Heroes of Olympus RPG

A CASA DOS HORRORES

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A CASA DOS HORRORES publicado em em Sex Out 26, 2018 10:55 am

Heroes of Olympus



O dia das bruxas enfim havia chegado no acampamento meio sangue. Quíron havia avisado a todos que neste dia haveria algo de especial e diferente, algo que faria com que todos pudessem provar a verdadeira coragem que morava dentro de seus corações. Todos tiveram o direito de se inscrever naquela provação misteriosa mas poucos seriam os escolhidos. E então, quando o dia 31 chegou, o centauro reuniu todos ao redor da fogueira, tal como faziam todas as noites, porém, o clima era demasiadamente tenso. Todos estavam com medo e com anseio, temiam o que poderia vir pela frente. Quando se é um semideus, deve-se temer a própria sombra pois ela pode claramente se voltar contra você.

O centauro pegou um pergaminho que estava preso em uma bolsa nas costas. O desenrolou e passou os olhos rapidamente pelos nomes que estavam inscritos naquele papel. Olhou novamente para os semideuses que estavam frente a frente com ele, todos em expectativa ali ao redor da fogueira. Suspirou profundamente e logo sorriu.

— Os escolhidos para o evento foram: Sarah Gray, do chalé de Íris; Aileen Ni Chonaill, do chalé de Hefesto; Tay Hooks Baudry, do chalé de Hécate; Selesnya O’Brien, também do chalé de Hécate; Reyna Ávilla, do chalé de Eros; Cecília Salvatore, do chalé de Thanatos e Rachid Schmul, do chalé de Poseidon. — Ele olhou ao redor reconhecendo os semideuses e logo assentiu. — Aos que foram chamados, por favor, me sigam.

Os sete semideuses seguiram o centauro que caminhava em direção a floresta, deixando para traz um acampamento de campistas curiosos para saber o que aconteceria.

[...]

Depois de aproximadamente 15 minutos de caminhada, os semideuses, acompanhados de seu instrutor, chegaram até uma cabana de dois andares. Feita de madeira muito antiga e lustrosa, muito diferente do esteriótipo de casa abandonada caindo aos pedaços. Esta, muito pelo contrário, parecia muito chique e de material caro. O suposto dono deveria possuir muito dinheiro tanto para construí-la quanto para mantê-la, principalmente em uma localização tão esquisita.

O instrutor virou-se para os semideuses e sorriu de forma amorosa, como sempre fazia. Juntou as mãos na frente do corpo e observou cada um dos sete campistas com atenção demorada, suspirou e logo começou a explicar.

— Ao entrarem na casa vão se deparar com sete quartos, cada um, será destinado a um de vocês, como já devem ter previsto. Ao abrirem a porta da casa, ela os permitirá entrar, porém, não os permitirá sair. Devem seguir, cada um, para seu próprio quarto, que só abrirão ao seu toque. As portas dos quartos funcionam da mesma forma que as portas da casa: podem entrar mas não podem sair. No andar de baixo estão os quartos 01, 02 e 03 e no andar de cima os outros quatro. Suas armas estão organizadas no corredor principal do andar de baixo, devem pegá-las antes de entrar em seus devidos quartos. — O centauro fez uma pausa e aguardou as perguntas, mas não houve nenhuma. — Para saírem dos quartos, devem encontrar a chave que abrirá a porta, como eu disse, elas se trancam depois que entrarem. Quando cumprirem a atividade dentro do quarto e encontrarem a chave, poderão voltar para o corredor, e, ao voltarem, deverão unir todas as chaves para que possam obter a oitava, que será a chave da casa. — Até então todos pareciam achar a atividade bem fácil, até que o centauro riu e continuou. — Os quartos poderão ler seus medos e os transformarão em seus piores desafios. E, ah, antes que eu esqueça, vocês só tem 15 minutos ou a casa se autodestruirá e vocês, bom, vamos ter de fazer mortalhas. — Sorriu por último e levou a mão a um relógio. — O tempo começa a contar a partir de…. Agora!

REGRAS E INFORMAÇÕES:


— QUARTO 01 (SARAH): Ao adentrar no quarto vai ver que está completamente escuro, e, ao acender a luz vai perceber que está cheio de aranhas, baratas e minhocas. Elas começarão a avançar em cima de você, possuindo o seu corpo e tentarão entrar por seu nariz, boca, olhos e ouvidos. Deve vencer os insetos ou fisicamente ou mentalmente, superando o seu medo. Quando conseguir, verá que a chave vai aparecer no fim da sala, abaixo de um quadro seu com alguém que goste.

— QUARTO 02 (AILEEN): Ao adentrar no quarto vai se deparar com uma escrivaninha negra de mogno, sentado nela estará Calvin. Ele estará lendo algo, sua expressão é séria e de raiva. Ele se levanta e olha para ela, aparentemente bravo e irritado. Começará a discutir e humilhá-la, fazendo-a sentir-se um lixo. Terá de lutar contra isso e mostrar que é mais forte que o medo de perder alguém. Quando conseguir, a chave aparecerá em cima da escrivaninha.

— QUARTO 03 (TAY): Quando entrar no quarto vai se vê em meio a um palco. Uma das luzes estará apontada para si. Na platéia, várias pessoas a observarão, com um olhar de julgamento e braços cruzados. Todos sendo os amigos que conquistou ao longo dos anos. Você deverá apresentar-se para eles, e, quando fizer, todos começarão a levantar e irão embora. Porém, deve-se manter firme e terminar a apresentação, provando para si mesma que não precisa da aprovação de ninguém para ser feliz.

— SEGUNDO ANDAR

— QUARTO 04 (SELESNYA): Quando adentrar no quarto verá Edward amarrado em uma maca. Seus braços estão esticados, um de cada lado. Em cima de si um pêndulo afiado vai de um lado para outro, mirando em seu tórax. A cada movimento que faz, se aproxima mais do corpo do semideus, podendo cortá-lo ao meio. Para soltá-lo deverá abrir as 5 trancas. Cada uma com uma chave escondida em meio ao quarto. Deverá procurar a chave e soltá-lo, quando o fizer, o garoto desaparecerá e a chave para a saída aparecerá em seu lugar.

