Heroes of Olympus RPG

[BMO] - Aileen Ní Chonaill

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[BMO] - Aileen Ní Chonaill publicado em em Dom Set 07, 2014 10:36 pm

Tópico destinado para as minhas BMO
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Aileen Ní Chonaill
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Re: [BMO] - Aileen Ní Chonaill publicado em em Dom Jan 04, 2015 6:35 pm

DE volta a Dublim


O calor estava insuportável, por todas as direções que olhava apenas conseguia fintar a luz das tochas e as pequenas casas em chamas. Os gritos de socorro ecoavam por todo lugar, pessoas desesperadas imploravam por suas vidas, mas a ruiva se perguntava se ainda haveria tempo para isso. Sentiu sua mão pesada, foi então que notou a espada que carregava, suas linhas eram peculiares, mas o que realmente chamou a atenção era sua mão. Estava vermelha, na verdade banhada em sangue, seus olhos verdes fintaram aquilo incrédula e assustada, sentiu as mesmas tremerem, sentiu medo. Os gritos tornavam-se cada vez mais insuportáveis e foi só então que se deu conta que a sua volta havia cadáveres, seus pés também estavam banhados em sangue.

Andava sem direção pelo lugar, as casas de pedra queimavam de dentro para fora, mulheres gritavam por seus filhos e maridos, mas aquela língua, nunca havia ouvido mas entendia. Sua cabeça girava, doía um pouco e ar se tornava cada vez mais pesado. Saiu de seu transe quando o som dos cavalos se aproximou, vinham de trás e mesmo sem olhar sabia precisamente onde estavam.

— Você ira pagar sua maldita, vamos vingar nossos mortos! —Disse uma voz grave e carregada de ódio.

A ruiva não respondeu involuntariamente sua mão segurou a espada de forma firme, não entendia o porquê, mas sentia um desprezo enorme naquele instante, virou-se fintando o homem de cabelos castanhos e barba da mesma cor, usava uma armadura feita de metal e peles. Um sorriso cínico desenhou-se em seu rosto a medida que ele se aproximava. Sabia  que o ataque seria iminente e mesmo assim sentia-se segura, ele jamais a acertaria.

As espadas chocaram-se no ar produzindo um som agudo e alto, seus olhos se encaram rapidamente, uma pequena questão de segundos, o suficiente para ver no fundo dos olhos dele o temor que sentia diante dela. O sorriso veio carregado de sarcasmo.

— Vocês todos vão morrer... Em nome dos Deuses. Em nome de Morrigu. Os corvos já estão aqui, para buscar sua alma. — Aquelas palavras saíram contra a sua vontade.

A ruiva o empurrou para trás e seu pé deu um chute em suas pernas o derrubando ao chão, sem pensar duas vezes sua espada desferiu um golpe direto no peito do homem, perfurando seu coração, o homem soltou um gemido e seus olhos estavam vidrados nos da ruiva. Ela ficou o encarando enquanto morria, com um sorriso no rosto e não podia negar... Aquilo era a melhor coisa do mundo.

                                                             
   ***************

A ruiva acordou de sobressalto com o coração na boca, sentia as gotas de suor escorrendo novamente por sua testa, suas mãos estavam tremulas. Puxou o casaco cinza escondendo as mãos, aquele friozinho típico e familiar lhe fez abrir um singelo sorriso, seus olhos a fintaram a paisagem e vislumbrou o céu cinzento e carregado de nuvens, por algum milagre não estava chovendo naquela manhã. Já estava praticamente no porto de Dublin, o que fez a ruiva levantar-se e pegar a mochila, jogando-a nas costas. Segurando-se nos bancos a garota caminhou com cuidado para não cair, queria ser a primeira a descer e abraçar sua mãe, precisava tanto dos  braços dela.

