Seus olhos eram fundos e castanhos, suas costas eram levemente curvadas e sua pele era clara.

— Ah!! — Ela guardou sua arma e foi ajudar o homem a se levantar. — Me desculpe, por favor. Não foi a minha intenção. Pensei que poderia ser algum monstro ou coisa parecida, me desculpe.

— Aaaarg... Caramba!! — O senhor se levantou apoiando nela. — Mas será possível? Esses jovens de hoje em dia, que falta de respeito!

— Por favor, não foi a minha intenção. — Sarah tentava ajudar o velho a limar suas roupas.

— Logo eu, que estava aqui quieto. Só iria pedir sua ajuda, não precisava me ameaçar. Se não queria me ajudar era só falar, eu heim!

— Não, por favor. Não foi minha intenção. O que o senhor está precisando? Eu ajudo.

O velho analisou o comportamento de Sarah, parecia julgar se ela não estava mentindo ou não.

— Bom, só iria perguntar se você não tem um trocado para me dar. — Ele ajeitou as vestes. — Acabei não trazendo nada e agora não consigo pagar ao barqueiro para seguir minha viagem.

Sarah arquejou. Isso significava que ele estava... Morto? A menina demorou alguns segundos pensando, mas no fim sorriu e concordou com a cabeça.

— Claro que eu posso te dar uma moeda, por que não? — Puxando dois dos dracmas que tinha, ela deu um para o senhor coxo e a outra ofereceu ao barqueiro.

O barco era pequeno, mas os dois couberam ali dentro perfeitamente. Assim seguiam descendo rio abaixo, Sarah, o coxo e o barqueiro. A viagem era devagar, a correnteza estava fraca e ninguém falava nada, apenas o barulho no movimentar do remo quebrava o silêncio. Não tinham feito nem 10 minutos de viajem, quando uma movimentação na água chamou a atenção: Dois bracinhos se sacudiam e alguém pedia por socorro.

— SOCOOORRO... Blub, blub, blub... SOCOOOORRO... Blub, blub... — Era alguém se afogando.

Sarah olhou na direção do barqueiro preocupada, o seu olhar era a de quem queria ajudar e, parecendo que tinha entendido, o barqueiro estendeu a mão. Novamente parecia pedir alguma coisa.

Agora eram 4, Sarah, o coxo, o barqueiro e o afogado. A garota estava um Dracma mais pobre, se continuasse assim iria chegar sem nada ao destino final. O barco ainda percorreu um caminho longo, fez curvas sinuosas, enfrentou correntezas e precisou desviar de algumas pedras, mas chegaram sãos e salvos ao destino final. A única coisa que deixou a menina encucada foi que, assim que se despediram, os dois homens que vieram com ela se transformaram em fumaça prateada e se dissiparam. Seria isso o que acontecia com todas as almas que chegavam ali? Sarah agradeceu por ainda ter seu corpo.

O caminho da filha de Íris era completamente incerto, ali a névoa que subia do Estige já era bastante expeça. A única coisa que mantinha como referência era a parede do seu ado esquerdo, o que não lhe dava muita segurança. Depois de caminhar por um bom tempo sem saber para onde estava indo, sua mente começou a lhe pegar pressas. Ela via um vulto ou outro passar do seu lado, mas sempre que virava para olhar se deparava com uma rocha ou não via nada. Até que as vozes apareceram.

— Está perdida semideusa? — Disse a primeira à sua direita.

— Ela está muito longe de casa, está sim. — Ecoou a segunda à sua esquerda.

— Cuidado, uma ovelha desgarrada do rebanho se torna um alvo fácil para os predadores. — Ameaçou a terceira de trás.

— Quem está aí? — Sarah sacou sua fiel espada. — Quem são vocês?

As três riram juntas. Era possível suor que eram 3 mulheres, por conta das vozes afeminadas, e ao mesmo tempo não tinham aquele tom energético, o que significava que provavelmente eram velhas. A filha de Íris pensou que enfrentaria bruxas ou alguma coisa do tipo, e quase acertou. Não demorou muito para que 3 figuras encapuzadas aparecessem. Pareciam se movimentar em conjunto, suas capas esfarrapadas escondiam seus rostos e o cheiro que as acompanhava fez Sarah ficar enjoada. Uma era baixinha e gordinha, outra era alta e magricela e a última era o meio termo entre as duas primeiras. Por algum motivo a menina estranhou os vários fios prateados que as acompanhavam, faziam elas parecerem marionetes, mas, quando uma delas levantou uma das mãos segurando um rolinho de linho de tear, foi que a tatuada entendeu. Aquelas eram as três irmãs conhecidas por tecer o fio da vida de cada um que habita o mundo dos vivos: As Moiras, também conhecidas como Parcas.