— QUARTO 05 (REYNA): Ao abrir a porta vai encontrar o seu chalé, neles estão Evan, seu irmão, e algumas de suas amigas. O semideus se levantará e empurrará você, humilhando-a na frente de suas amigas. Ele começará a dar em cima delas e beijá-las, roubando-as de você e lhe deixando sozinha, sem amigos e sem seu irmão. Você deverá lidar com isso, ser forte e mostrar para si mesma que não deve ter medo do abandono pois pessoas são instáveis, vão e vem o tempo inteiro.

— QUARTO 06 (CECÍLIA): Ao entrar no quarto você voltará ao hospício, precisamente para o momento em que o enfermeiro estará abusando de você. Você não vai estar na cena apenas irá observá-la. Deverá lutar contra os impulsos que lhe levam aquela cena e te cegam, deve lutar contra as vozes que gritam dentro de sua cabeça. E, quando fizer, a Cecília do passado acordará, levando a cena embora junto com ela. A chave aparecerá no lugar em que a cena estava acontecendo.

— QUARTO 07 (RACHID): Quando entrar no quarto vai estar na arena. A sua frente uma prole de Zeus: Theon. Tudo o que se espera de um filho de um dos três grandes: Forte, valente, corajoso, um líder nato. Ele olhará para você em deboche, estará cercado por todo o acampamento, todos os campistas estarão rindo de você. Estará sozinho e sentir-se humilhado. Deve lutar contra isso, deverá sentir segurança de si mesmo e ver do que é capaz. Ao fazer isso Theon o reconhecerá como um igual e o entregará a chave.


— REGRAS:

Todos deverão escolher apenas uma arma, mas será opcional já que serão desafios da mente.
Podem usar seus poderes se quiserem mas é algo opcional já que são desafios da mente;
Terão até domingo dia 04/11 para postar;
Os semideuses Sarah, Aileen, Cecília e Rachid serão avaliados por Hipnos.
Os semideuses Tay, Reyna e Selesnya serão avaliados por Hécate.
A premiação poderá variar de 0 à 7000xp + uma benção ou item mágico.
Armas e poderes em spoiler ou será descontado da recompensa final.
Não serão aceitas mais inscrições no evento, apenas os sete semideuses participarão.
Dúvidas: mp/chatbox/wpp


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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em em Seg Out 29, 2018 10:27 pm

Halloween


"Eu sou cada pesadelo que você já teve. Eu sou o seu pior sonho se tornando realidade. Eu sou tudo o que você sempre teve medo." -It, A Coisa


— Sarah Gray, do chalé de Íris.

Escutar Quíron chamar seu nome, dentre todos os campistas que se inscreveram, fez o coração da menina palpitar. Ela estava sentada mais ao fundo da arquibancada, no meio de seus meios-irmãos, e não esperava ser chamada, muito menos como o primeiro nome da lista do centauro.

Na hora todos viraram a cabeça para ela, vários olhares a encaravam, nenhum incentivo, nenhuma comemoração, porque sabiam que aquela tarefa não seria divertida e, muito possivelmente, traria sérias sequelas aos escolhidos, isso se conseguissem voltar. O silêncio que pairava só era cortado pelo som do vento e dos murmúrios dos membros dos outros Chalés.

A tatuada procurou por qualquer incentivo em sua caminha serena até Quíron, mas todos os filhos e filhas de Íris pareciam estar tão assustados e perdidos quanto ela. A pequena Gray não sabia nem para onde olhar, tanto que ficou de cabeça baixa diante do Diretor do Acampamento Meio-Sangue.

"Eu, não... O que eu fiz? Minha inscrição era... Para ser só mais uma... Eu não esperava ser chamada... E agora?"

Outros campistas iam se juntam ao seu lado conforme Quíron chamava, porém a semideusa parecia atordoada demais para perceber quem eles eram.

— ...do Chalé de Eros. — A voz rouca do Diretor decretou e Sarah sentiu um forte frio na barriga, perdendo seu chão.

No momento que despertou de seu transe pessoal, a filha de Íris olhou na direção dos campistas pertencentes ao chalé do Deus do Amor procurando aquele que tinha sido chamado. Por um momento sentiu alívio ao ver uma menina de cabelos longos e castanhos vindo para junto deles.

Seu temor se esvaiu quando, ainda buscando por entre os campistas, seu olhar se conectou com aqueles olhos escuros e misteriosos que apenas Evan Finley possuía. O semideus a encarava sorridente, confiante, lhe transmitindo uma sensação de que tudo iria ficar bem e, ao perceber que Sarah o tinha encontrado, ele lança uma piscadela para ela.

Aquele olhar doce e sincero arrancou um sorriso da garota que, toda boba, assentiu com a cabeça. Vai ficar tudo bem, ele disse sem emitir qualquer som. Eu te amo, a garota respondeu da mesma forma.

• • •

Estavam diante da casa, enfileirados, enquanto Quíron explicava o que eles deveriam fazer e como proceder com o desafio. A tarefa era bem simples até: Entrar, juntar todas as chaves e sair. Mas, na cabeça de Sarah, alguma coisa lhe dizia que não seria tão simples assim, nada era simples quando se envolviam Deuses Gregos.

— E, ah, — O Centauro continuou. — Antes que eu esqueça, vocês só tem 15 minutos ou a casa se autodestruirá e vocês, bom, vamos ter de fazer mortalhas. — Sorriu por último e levou a mão a um relógio.

"Ah... Que ótimo..."

— O tempo começa a contar a partir de…. Agora!

Inconscientemente e por puro reflexo, o lado semideus de Sarah falou mais alto e fez com que ela saísse correndo na direção da casa. Ela só percebeu o que estava fazendo quando encontrou sua Croma-Sparti apoiada ao lado da porta principal do hall de entrada. Por dentro o imóvel parecia tão bem arrumado, bonito e organizado quanto por fora, quem construiu aquele lugar certamente pensou nos mínimos detalhes. A filha de Íris, agora em posse de sua fiel companheira, seguiu até o quarto ao qual tinha sido designada.