Assim que o barco atracou e a plataforma desceu a ruiva saiu correndo, esbarrando nas pessoas, o cheiro de terra molhada tomou conta de seu olfato, a brisa fria fez os cabelos vermelhos da garota tremular. Seus olhos procuravam um rosto conhecido, mas no meio daquela multidão de pessoas ficava difícil, por um instante pensou que ninguém tivesse vindo busca-la e sentiu-se um pouco triste, até que uma voz ecoou por todo o lugar chamando a atenção da ruiva. Não precisou procurar muito para encontrar a mulher de cabelos vermelhos assim como os seus, Aileen era uma cópia da mãe. A garota correu e se jogou no braço da mulher procurando um abraço:

— Mãe! Como senti sua falta. Eu precisava tanto de você. — Disse com a voz embargada pelo choro.

— Calma All. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem. — Ela fez uma pausa e afagou os cabelos da menina. — É por causa dele? Você tem que aceitar All, que ele se foi...

— Ele voltou mãe. Ele voltou. — Disse a garota entre os soluços.

A mulher abraçou a garota de forma acolhedora e beijou seus cabelos, permaneceram assim por alguns momentos e Aileen finalmente sentiu-se reconfortada nos braços de alguém. As duas então deixaram o porto, tudo que a garota desejava agora era chegar em casa. Permaneceu boa parte do caminho em silêncio e sua mão direita apertava o punho esquerdo, notou que sua mãe a observava, mas manteve seu olhar baixo. A todo instante pensava no encontro que teve com Calvin na praia, no semblante dele, parecia não conhecê-lo, toda vez que pensava nisso sentia um aperto na sua alma, algo dentro de si dizia que havia algo de muito errado com ele. Balançou a cabeça tentado espantar aqueles pensamentos, havia feito uma escolha e agora não voltaria atrás.

Assim que chegou a casa notou que a mesma estava vazia, seus avós pareciam não estar lá, sua mãe havia ficado no carro pegando algumas coisas que haviam comprado no mercado enquanto a ruiva foi entrando. Jogou a mochila no sofá da sala e foi entrando pela casa até a cozinha, mas quando entrou no corredor, deparou-se com um belo rapaz, de cabelos curtos e barba por fazer, um corpo de músculos torneados e formas perfeitas. A ruiva tomou um susto e encarou o garoto que também ficou a olhando curioso, até que abriu um largo sorriso:

— Aileen! Solzinho, você voltou! — Disse eufórico o garoto já abraçando e a levantando do chão.

— Sean! O que faz aqui? — Disse a garota alegre.

Jamais poderia reconhecer aquele rapaz, a última vez que o viu, ele era magrelo, com voz fina e um jeito muito atrapalhado. Tantas lembranças de sua infância vieram a sua mente naquele momento e sentia-se tão em paz nos braços dele. Sentia-se realmente me casa e depois de tanto sofrimento aquilo lhe fazia bem, mas ainda não havia entendido o porquê de Sean estar ali. A muito tempo ele havia ido embora, tinha ido estudar em Berlim, desde então não tinha notícias deles e nem que rumo havia tomado, mas revelo trouxe os bons tempos de criança de volta. O garoto mesmo tendo soltado o abraço continuou de mãos dadas com ela e seus olhares se cruzaram de forma intensa, era como se a ruiva pudesse ver a alma do garoto, sentiu um calor subir por seu corpo e logo suas vistas ficaram escuras, apenas sentiu os braços do garoto ampara-la.


Thanks Thay Vengeance @ Cupcake Graphics
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Re: [BMO] - Aileen Ní Chonaill publicado em em Dom Jan 04, 2015 7:11 pm

Uma coerência perfeita. Realmente, gostei de sua narrativa e ações que dera a sua personagem, além dos fortes pensamentos e traços emocionais. Vi alguns erros básicos de Português, em que troca algumas letras de suas devidas posições, como ''Em'', fica ''Me'', ou pula algumas letras de início de frase como ''O ...''.

Fora isso, está perfeita a forma de sua escrita, principalmente, oque mais me chamou atenção, o jeito como você envolve os personagens.