— Olha, eu agradeço aos conselhos, mas agora eu preciso realmente ir. — Ela guarda sua espada. Sabia que não precisaria lutar, só que também não queria ficar para ouvir sobre seu destino. Não diziam que quanto mais se descobria sobre o futuro mais você enlouquecia? Pois a filha de Íris não queria descobrir se era verdade ou não.

— Ora, ora, ora — Disse Cloto, a que segurava o fio da vida. — Não está nem curiosa para saber sobre o nascimento de futuros filhos?

— Ou então — Continuou Láquesis, a que enrolava o tecido da sorte. — Se o futuro vai ser bom ou ruim?

— Quem sabe — Terminou Átropos, a que cortava o ar com a tesoura da morte. — Quando chegará ao fim da vida?

Riram juntas. A semideusa não sabia o que aquela risada significava, mas estavam conseguindo a tirar do sério. Apenas se virou de costas, calada e começou a sair, mas, antes que deixasse as tecelãs para trás, parou e olhou por cima do ombro.

— Me respondam apenas uma coisa. — As irmãs ficaram curiosas. — Quando eu me encontrar novamente com Anteros, quem vai sair mais machucado?

Não era possível ver o rosto das velhas, mas Sarah sabia que elas estavam sorrindo, degustando da curiosidade da semideusa. Quem respondeu foi a do meio.

— Sair machucado? Sim. — As outras riram. — O que mais se entregar, será o que mais vai sofrer. Mas como poderá saber o que é a morte, aquele que não sabe o que é a Vida?

— Já chega! — Falou firme. — É o suficiente. Obrigada. — E deixou as três irmãs para trás ao som das risadas esganiçadas.

A menina correu o mais rápido que podia por entre aquela névoa densa. A única coisa que mantinha o sentindo de direção de Sarah era a parede pedregosa sempre à sua esquerda, estaria em apuros se ela acabasse. E foi o que aconteceu. Quando a tatuada foi verificar, a parede não estava mais lá, no lugar havia uma enorme passagem que levava para algum lugar que emitia uma luz avermelhada. Era um corredor bastante largo e alto, mas o que chamou a atenção da menina não foram as labaredas ao fundo, e sim o cachorrão gigante de três cabeças que dormia pesadamente no meio desse corredor, tampando completamente a visão para o outro lado. Cada uma das cabeças deveria ter o tamanho de um micro-ônibus, suas patas eram maiores que um humano adulto e seu pelo era preto. Ele era muito parecido com um Rottweiler, só que em proporções colossais. A respiração do bicho quase derrubou a pequena Gray no chão. Aquele era Cérbero, o cão de guarda.

— Cachorrinho bonzinho... — Ela sussurrou. — Bonzinho...

Na cabeça da menina vinha a lembrança de que aquela criatura estava ali para impedir que qualquer alma tentasse sair dos domínios do Hades, não entrar. Mas, de qualquer forma, ela não queria acordar um cachorro do tamanho de um prédio de 5 andares. Caminhando na ponta dos pés, Sarah continuou seguindo para a esquerda, deixando o cachorrão para trás. Não tinha a menor necessidade de passar pelo cão de guarda, já que a terra aonde vagavam as almas não era o seu foco, ao invés disso ela procurava o castelo em que morava o Deus do Submundo.

Correu por mais alguns minutos, apenas vendo pedras, névoa e sua própria sombra. Seus pés latejavam, suas perdas doíam, a costela fraturada dava umas pontadas e o suor molhava suas costas. A exaustão estava quase ganhando, quando finalmente ela encontrou o que queria. O castelo de Hades era uma estrutura monumental, de proporções grandiosas, incrustado no topo de uma espécie de montanha e com muita lava ao seu redor. A temperatura perto da borda era elevadíssima. Uma pequenina ponte de pedra ligava o lado aonde estava até a porta de entrada. A semideusa atravessou o caminho correndo sem olhar para baixo, sabia que se parasse ou se olhasse para o chão, ela provavelmente iria empacar no meio do caminho.