Contrastando com a parede e todo o resto da casa, a porta de madeira escura, que tinha um número 1 de ferro pregado em seu topo, parecia tão velha e acabada que Sarah temia que a mesma fosse se despedaçar ao simples toque dela. A maçaneta de cobre polido estava fria, as dobradiças rangeram ao abrir e, surpreendentemente, a porta não desabou quando fechou com força e sozinha atrás da filha de Íris.

Escuridão, foi tudo o que a tatuada conseguiu enxergar e, por um segundo, ficou tonta, mas se manteve de pé. A pior sensação para um filho de Íris era entrar em um ambiente completamente sem luz, sem cor e sem vida. Sua respiração estava ofegante e isso fez com que ela sentisse o cheiro ruim que aquele cômodo tinha, parecia estar fechado há décadas e não possuir qualquer tipo de tratamento de limpeza, ela conseguia sentir até a poeira caindo em seus ombros.

"Okay... Calma Sarah, está tudo bem... A porta está atrás de mim e, segundo Quíron, isso é um quarto. Pois quartos tem lâmpadas, eu devo conseguir encontrar o interruptor na parede ao lado da porta."

A filha de Íris então recuou até sentir a porta tocar em suas costas, se virou para a mesma e começou a apalpar a parede de um lado e depois do outro, sem se afastar da saída. O papel-de-parede estava tão velho e ressecado que, ao simples toque da semideusa, alguns pedaços caíram no chão produzindo um som seco.

"Droga... Nada de interruptor..."

Naquele momento o TDAH da garota fez ela pensar no desafio, Quíron não tinha falado alguma coisa sobre a casa ler seus maiores medos? Mas Sarah não tinha medo do Escuro, será que tinha entrado no quarto errado?

— Estranho... — Disse baixinho.

Mas um farfalhar baixo, ao que parecia ser do outro lado do cômodo, fez a pequena Gray se virar com sua espada levantada. Ela apontava a arma na direção de onde o som tinha vindo, seu coração estava disparado e a semideusa apertava bem o cabo de sua Croma-Sparti com uma das mãos. A garota ainda não conseguia enxergar nada e, por um momento, segurou até a respiração para escutar melhor, mas, o que quer que tinha produzido aquele barulho, também ficou em silêncio. Engoliu em seco.

"Okay... Preocupante, pareço não estar sozinha, isso é ruim... Mas meu adversário parece também não me enxergar, isso pode ser bom... Ou não... Merda!!"

A garota começou a imaginar vário bichos e monstros que eram cegos ou não tinham olhos. Pensou em vermes gigantes que habitavam o subsolo, em talvez uma quimera que nascera deformada sem rosto e até nas Moiras, três irmãs tão velhas quanto aquele quarto que dividiam um só olho a fim de enxergar.

"Arg, não... Elas são barulhentas demais..."

Sarah tinha que se mover, o tempo estava passando e ela não poderia ficar parada ali, se era para enfrentar seu adversário no escuro, então ela mostraria como uma filha de Íris agia na total falta de luz.

Mantendo a porta em suas costas como referência, a tatuada experimentou dar um passo para frente e, por mais incrível que pareça, as tábuas velhas que revestiam o chão não fizeram barulho. A semideusa então tomou uma postura defensiva: Mantendo sua espada baixa, sem encostar no chão, ela fazia um movimento com o braço de um lado para o outro, como se varresse o espaço à sua frente, imitando o modo que os cegos usam suas bengalas dobráveis. O plano de Sarah era bem simples: Andar na direção de seu adversário e lhe desferir um ataque com todo seu poder assim que sua espada fizesse contato com ele.

Estava tensa, coração acelerado, caminhando devagar e apreensiva, quando uma cordinha bateu em sua testa. Por um milésimo de segundo ela não explodiu aquela coisa no puro reflexo, mas, por sorte, conseguiu entender, antes de fazer uma besteira, que aquela era a luz que, provavelmente, iluminaria o quarto. Apalpou o objeto apenas para se certificar de que a lâmpada estava no bocal e então, ainda segurando firme sua espada, puxou o plug pronta para enfrentar o que quer que estivesse no cômodo com ela.

Seus olhos doeram com a mudança repentina de claridade e, em um primeiro momento, parecia estar sozinha. O quarto era realmente velho, antigo, caindo aos pedaços e aquela luz amarelada não ajudava muita coisa. O papel-de-parede, que um dia tinha sido branco, estava completamente sujo e ressecado, não haviam janelas e nem mobília, exceto por um carpete muito encardido ao chão. O teto baixo possuía sérios problemas de infiltração, muito mofo se alastrava nos cantos do quarto e a única saída era a porta ao qual entrara.

Confusa, Sarah ia começar a se questionar sobre estar sozinha quando uma movimentação no chão chamou sua atenção: Uma barata. Era pequena, asquerosa, marrom-avermelhada, do tamanho de uma tampinha de garrafa e suas anteninhas varriam o ar sem parar.

Um calafrio percorreu toda a espinha da filha de Íris fazendo a garota ficar arrepiada, como ela tinha aversão àquele bicho.

— Rá... Muito engraçado. — Ela disse olhando em volta, se referindo ao que Quíron tinha dito sobre o lugar brincar com seus medos. Pena que tinha falado cedo demais.

O farfalhar novamente se fez ouvir pelo quarto, o papel-de-parede parecia estar se movendo sozinho, pequenas bolinhas se formavam por baixo no carpete e o teto começou a ficar escuro. Até que o desespero explodiu com a aparição de uma colônia de baratas, aranhas e vermes. Os aracnídeos corriam pelas paredes, os insetos rasgavam o carpete e alçavam voo e minhocas pareciam chover na cabeça da garota.