+120 Experiência

Obs- Tudo que envolve a BMO, ao ser finalizada e possuir um bom enredo, o autor pode criar um poder de sua laia (Podes criar agora, e utilizar SOMENTE em sua BMO)
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Re: [BMO] - Aileen Ní Chonaill publicado em em Seg Out 01, 2018 1:18 pm

Aileen Daughter of Hefesto
Quando seus olhos se abriram mais uma vez, ela conhecia exatamente aquele lugar, o que fez Aileen respirar ofegante e seus pelos se eriçarem. Seu olhar esmeralda percorreu as paredes reconhecendo os quadros, estátuas e corredores. “— Não pode ser! —” Pensou afoita em um primeiro instante. Teria Hipnos a levado novamente para aquele estranho reino? Precisava se acalmar, precisava controlar suas emoções, havia um motivo para que ela estivesse ali mais uma vez. Começou a vagar pelo lugar, mas dessa vez não tinha um destino ou o que procurar, ela não tinha uma verdadeira noção do quanto aquilo era real. Mas diferente da outra vez, todas as estátuas permaneciam adormecidas, imóveis, as pinturas eram cinzas e mortas. Havia algo de diferente no ar, ela podia sentir, não era Hipnos, havia alguma outra coisa naquele lugar. Aileen caminhou pelos largos corredores ouvindo apenas seus passos ecoarem, nenhum sinal de um Deus ou qualquer outra coisa. Estaria mergulhada em um pesadelo? Não era algo incomum desde que Calvin havia aparecido em sua vida, mas aquela situação a deixava cada vez mais inquieta.

Teve a sensação que o lugar havia crescido, ou apenas havia passado por corredores que ainda não conhecia, chegou então em uma enorme sala de paredes cinzas e piso quadriculado em preto e branco. Aileen olhou para todos os lados, levou a mão até sua cintura e notou que estava desarmada, o que fez um pequeno calafrio percorrer sua espinha. Hesitante ela deu o primeiro passo, o lugar tinha uma atmosfera densa. No centro da ampla sala havia apenas uma roca, muito antiga, algo que ela havia visto poucas vezes em sua vida. A ruiva arqueou a sobrancelha direita agudamente, se aproximou com cautela e aparentemente não havia nada demais naquele objeto, não parecia ser uma peça de museu. Uma abrupta ventania invadiu o lugar e logo em seguida um estrondo foi ouvido. Quando a semideusa se virou, uma porta havia fechado a sala. “— Desde quando havia uma porta ali? Não tinha uma porta! Eu tenho certeza. —” Questionou-se enquanto observava plataforma maciça de madeira que agora vedava completamente a porta.

— Confusa querida? Penso que sim... Mas peço que se recupere. Teremos uma longa conversa, Filha de Hefesto. — Uma voz doce e ao mesmo tempo amedrontadora ecoou pela sala. A ruiva sentiu muito medo, mas precisava encarar quem estava ali com ela. A mulher era mais alta que ela uma cabeça, esguia e com a pele pálida, seu rosto estava coberto por um véu negro, mas as unhas eram enormes. Por instinto Aileen recuou um passo, mas a mulher continuou a avançar em sua direção. Havia algo de mórbido nela, algo que a semideusa não saberia exatamente dizer o que significava. A longa unha tocou seu queixo o erguendo, mas ela não conseguia ver os olhos dela, aquele véu impedia. Sentia seu coração bater acelerado, quase saindo pela boca, mas mesmo assim, tentava transparecer calma, precisava se manter no controle daquela situação: — Bela... Jamais pensei que fosse ver uma filha de Hefesto tão bela. Não foi à toa que aquele rapaz se apaixonou por você. Na verdade, há um algo a mais em você, mas que você não deve saber e talvez não tenha tempo para descobrir. Como pode ver, seu fio da vida está sendo fiado mais rápido do que esperávamos. Mas a culpa disso, é toda sua Aileen. — A mulher falava de forma pausada e despretensiosa.