A porta dupla de entrada era bastante larga e alta, muito parecida com as catedrais da época medieval. Os andarei acima tinham janelas com vitrais enormes, as paredes eram todas montadas com tijolos pretos, o telhado era pontudo, o acabamento era rústico e o cheiro de enxofre era bem forte naquele ponto. A menina tateou a porta procurando uma maçaneta, mas foi em vão. Teria que arrumar outro jeito de entrar. Estava olhando para cima, já pensando em quebrar uma janela, quando avistou a campainha.

"Hm... Curioso. Não custa tentar."

Tocou e ouviu grandes sinos tocando lá dentro, no alto, muito parecido com os das igrejas. Quando terminaram de ressoar, alguns segundos de silêncio se prolongaram até a semideusa começar a ouvir alguns sons vindo lá de dentro. Primeiro pensou ter escutado uma correria, cachorros latindo, alguém esbravejando e alguma coisa se quebrando. Tentou rir, mas sua costela lhe deu uma pontada fazendo sua risada se transformar em uma tosse.

As portas se abriram com um rangido revelando a parte de dentro do casarão. Era ainda mais deslumbrante que a parte de fora. Os móveis eram todos antigos, de madeira escura e muito bem cuidados, a tapeçaria era toda de bronze polido, um tapete vermelho se estendia pelo corredor, candelabros iluminavam bastante o ambiente e o cheiro de enxofre foi logo substituído por uma fragrância suave de canela. Parado bem na sua frente, um homem de pele clara, olhos castanhos, cabelo preto e curtos, uma barba por fazer e usando um terno fino. Nem precisou dizer nada para que Sarah entendesse que aquele era o dono daquele castelo. Pela segunda vez naquele dia, a filha de Íris estava diante de um Deus e, como se já não fosse de tamanho impacto, aquele era o Senhor dos Mortos, Deus do Submundo, o todo poderoso Hades.

— Ham... — Ele ajeitou a gravata. — Desculpe a demora. Seja bem-vinda à minha casa. — Ele estendeu um dos braços para dentro, dando passagem para ela, mas Sarah permaneceu imóvel, em choque.

Hades olhou curioso para ela e depois coçou os olhos.

— Olha, eu já sei o que você está pensando. Que sou o Senhor dos Mortos, que sou malvado, que saio matando todo mundo por aí, não é isso?

Sarah corou.

— N-não senhor... — Mentiu. Hades riu.

— Okay, está tudo bem. Todo mundo faz isso. — Suspirou. — Mesmo que contra a minha vontade. As pessoas costumam ter a visão errada de mim, entende? — A menina ficou quieta. O Deus coçou o próprio queixo — Hm... Tá, eu sei o porquê você está aqui filha de Íris, Psiquê me contou. Só acho que você não vai querer ficar parada aí fora, vai?

— Não senhor. — Ela abaixou a cabeça e entrou.

Mas, no segundo passo que deu, sua costela fraturada deu uma pontada tão grande que a garota viu estrelas e quase caiu. Por sorte Hades a segurou. Se toque era quente, mas ao mesmo tempo gelado, como se a garota conseguisse sentir tanto o fogo do Hades quanto o frio dos mortos. Sua pegada era firme e seu olhar reocupado. Por um segundo achou que ele iria levar sua alma embora, mas logo afastou esse pensamento bobo da cabeça.

— Acho que você está com um probleminha aí, criança. — Hades a colocou de pé novamente. — Deixe-me ver.

O Deus pousou a mão sobre costela da menina e fechou os olhos.

— Eu não sou muito bom nessas coisas, é melhor você procurar um curandeiro quando voltar para casa. O máximo que eu posso fazer é colocar no lugar.

No mesmo instante pôde-se ouvir um forte CRACK seguido de um grito de Sarah. Se não fosse por Hades a segurando, teria ido ao chão. O que era Via Láctea em comparação às estrelas que a pequena Gray viu? Mas, mesmo dolorida, agora estava conseguindo respirar fundo de novo.

— Obrigada. — Agradeceu timidamente.

— Ah, não se preocupe. — Hades respondeu entrando na casa. Sarah o seguiu. — Bom. — Ele bateu uma palma forte e a porta atrás deles se fechou. — Você está aqui pela beleza de... Perséfone.

Não sabia o motivo, mas o Senhor dos Mortos demorou para falar o nome de sua esposa.

— Você não vai encontrá-la aqui, lamento. — Decreto.

— Você está brincando! — A garota desabafou, pela primeira vez se esqueceu com quem estava falando, mas o Deus do Submundo parecia não ter se preocupado.

— Bom... Não. — Ele respirou fundo. — Perséfone... Me deixou. É isso.