A primeira reação de Sarah foi entrar em pânico, seus olhos encheram d'água, seu coração disparou, seu estômago ficou embrulhado e todo o seu corpo estava arrepiado. A repulsa que a filha de Íris tinha daqueles bichos era tanta que ela percorreu o caminho de volta até a porta em um salto. A semideusa deu um encontrão com força na porta e, vendo que não tinha funcionado, começou a esmurra-la e gritar.

— SOCORROOO ME TIRA DAQUIII!!! ME TIRA DAQUIIII!!!

As lágrimas começaram a descer pelo seu rosto e, olhando por cima no ombro, ela os via se aproximando.

— NÃOOOO — Bateu com mais força na porta. — ME TIRA DAQUI POR FAVOOOOR!!

Os aracnídeos já estavam quase na porta, duas baratas passaram voando por sua cabeça e ela precisou se sacudir para tirar algumas minhocas que tinham caído em suas costas. O desespero tomou conta. Sarah sua espada para golpear a porta com violência e, surpreendentemente, mesmo velha e acabada, ela continuou de pé. Seu coração gelou quando pequenas patinhas foram sentidas subindo suas pernas.

— AAAAAAAHH

A filha de Íris deu um salto para trás sacudindo violentamente suas pernas e asas douradas apareceram em suas costas por puro reflexo, tinha a finalidade de evitar que ela tocasse o chão, mas a ideia foi péssima. O teto baixo não permitia que ela ficasse longe do solo e, devido à deslocação de ar, os bichos ali dentro ficaram mais alvoroçados.

Suas asas douradas desapareceram e a menina caiu no chão com força, por sorte aquele pedaço do carpete estava limpo, mas a sua volta os bichos se aproximavam com velocidade.

— SAAAAAAI!!

A garota efetuou um golpe de espada no chão varrendo algumas baratas, depois atirou uma esfera densa e multicolorida que explodiu no teto e se virou para atacar novamente com sua Croma-Sparti os bichos que se rastejavam atrás dela, mas seus golpes foram todos ineficientes. Dos rasgos no carpete surgiam mais e mais baratas cascudas, a explosão no teto jogou ainda mais minhocas para todos os lados e o papel-de-parede começou a descascar por completo revelando ninhos de aranhas nas madeiras apodrecidas.

Sarah suava golpeando em todas as direções desesperada, os bichos não pareciam sofrer um dano sequer e se multiplicavam mais e mais. Até que a pequena Gray viu seus braços repletos de pontinhos pretos, eles já tinham chegado nela.

— SAAAAI POR FAVOOOR!! AAAAAAHH

Ela largou sua espada no chão e começou a se debater desesperadamente, limpava seus braços exasperada e chorava cheia de angústia, mas os insetos não paravam de vir, sempre apareciam mais e não cansavam de tentar subir na filha de Íris.

Completamente sem esperanças, Sarah caiu de joelhos no chão, com as mãos tampando o rosto e se encolheu, chorando cada vez mais. Aquelas patinhas nojentas corriam por cima dela, se embolavam em seus cabelos, entravam em sua roupa e não paravam de fazer aquele som agoniante.

A garota urrava cada vez mais alto desejando que aquilo acabasse, seu corpo tremia involuntariamente e seus olhos já deveriam estar inchados de tanto chorar. Aos poucos, começou a se sentir incapaz, suja, fraca e sem valor. Desacreditando de si mesma, ela se viu derrotada por aqueles insetos nojentos e, consequentemente, morreria naquela podridão, nunca mais veria seus meios-irmãos, ou Hellen, a chefe de seu Chalé, ou Quíron, o Diretor-Centauro mais legal que ela já conhecera, ou Mark, seu pai, ou Evan, seu amado. Não aguentava mais.

— CHEGAAAAA!! — Gritou com suas últimas forças abrindo os braços.

E tudo parou. O quarto ficou silencioso, vazio, apenas com Sarah ajoelhada e, bem na sua frente, um quadro pendurado na parede. Não haviam mais baratas, aranhas ou minhocas, não havia mais o farfalhar e nem o cheiro forte, não havia mais papel de parede ressecado ou carpete encardido, todo o ambiente tinha ficado limpo, claro e sereno, livre de todo e qualquer desespero.

A pequena Gray respirava forte, soluçante e sem forças. Não entendeu absolutamente nada do que tinha acontecido.

"Um segundo atrás eu estava sendo atacada... E agora tudo ficou calmo e tranquilo?"

Ela levantou com dificuldade e, só quando ficou na altura do quadro, foi que ela pôde perceber a pintura à sua frente: Era uma imagem de Evan Finley com ela. Na arte, os dois semideuses estavam juntos, sorridentes, na praia, sentados em um tronco de madeira e próximos de uma fogueira. Em uma tira de papel, presa na parte inferior da moldura, podia-se ler:

NO DESESPERO OS CORAÇÕES SE PERDEM.
SÓ SE PODE ENCONTRAR O AMOR ATRAVÉS DA SERENIDADE.

Sarah sorriu ao ver o rosto do filho de Eros e sentiu uma paz invadir seu coração. A paixão que germinava em seu peito causava essas coisas estranhas em seu corpo. Com dificuldades, ela se aproximou.

"Ah Evan... Eu não posso te perder assim, não agora que eu encontrei você."

A garota tocou a pintura com carinho, sentindo a tinta seca. Ela não era nenhuma especialista, mas pôde perceber que o artista era um excelente profissional, um trabalho verdadeiramente bem feito. Logo abaixo do quadro, pendurado na parede, encontrava-se um curioso colar de barbante, simples e com uma pequena chave de cobre lhe servindo de pingente. Sarah riu e estendeu o braço para pegar.

Assim que seus dedos se fecharam no objeto, uma mão agarrou seu antebraço. A pintura tinha ganhado vida, agora apenas Evan se encontrava nela e, curiosamente, ele tinha metade do corpo para fora da arte, parecia estar saindo da moldura. O rosto do filho de Eros também tinha mudado, agora seus olhos eram dois buracos escuros, sua pele estava pálida e seu toque era frio. Sarah, assustada, tentou se afastar, mas a pegada dele era forte.