Aileen estava visivelmente assustada, como aquela mulher poderia saber tanto dela? O que estava acontecendo ali? Quando ela olhou na direção da roca, a roda girava muito mais rápido que o normal e de imediato veio a dor latente em sua mão. Encheu-se de coragem e então encarou o véu negro: — Quem é você? Como sabe tanto sobre mim? — Inquiriu esperando por respostas. Uma risada sarcástica tomou conta da sala, mais uma vez a ruiva se viu com medo daquela situação, mas precisava seguir em frente e não podia hesitar. Naquele instante ela percebeu que os cabelos dela eram prateados e caíam como cascatas sobre o ombro. Houve um silêncio e então ela se afastou, encarando os olhos verdes da prole de Hefesto: — Sou aquela que você ousou desafiar, pequena semideusa. — Ela levou a mão ao véu o erguendo e revelando seu olhar negro e vazio: — Sou Átropos, a mais velha das três Moiras. Aquela que corta o fio da vida. Acho que isso deve você fazer recordar de um episódio a pouco tempo atrás.  — A explicação havia ido bem além do que a primordial pretendia. Mas a ruiva entendeu perfeitamente as palavras dela e a qual episódio ela se referia, o que fez seu peito encher um pouco mais de coragem.

Preferiu permanecer em silêncio, ainda não sabia o que a Moira queria com ela, mas tinha em mente que ela deveria estar bem irritada. A ruiva meneou a cabeça e observou a roca um pouco, depois voltou a encarar a platinada: — Eu fiz o que precisava ser feito. E faria novamente. Calvin é o amor da minha vida. — Disse a jovem tomada por uma coragem que ela mesma desconhecia ter. Aileen pôde ver o sorriso nos lábios finos e pálidos da criatura a sua frente: — Eu fico espantada como o sentimento que Afrodite cria em vocês pode ser forte. Mas nunca imaginei, que ele fosse capaz de me atrapalhar, de mudar o fio do destino. Eu nunca vi algo como aquilo. Mas sabe jovem Aileen, tudo tem um preço. E você terá que pagar. Essa marca em sua mão é a minha marca, as veias negras... Sou eu tomando sua vida, lentamente. E não há nada que você ou seu amado possam fazer. Na verdade, há uma maneira, mas duvido que vocês sejam capazes de descobrir. E caso descubram... Será que vão estar dispostos a pagar o preço? Sinceramente minha querida, quero ver sua luta contra o tempo. Mas eu já sei como isso vai terminar. Não pretendo ter mais nenhuma surpresa.  — Disse ela com sua voz tomada de soberba.

Imediatamente Aileen observou sua mão e a dor crescia a cada instante, as veias negras já haviam chegados nos pulsos: — Elas vão subir pelo seu braço, até chegar em seu coração. Você vai ficar cada vez mais fraca e debilitada. No momento certo, vou cortar o seu fio da vida. E terei muito prazer em fazer isso, semideusa. — Foram as últimas palavras dela que caminhou para próximo da roca. Atônita, a filha de Hefesto não sabia o que fazer ou dizer, na verdade ela não tinha mais nenhuma reação, apenas a dor que se tornava cada vez mais forte, até o ponto de se tornar insuportável. A ruiva dobrou os joelhos e sua mão esquerda de imediato segurou o pulso direito, sentia a superfície gelada, mas a dor roubava-lhe os sentidos e a razão, aos poucos, sua visão já turva não conseguia ver a Moira com clareza, mas tinha a nítida sensação de que ela ria de seu sofrimento. Vencida por sua dor, Aileen desabou no chão, tomada pela dor e desespero, uma sensação de pavor que ela jamais pensou existir em toda sua vida. Quando a dor chegou além do que ela podia aguentar, a semideusa perdeu os sentidos, desmaiando de dor.