Sarah queria sentar e chorar. Tinha percorrido todo aquele caminho, enfrentado diversos desafios, sofrido na mão de monstros e cruzado todo o mundo dos mortos para chegar no final e descobrir que sua última missão não teria como ser cumprida? Os olhos da garota lacrimejaram, mais de raivo do que de tristeza. ades parecia ter percebido.

— Não, não, não. Calma, calma. Olha, sua última tarefa não está arruinada. — Ele parecia estar se sentindo um pouco culpado. — Escuta, a única coisa que você precisa fazer é encontrar a porta que vai dar do Acampamento Meio-Sangue.

A animação do Deus não contagiou nada a semideusa.

— Hm... — Ele cruzou os braços e coçou a barba. — Você... Não quer começar?

Sarah olhou para o Deus com um olhar que deu pena, estava cansada, suja, suada, machucada, dolorida e quase esgotada. A garota respirou fundo e soltou.

— Deixa adivinhar: Na primeira porta que eu abrir serei recebida com um ataque de um monstro ou uma armadilha ou outra coisa pior.

Hades respirou fundo e se entristeceu.

— Terceira porta à direita. Você vai encontrar uma chame dourada, basta entrar, fechar a porta, rodar a chave da fechadura e abrir.

E, subitamente, o Deus foi pego de surpresa em um abraço. A menina tinha enfrentado diferentes monstros, desafios e tarefas, mas ali, na casa de Hades, já no fim de sua jornada, foi que ela encontrou um amigo. Já tinha se esquecido quem era ele e pouco se importava se iria sujar ou amarrotar o terno do Senhor dos Mortos. Quem estava ficando corado agora era o Deus.

— Obrigada.

Sarah agradeceu e seguiu para o quarto especificado deixando um Hades sorridente para trás. Tinha finalmente completado suas tarefas, estava voltando para casa, voltando para o Acampamento, para junto de seus amigos, para os Mentalistas e para Evan. Nossa, como a garota queria sair correndo e se jogar em cima do filho do Deus do Amor e matar a saudade o enchendo de beijos. Assim ela finalizava sua provação à Psiquê.

Poderes Passivos Intencionais:
Nível 07
Benção de Íris - Essa habilidade dá, por direito, a benção de Íris onde seu filho for. Por sua progenitora poder vagar por todos os lugares, o seu filho pode navegar, voar, ou até mesmo visitar o mundo inferior sem demais complicações, desde que não tente resgatar uma alma do Hades.


Adendos:
- Em primeiro lugar: Desculpa a demora para responder.
- Segundo: Desculpa o texto enorme, era muita coisa para narrar e explicar.
- E terceiro: Decidi colocar os poderes separados por Tarefas (como você pode ter visto), achei que ficaria melhor explicado assim. Até pra saber onde eu usei o que.
Equipamentos:
Croma-Sparti - Uma caneta que muda de cor constantemente, brilhando nas cores do arco-iris. Ao ser pressionada se transforma em uma espada de prata que brilha nas cores do arco-íris, deixando o oponente levemente tonto pela mudança constante das cores. [Presente de reclamação]
Sarah Gray Mentalistas de Psique
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Re: {Missão teste | Sarah Gray | Mentalistas de Psiquê} publicado em em Ter Nov 27, 2018 9:03 am

HEROES OF OLYMPUS




Simplesmente fantástico! Você simplesmente fez tudo o que eu disse com seu toque de genialidade, colocando muito humor e dedicação ao longo do texto, os pensamentos da personagem sempre bem destacados e também as lembranças e as motivações que a levaram a passar por todos os obstáculos. Gostei de como não fez a missão ser OP, você narrou suas vitórias e frustrações, machucando-se e tudo sem correr demais, deixando que sua narrativa fosse leve e prazerosa. Combinou muito bem os poderes sem usá-los em exagero e ainda colocou muito da sua própria trama em todas as tarefas, sempre fazendo menções e dando adendos. Simplesmente ótimaQ

Na ortografia eu só percebi alguns erros de digitação, o que acho super normal visto que o seu texto tem 26 páginas! A escrita acompanhou do início ao fim o ritmo, foi muito coerente, utilizou pontos e acentos nos lugares certos e não tenho nada a acrescentar além de: parabéns!

PERDAS:

- 80 de Life
- 140 de Energia

GANHOS:

Entrada para os mentalistas de Psiquê
+ Posto de Líder do Grupo

+ 2500 Drácmas



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Hipnos Deuses Menores
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