O rosto do Evan Macabro então começou a borbulhar e mudar de forma, ficando mais fino e delicado, ele também ganhou cabeços encaracolados e castanhos, em suas costas apareceram asas negras, rasgadas e podres e, ao sorrir, seus dentes afiados mais pareciam presas. A voz que saiu de sua boca era uma mistura de várias outras vozes, como se dezenas de pessoas falassem ao mesmo tempo.

— Olá criança. — O braço de Sarah já estava doendo. — Você não me conhece, mas eu te conheço muito bem. — A criatura cerrou os olhos e sorriu, aquele sorriso macabro. — Você poderia dar um recado ao Evan por mim?

Sarah ficou em silêncio, estava em estado de choque. A pintura riu.

— Vou entender isso como um sim.

Então ele puxou a filha de Íris para mais perto e falou com raiva, o ódio era tanto que o cômodo tremeu e Sarah sentiu mais dor em seu braço.

— Diga àquele verme que eu o estou esperando pacientemente. E MAIS!! NÃO QUERER, NÃO SIGNIFICA QUE NÃO VAI ACONTECER!! KYAHAHAHAHA

O Evan Transformado começou a rir descontroladamente, abrindo cada vez mais e mais sua boca. Era uma cena macabra de se assistir pois, depois de um determinado ponto, ele provavelmente quebraria a mandíbula. Sarah tentou mais uma vez se soltar, muito assustada, mas seus esforços eram completamente em vão. Até que o Monstro-da-Pintura começou a gritar na direção da menina, de dentro de sua boca começaram a sair baratas, vermes e aranhas, uma enxurrada de insetos asquerosos voaram no rosto da menina.

— AAAAHHH

Agora era Sarah quem gritava, mas os bichos começaram a entrar em sua boca, olhos e ouvidos, uma sensação horrível e nojenta. Até que ela desmaiou.

A semideusa estava deitada, de olhos fechados, flutuando em um abismo escuro, de braços abertos e com seus cabelos rosados esvoaçando no ar. Não havia vento, sons e nem movimentos, apenas Sarah e o vazio. Até que uma simples e delicada borboleta brilhante surgiu voando. O inseto emitia cada hora uma cor diferente, alternando suavemente e cheio de graciosidade. Ele se aproximou da garota e pousou em sua testa.

Acorde pequena Gray, uma voz feminina e angelical pôde ser ouvida por Sarah. Era algo totalmente diferente de tudo o que ela já tinha escutado antes, era como se ela estivesse recebendo um abraço quente e caloroso só a escutando. Você tem certeza que quer ficar deitada aqui para sempre? Vamos, levante-se.

— Eu não consigo. — Sara respondeu ainda de olhos fechados. — Estou sem forças.

E você já tentou?, a voz perguntou, ainda mantendo o tem doce. Se você quiser, eu posso te ajudar Sarah. Vamos, não tenha medo, eu estou aqui.

A borboleta voou e Sarah experimentou se levantar. Era difícil, seu corpo estava pesado e sua cabeça latejava. A garota travou ao tirar um joelho do chão, sem conseguir forças para ficar de pé.

— Não consigo...

Sim, você consegue criança, a voz em sua cabeça era tão bondosa que fez Sarah sorrir. Lembre-se! Você é Sarah Gray, filha de Íris. Você poderá sempre escolher se levantar.

O inseto de asas luminosas tocou a mão direita da menina e a levantou de uma só vez.

"Como?"

Sarah abriu os olhos para ver a borboleta que a tinha puxado, mas estava de volta ao quarto macabro e, além disso, se deparou com a porta de saída bem na sua frente. Curiosamente, ela já segurava a chave encaixada na fechadura.

A filha de Íris destrancou a porta, a escancarou e caiu no corredor completamente tonta e enjoada, estava encharcada e suando frio. A única coisa que ela conseguiu fazer foi segurar o cabelo para o lado antes de vomitar. Os vermes, insetos e aranhas que tinham descido por sua garganta não paravam de ir e vir em sua cabeça, mas o que ela colocou para fora foi apenas o seu jantar.

"Que ódio!!"

A garota então ficou sentada no chão, apoiada na parede, tentando se recuperar enquanto aguardava por algum dos outros semideuses sair de seus respectivos quartos. Ao primeiro que aparecesse, ela levantaria o seu cordão com a chave do Quarto Nº 1 toda boba e sorridente.


Equipamentos:
Croma-Sparti - Uma caneta que muda de cor constantemente, brilhando nas cores do arco-iris. Ao ser pressionada se transforma em uma espada de prata que brilha nas cores do arco-íris, deixando o oponente levemente tonto pela mudança constante das cores. [Presente de reclamação]
Poderes Passivos Intencionais:
Nível 01
Perícia com Espadas - Os Filhos de Íris possuirão uma habilidade destacável na manipulação de espadas, fazendo movimentos incríveis sem ao menos ter tocado em alguma na vida.

Nível 07
Benção de Íris - Essa habilidade dá, por direito, a benção de Íris onde seu filho for. Por sua progenitora poder vagar por todos os lugares, o seu filho pode navegar, voar, ou até mesmo visitar o mundo inferior sem demais complicações, desde que não tente resgatar uma alma do Hades.

Nível 08
Asas Douradas II - Os(as) Filhos(as) de Íris possuem um par de asas médias ,de tom dourado, em suas costas. Elas podem ajuda-lo em saltos maiores, podendo dar pequenos voos de até 1,5 a 2 metros de altura.
Poderes Ativos:
Nível 02
Esfera Multicolor - Uma esfera surge nas mãos do filho da Deusa-alada, esta é ofuscante e apresenta todas as cores do arco-íris em um tipo de explosões dento da mesma. Ao ser lançada contra o inimigo, desvia a atenção do tal e ao entrar em contato com ele causa uma explosão de pequeno porte.
Sarah Gray Filhos de Íris
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Idade : 18

Localização : Acampamento Meio-Sangue


Ficha do Semideus
Vida Vida:
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MP MP:
260/260  (260/260)
Nível Nível: 17

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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em em Ter Out 30, 2018 9:46 am

QUARTO 03


Para muitos o dia das bruxas era algo a se comemorar, um dia feliz em que se vestia uma roupa engraçada, pegava um potinho colorido e iria de porta em porta pedir doces ou ameaçar as tiazinhas de oitenta anos, alguns com armas e outros com papel higiênico, depende muito do bairro em que se encontra. Sem preconceito.