*********

Aileen acordou sobressaltada, sem saber o quanto de tudo aquilo que havia vivido era verdade ou mentira. Seu peito estava ofegante e podia sentir as gotas de suor escorrerem por seu rosto, seu olhar buscou algo de familiar, algo que buscasse acalma-la, mas na verdade o acalento que buscava veio de uma voz conhecida: — Solzinho! Sarah venha logo. Ela acordou. — O timbre grave, mas familiar, acabou por tirar a semideusa do torpor em que se encontrava. Levou alguns instantes até entender que não estava no Chalé de Hefesto, mas sim em seu quarto na casa de seus avós. Sentia seu corpo dormente ainda, sentia a mão direita arder como se estivesse segurando em brasas e isso era algo muito difícil para alguém que lidava com o fogo e as altas temperaturas. A ruiva balançou levemente a cabeça, buscando colocar suas ideias em ordem, mas parecia muito surreal para ela conseguir isso naquele momento. Novamente a voz do garoto roubou-lhe os sentidos: — Você está bem? O que aconteceu? Você simplesmente desmaiou nos meus braços. — Perguntou afoito Sean. Ela então encarou seu semblante, assustado e preocupado, a mão dele então repousou sobre a da ruiva, enquanto ele esperava uma resposta sobre o que tinha acontecido.

Mas como ela poderia contar a ele? Como poderia dizer que o que recaia sobre ela era uma maldição lançada pelos Deuses? E principalmente, que a razão da maldição era um sentimento que ela jurou a si mesma jamais nutrir por alguém?  Ela respirou fundo, lentamente e fechou os olhos buscando dentro de si algo para explicar o ocorrido: — Não deve ter sido nada, Sean. Passei muito tempo sem me alimentar direito durante a viagem. Meu corpo deve estar reclamando. — Era uma desculpa idiota, mas a única que conseguiu pensar naquele instante. Ele franziu o cenho e revirou os olhos: — Eu devo mesmo acreditar em uma desculpa tão boba, All? Você estava se debatendo durante o sono, como se algo muito ruim a incomodasse! O que está acontecendo? — Perguntou ele mais uma vez. Aileen não sabia como agir ou o que responder. Na verdade, não conseguiu sustentar mais o olhar dele e abaixou a cabeça. Queria que o chão abrisse sob seus pés e a engolisse, para não ter que encarar o semblante incrédulo do amigo.

O ranger da porta chamou a atenção de ambos e logo a mulher ruiva entrou no quarto, com uma xícara fumegante: — Sean, poderia ajudar minha mãe lá embaixo, por favor? — Disse a mulher com a voz serena de sempre. O rapaz apenas fez um sinal de positivo com a cabeça, afinal havia entendido que aquela era uma conversa apenas entre as duas. Quando a porta bateu novamente, Aileen sentou-se na cama e abraçou seus joelhos, mas tomou o cuidado de esconder a mão direita. Estava apavorada, a verdade era essa, tudo que desejava era um abraço de sua mãe para lhe acalmar e como se ela pudesse ler sua mente assim ela o fez. Era um acalento a sensação de estar nos braços maternos, a vontade de chorar veio forte naquele momento, mas mesmo assim ela conteve. Quando Sarah finalmente a soltou, levou a mão ao queixo da filha a encarando e suspirou longamente: — Tem algo acontecendo. Eu sei que tem. Não adianta mentir para mim. Eu conheço você minha filha. E não são alguns meses de separação que me fizeram perder a conexão que temos. Então por favor Aileen! Me conte o que está acontecendo. — Ordenou a mais velha encarando a filha.