Mas quando se é um semideus, não é exatamente essa a ideia de comemoração que se tem. Muito pelo contrário. Quando se é um semideus tudo se torna sinônimo de medo e ansiedade, afinal de contas, qualquer coisa pode matar um semideus. Literalmente, qualquer coisa. Tay lembrava-se muito bem da última festa comemorativa no acampamento: o dia dos namorados. Eros ficara completamente louco e descontrolado e acabara por descontar nos seus filhos. Os garotos do chalé do deus cupido acabaram por flechar mais da metade do acampamento e no final das contas todo mundo acabou numa suruba no anfiteatro, por sorte ninguém engravidou mas Quíron ficou louco! Mas isso não vem ao caso.

Acontece que o instrutor tivera uma bela ideia de fazer uma casa dos horrores, era um evento muito comum em circos e parques de diversões e muitos acharam que no máximo teriam alguns monstros irados para dar uns cacetes. Por isso que a galera decidiu começar a se inscrever e logicamente que Tay foi uma delas, burra e idiota como sempre, acabou caindo nas fantasias criadas pelas proles de Hermes. Como mentalista ela deveria ser mais esperta, certo? Bom, não era o que acontecia.

E logo chegou o grande dia 31 e Quíron pegou os semideuses desprevenidos ao redor da fogueira. Tay estava com uma tigela de castanhas com chocolate, combinação estranha para alguém? Talvez mas era bom para caralho. E em sua plenitude, comendo sem preocupações ela começou a ouvir os nomes serem chamados. Tudo ia bem até que o seu foi o terceiro da lista. A tigela escorregou da mão da jovem fazendo-a parecer uma criança irritante e ela logo encarou Quíron com a boca toda suja de chocolate e uma sobrancelha erguida. O centauro olhou rapidamente para ela e de volta para a lista, acho que para ter certeza de que realmente havia sido escolhida. Mas a lista não mentia e ele deu de ombros e suspirou.

Tay entendeu a deixa e logo se levantou, limpando a boca com a manga do casaco e caminhando até Aileen e Sarah, que não pareciam muito contentes em estar ali. A semideusa levou as mãos aos bolsos e começou a assoviar até que todos estivessem ali.

— Aos que foram chamados, por favor, me sigam. — Falou simplesmente.

E lá se iam os sete semideuses atrás do centauro assim como os sete anões atrás da branca de neve. Quíron estava guiando-os em direção a floresta no meio da noite. Não precisava ser um gênio para saber que aquilo certamente daria merda, afinal de contas, quem é o idiota que vai voluntariamente para o meio do mato encontrar um monstro de boas? Isso aí, sete semideuses e a metade de um cavalo. Maravilha.

Após o que pareceram quinze minutos de caminhada o grupo conseguiu avistar uma cabana. Certamente “cabana” não seria bem a palavra, era uma casa mesmo. Dois andares, mogno, bem lustrada, calorosa, certamente melhor que o muquifo de Hécate. Se nada desse certo Baudry poderia se mudar para ali, porém, pretendia sair viva, pelo que sabia, no submundo não tinha sorvete de limão. Vocês já comeram sorvete de limão? Puff.

Eis que o homem cavalo branco olhou para eles com um misto de sorriso e apreensão. Aquela cara certamente não era engraçada, sabe quando você está segurando um peido em público? Acho que Quíron estava assim naquele momento mas ninguém mencionou nada.

— Ao entrarem na casa vão se deparar com sete quartos, cada um, será destinado a um de vocês, como já devem ter previsto. Ao abrirem a porta da casa, ela os permitirá entrar, porém, não os permitirá sair. Devem seguir, cada um, para seu próprio quarto, que só abrirão ao seu toque. As portas dos quartos funcionam da mesma forma que as portas da casa: podem entrar mas não podem sair. No andar de baixo estão os quartos 01, 02 e 03 e no andar de cima os outros quatro. Suas armas estão organizadas no corredor principal do andar de baixo, devem pegá-las antes de entrar em seus devidos quartos. — Sete? Tay parou e virou-se para contar. É, realmente haviam sete. Ela assentiu consigo mesma e logo suspirou. Uma casa que poderia entrar e não poderia sair? Maravilhoso, simplesmente um arraso. Com aquele visual então? Ela já imaginava levar umas prostitutas e vinho e transar a noite toda, de manhã não poderiam sair então teriam de transar mais e cada vez mais. Tay gostava desse tipo de pensamento, logo sorriu. — Para saírem dos quartos, devem encontrar a chave que abrirá a porta, como eu disse, elas se trancam depois que entrarem. Quando cumprirem a atividade dentro do quarto e encontrarem a chave, poderão voltar para o corredor, e, ao voltarem, deverão unir todas as chaves para que possam obter a oitava, que será a chave da casa. — Tay ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços, estaria Quíron jogando muito tetris? — Os quartos poderão ler seus medos e os transformarão em seus piores desafios. E, ah, antes que eu esqueça, vocês só tem 15 minutos ou a casa se autodestruirá e vocês, bom, vamos ter de fazer mortalhas. — Qual era o maior medo de Tay? Ok, nem ela mesmo sabia. Revirou os olhos e deu um sorriso de canto. Se nem ela sabia qual seria seu maior medo, como que uma casa idiota poderia saber? Um furo na história, ela assentiu sorridente.

— O tempo começa a contar a partir de… Agora! — Ele falou no mesmo instante em que iniciou a contagem em um cronômetro. Coisa de profissional, hein?