Aileen se levantou em um repente, começando a andar de um lado para o outro, eram tantas sensações que a semideusa não sabia lidar com nenhuma delas. Ela então parou diante da mãe e ergueu a manga da blusa, expondo a mão quase toda negra já: — Sangue de Brigith tem poder! Aileen,o que é isso na sua mão? — Perguntou a mulher assustada.  Naquele instante a filha de Hefesto não conteve suas lágrimas: — É uma maldição mãe. E ela vai me matar aos poucos. — Falou tudo de uma vez, sem muito pensar. Ela já estava cansada de carregar aquele fardo sozinha, principalmente depois do estranho sonho. Pela primeira vez se perguntou se aquilo não havia sido uma armadilha de Hipnos para tira-la do caminho de Calvin. Naquele instante não queria divagar sobre isso, queria apenas o colo de sua mãe, queria se sentir segura e protegida. A mulher puxou a filha com cuidado, até que a mesma sentasse em seu colo. Sarah abraçou sua cria com força, como se nunca mais fosse solta-la: — Estou com tanto medo, mãe. Muito medo. — Disse com a voz já embargada, escondendo o rosto entre os fios de cabelo da mãe.

Por instantes a jovem ruiva apenas chorou, haviam tantas coisas em seu coração e mente que ela não conseguia ordenar seu pensamento. A volta de Calvin, a maldição, o medo. Ela não sabia lidar com nenhuma dessas coisas. Sarah deslizou a ponta dos dedos pelo rosto da garota e ergueu seu rosto: — Vai ficar tudo bem, minha filha. — Disse ela encarando os olhos esmeraldas da filha: — Mas eu preciso que você me conte tudo o que aconteceu Aileen. Eu preciso entender o que está acontecendo para que eu possa fazer algo. — Disse a mulher com preocupação. A semideusa suspirou. Como poderia sua mãe ajuda-la? Ela não passava de uma simples humana, não entendia nada daquele mundo de monstros e deuses. Mas mesmo assim... Ela devia uma explicação a sua mãe: — Tudo começou em um sonho. Na verdade, eu estava no mundo onírico. Hipnos, tinha uma missão que somente eu poderia realizar. Salvar Calvin da morte. — No instante que falou no nome do semideus os olhos de sua mãe reviraram. Sarah havia dito para ela através de cartas, mais de uma vez para que esquecesse o rapaz, ela até gostaria de fazê-lo, mas era impossível. Calvin era uma parte de seu coração.

Aileen continuou a história, contando sobre o estranho museu, das batalhas que precisou enfrentar até chegar a Calvin, de como ele estava sendo torturado e de todo o sacrifício que precisou fazer para libertar ele daquela maldita cadeira. Contou como foi a sensação de vê-lo morrer em seus braços, mas depois voltar a vida. Ela não poupou nenhum detalhe de tudo o que havia ocorrido, de como a marca já havia se alastrado, da ausência do semideus e seu misterioso retorno pouco antes de sua partida. A filha de Hefesto também contou sobre o estranho sonho com Átropos, tudo que a Moira havia revelado no sonho que teve ali mesmo. O semblante da mais velha era de incredulidade diante da situação, havia um misto de raiva e decepção: — E onde está seu pai? Ele não fez nada? Ele é um Deus também! Ele é seu pai acima de qualquer coisa. — A semideusa se levantou e riu com uma ponta de ironia olhando a mãe: — Meu pai não se importa comigo e nem com meus irmãos. Acha mesmo que ele faria algo? Nem deve imaginar o que está acontecendo. — Disse ela em tom de revolta.