Baudry percebeu que alguns campistas começaram a andar rápido ou até mesmo correr. Ela deu de ombros e fez o mesmo sem entender muito bem o sentido daquilo. Se não entrasse poderia facilmente não participar mas algo lhe dizia que Quíron lhe daria um coice na bunda. Vocês já tomaram um coice de cavalo? Dói pra porra, só digo isso.

A garota suspirou e cruzou a porta junto com os outros semideuses, e, assim que o fez, a porta bateu com tudo as suas costas. Largada de qualquer jeito, ao lado da escada, estava sua varinha. Ela ergueu a sobrancelha sem entender o que estava acontecendo mas decidiu pegá-la e colocar na cintura. O que porra estaria acontecendo ali? Ela suspirou e ergueu o olhar, vendo Sarah e Aileen entrarem em seus quartos. Qual era o dela mesmo? Ah, isso. Quarto 03.
A semideusa engoliu em seco e começou a andar pelo corredor, seus dedos se enroscaram ao redor de sua varinha, prontos para sacá-la caso houvesse algum monstro precisando de um feitiço básico contra feiúra. Sua mão foi até a maçaneta da porta, prateada e extremamente fria ao toque. E então Tay a abriu, adentrando em um quarto totalmente escuro. Atrás de si a porta se fechou e logo ela ouviu a tranca ser acionada, assim como Quíron lhe dissera. Que delícia. Mal pôde respirar quando um holofote caiu sobre si, cegando-a devido a escuridão do local. Por instinto, Baudry ergueu as mãos para provar que não estava segurando nenhuma arma.

— Eu não fiz nada, caralho! — Gritou fechando os olhos. Nada aconteceu.

A semideusa abriu um olho e logo depois o outro e viu que o piso aos seus pés era de madeira. Ao seu redor haviam duas coxias e um microfone. E, a sua frente, uma platéia. A garota pôde ver alguns amigos como Zöe, Abby, Lux, Aileen, Cecília, Calvin… Tantos amigos, de tanto tempo atrás que ela nem lembrava-se mais como haviam tornado-se amigos. Sensação bizarra? Sim, mas não para a filha de Hécate já que tinha a memória de um esquilo.

Tay caminhou até o microfone e bateu nele de leve, para ver se realmente estava ligado. Não foi surpresa quando um som agudo irritou seus fãs na platéia. Ela riu e ergueu os ombros como quem diz “foi mal aew”. Pegou o microfone e logo olhou para seus amigos, que, aparentemente, estavam bem putos.

— Confesso que essa porra tá bem estranha, vocês também acham? Quer dizer, qual a probabilidade de ter um fucking auditório dentro de um quarto? Mano, tô dizendo, essa casa é maravilhosa. — Zöe revirou os olhos e Tay engoliu em seco. Havia dito algo errado? Não, era isso mesmo. — Er.. — Começou, mais insegura. — Sabe, cadê os monstros? Vocês não vão se transformar, não é? Olha, eu tenho uma varinha e não tenho medo de usar! Posso enfiar ela no rabo de vocês. — Ela sorriu, era uma piada. Mas claro, só ela entendia a piada.

Calvin, sentado junto com os outros, bufou e encostou a cabeça no ombro de Aileen, claramente cagando para a prole de Hécate. Tay mordeu o próprio lábio e segurou o microfone com mais força, começava a suar frio. Que porra ela estava fazendo ali? Por que todos estavam se sentindo incomodados com ela? Era assim que ela fazia eles se sentirem na maior parte do tempo?

— Ok, vamos as piadas. Piadas sempre melhoram o humor, parece que vocês estão recém saídos do enterro de uma tia gorda, pelos deuses! — Ela sorriu mas logo broxou pois Abby se levantou e saiu do auditório. — Abby! Perai né? Sua tia morreu? Pow cara, foi mal. Mas ela era gorda? Digo, meus pêsames!

A semideusa estava claramente tensa, o suor escorria de seu rosto tal como se estivesse em uma sauna. Por que aquilo estava sendo um desastre? Por que estava saindo do controle? Seus amigos não gostavam de andar com ela? O que tudo aquilo queria dizer?

— Er… — Começou. — De onde vem a lã virgem? — Ela perguntou abrindo os braços. — Das ovelhas feias! — E começou a rir. Parte do riso por achar a piada engraçada e parte por estar nervosa para um senhor caralho mas ninguém riu, permaneciam sérios como se ela fosse uma imbecil. Talvez fosse. — Por que as estrelas não miam? — Ela abriu os braços e olhou para seus amigos. — Porque astronomia! — E novamente caiu na gargalhada.

Zöe revirou os olhos e preparou-se para levantar, assim como Abby havia feito a pouco tempo. O que era agora? Estava espantando seus amigos? Que porra era aquela?

— Mermão, você está indo para onde? Porra, sei que não gostam das minhas piadas, ok? Nunca obriguei ninguém a gostar! — Tay pegou o microfone e caminhou para frente do palco, ficando mais próxima dos semideuses, que, agora a encaravam com um pouco de atenção, apesar de totalmente desinteressados. — Todos temos defeitos! Zöe é uma psicopata romana que só quer saber de coortes e senado! Calvin é um babaca que corre atrás de uma cura que não existe porque é baba ovo da Aileen! Aileen, por sua vez, é dramática para cacete, chora por tudo e vive atrás do Calvin! Lux, nem sei porque você está aqui, foi mal… — Ela deu de ombros. — Beleza, todos temos defeitos e daí? Eu amo a Zöe por ser a romana mais dedicada e responsável que eu possa vir a conhecer. Eu amo o Calvin por ser um cara que enfrenta seus medos pelo que acredita. E amo a Aileen por lutar pelo amor dos dois com todas as forças.

Ela deu uma pausa, estava ofegante e desesperada. Suas mãos e braços tremiam e logo se lembrou das palavras que Quíron dissera: a casa usará seus medos. Aquele era o medo dela. Ser deixada para trás.