Sarah levantou-se e segurou a filha pelos ombros, não com a intensão de machuca-la, mas de mantê-la diante de si. Havia algo de diferente em seus olhos, algo que Aileen nuca havia percebido em toda a sua vida, era como se fosse uma outra mulher no lugar de sua mãe: — Me escute! Nós vamos dar um jeito nisso. — Havia muita determinação em sua voz, mas mesmo assim a semideusa sabia que não havia nada que pudessem fazer ali para mudar isso: — Minha única chance é voltar para o Acampamento e tentar descobrir a forma existente de quebrar a maldição. Átropos disse que havia uma forma. — Por mais que soubesse que existia uma forma, a falta de esperança em sua voz era palpável. Foi nesse instante que a mãe de Aileen a puxou para mais perto e sussurrou em seus ouvidos: — Você não é a única semideusa aqui. Há muito sobre você que ainda precisa aprender. Sua avó de verdade, é uma Deusa assim como seu pai. Muito parecida com ele. — A surpresa estava estampada na face da filha de Hefesto. Jamais poderia imaginar, havia uma mentira muito maior que ela nunca havia suspeitado: — Como assim, mãe? O que você está falando? E a vovó Lucy? — Perguntou confusa. Precisava compreender o que estava acontecendo. Não acreditava que mais uma vez estava sendo enganada por sua família. Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, sua mãe segurou forte sua mão esquerda: — Hoje à noite você vai entender tudo o que fizemos. As razões pela qual escondemos tanto de você. Mas acredite. Hoje à noite você vai descobrir e principalmente. Vamos fazer algo sobre essa maldição. Agora descanse solzinho. Você precisa. — A mulher disse e deu um terno beijo na testa da filha.

Mesmo querendo saber mais sobre sua verdadeira história, ela não insistiu, não começaria uma briga naquele momento. Mas sentiu como se não soubesse nada sobre si, que tudo que havia vivido era uma grande mentira. Observou sua mãe deixar o quarto com passos vagarosos, como se em seus ombros estivessem um grande fardo. Sua cabeça então começou a trazer histórias de quando ainda era uma criança, sobre as Deusas e Deuses daquela região, sobre a arte da antiga bruxaria, algo comum em sua família, que passava de geração em geração. Um languido suspiro escapou de seus lábios à medida que as lembranças se tornavam palpáveis. Tudo que desejava saber era, quem ela era realmente, sem mentiras, mas algo dizia em seu coração, que tudo aquilo estava apenas começando e era muito maior do que Aileen poderia esperar.

Observações:

Ao final da Missão - Uma noite no Museu ( link aqui ) Aileen desafiou os domínio das Moiras e por elas foi amaldiçoadas, ao impedir que Calvin Sprouse morresse. A maldição é a listada abaixo.


The Moiras Ending – Uma marca em forma de olho surge nas costas da mão e dela ramificam-se várias e várias veias negras que vão se expandindo e causando fortes dores no portador. A medida que o tempo passa as veias vão crescendo cada vez mais subindo pelos pulsos e braços até atingir o coração. Quanto mais as veias negras se espalham, mas fraco o semideus se torna, tendo dificuldade para realizar tarefas básicas. Quando as veias atingem o coração, não há mais nada a se fazer e o portador morre. A maldição é aplicada para aqueles que tentam burlar a morte de forma egoísta e mesquinha, porém pode ser quebrada somente com a morte, mas se a vontade de viver do castigado for verdadeira e sincera, pautada por sentimentos nobres, há uma chance que o fio da vida não seja cortado.
+ Lugar: Dublin, Irlanda
☾ FG RAVEN ☽
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Re: [BMO] - Aileen Ní Chonaill publicado em em Seg Out 01, 2018 9:45 pm

Heroes of Olympus


Olá, Aileen. Nos vemos novamente, olha que mundo pequeno -q

Queria dizer que continuo gostando bastante da sua escrita, é muito prazerosa de ler e consegue prender do início ao fim. Sua BMO tem uma pegada muito interessante, cheia de mistérios ocultos do passado e claramente que, como leitor, estou ansioso para ver o que vem por aí. Eu atentaria um pouco a repetição de palavras, em alguns momentos você fez isso e eu acabei me desconcentrando um pouco para contar elas (desculpe, me distraio com facilidade) q

Mas vamos lá: +3 níveis +200 dracmas

Ortografia - 4/5
Criatividade - 5/5
Coerência - 4/5
Ações realizadas - 3/5 (não houve muita movimentação da All já que era um sonho e ela estava bem assustada, então.. q)

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Re: [BMO] - Aileen Ní Chonaill publicado em

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