— Não ligo se vocês forem embora, os momentos em que nós vivemos estão todos guardados no meu coração. Mas também não vou deixar de ser quem sou para agradar ninguém. — Ela jogou o microfone com força no chão, ergueu os braços e estirou o dedo do meio. — Que se fodam, babacas! — Falou com as paredes da casa.

Nesse instante tudo começou a mudar. As paredes, o palco, os bancos, as cortinas… Tudo transformou-se em um quarto de paredes brancas e sem graça. Estava completamente vazio a não ser pela presença de um banquinho de madeira com uma chave em cima. Ela pegou a chave e caminhou até a porta, abrindo-a em seguida.

Deu de cara com o corredor novamente e logo avistou Sarah sentada no chão. Caminhou até ali e sentou-se ao lado dela, tomando cuidado com o vômito.

— Mais ninguém? — Perguntou e a outra negou. — Espero que ninguém morra.

ARMAS:

PALKA: Feita de carvalho, coração de dragão e possuindo 15cm, é uma varinha que adapta-se perfeitamente a mão da prole de Hécate, proporcionando-lhe liberdade para conduzir seus feitiços com êxito. Quando quer, a prole da deusa da magia pode transformá-la em uma espada de prata com cabo de carvalho e com suas iniciais gravadas na guarda. A espada é leve e tem equilíbrio perfeito, podendo ser altamente afiada e perfurante, movendo-se tal como magia, de uma forma que os olhos não acompanham. [PRESENTE DE RECLAMAÇÃO]

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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em em Qui Nov 01, 2018 6:05 am


VII.


Mesmo quando ainda me sentia apenas um ser humano comum, detestava os dias das bruxas. Basicamente no Iraque meu país de origem, não havia nada desta cultura de “Doces e travessuras” e mesmo se tivesse a detestaria na mesma intensidade. Quíron finalmente revelaria o resultado das inscrições deixando tudo em uma tensão densa. Normalmente reunir todos os semideuses na fogueira trazia uma certa amistosidade para a ocasião como risos e falatório, eram cenas comuns mas naquele momento até mesmo o próprio ar estava tão estranho que preferi sentar junto com os demais próximo da fogueira. De fato a cena se tornou incomum pois, estar sentado junto com os demais não era algo que eu normalmente fazia porém, ninguém fez alarde apenas assentiram e esperaram por Quíron. Sendo assim permaneci calado...  De forma misteriosa o centauro tomou um dos pergaminhos de suas costas e olhou para todos alí, suspirou, sorriu, então começou a chamar cada um dos nomes.

Nomes e nomes foram chamados tornando a alimentar a ansiedade dentro de cada um de nos, simplesmente estar esperando para provar algo estava me consumindo pois ser o melhor era o que eu desejava. Então ouvi meu nome. Levantei quase ao mesmo momento como se liberasse a tensão de minhas juntas, olhei ao arredor contemplando os rostos de todos alí com o peito palpitando e um pouco estufado. Era minha oportunidade, sendo assim a tomaria. Coincidentemente ou não eu era o único garoto no grupo, deveria ser algum tipo de brincadeira ou referência que eu desconhecia? Não fazia diferença pois a grande maioria delas eram veteranas o que facilitaria um pouco o desafio, ao menos eu acreditava nisso...

A caminhada levou cerca de quinze minutos ou algo a mais que isso, estava alheio aos minutos apenas caminhando tentando suprimir as emoções e o estômago instável, até o momento aflito com o que me esperava me surpreendi. A explicação sobre a extravagante casa construída para o teste, e vê-la em todo os seus detalhes deixou claro o nível do desafio,  provavelmente alguém que estava patrocinando era alguém bem rico tanto para a cabana de dois andares como para a manutenção de tal material.

Assim que terminou as instruções corri, tentei chegar na frente e logo passei pela porta. Caminhei pelo corredor procurando pela minha arma, assim que cheguei no final a encontrei. Tomei em mãos o tridente conferindo se era ele mesmo, assim subir para o segundo andar em busca do quarto. O quarto sete era o meu, não troquei nenhuma palavra entrando sem me importar com os demais, cada um tinha sua tarefa e eu já tinha feito todos os preparativos possíveis para aquilo...

Assim que atravessei a porta - a atmosfera me engolfo completamente, nada de monstro ou perigos impossíveis, simplesmente a arena do acampamento lotada. Me sentir acuado pois na minha frente estava um dos principais campistas do acampamento, Theon filho de Zeus. Mesmo se você não quisesse iria ouvir sobre ele. Jamais me importei muito com as demais crias dos três grandes, talvez este fosse o erro que o quarto queria me mostrar... Minha negligência em atuar com os demais campistas? Provavelmente.

Então veio o escárnio e os risos exagerado

Não demorou muito tempo para me sentir doente com aquilo, ninguém gostava de ser zoado nem mesmo um cara como eu que praticamente se isolava dos demais. Ouvir insultos e até mesmo coisas que eu jamais iria imaginar que pudesse ser chamado, então respondi a altura já com certa mágoa.

— Vão a merda! —

A primeira coisa que fiz fora dar meia volta, mas já estava cercado pelos campistas e cada um deles estavam me zoando… Parei para pensar, mas estava claro que Theon era o principal culpado daquilo, mas o motivo disso não sabia qual era.

Seu carisma era contagiante o suficiente para me fazer enxergar os demais campista como inimigos, estes que seguiram até mim de forma ameaçadora com alguns até mesmo chegando a me dar pescotapas e até mesmo gritando na minha orelha, então deu ruim. Eu os golpei tentando manter distância, cada ação minha cortou o ar em um silvo. O tridente balançava em prol de os afastar e consequentemente cheguei ao meu limite me tornando mais agressivo até o momento conseguindo os machucar. Tal ato apenas aumentou ainda mais a zombaria, sendo assim o filho de Zeus apenas seguia em frente ajudando os feridos  a se levantar coisa que eu nunca faria, enquanto ele sorria em deboche cada vez mais campistas se aproximavam dele em forma de apoio.

Balancei o tridente muitas vezes, mais de uma centena de vezes para ser exato. Não para causa ferimento apenas afastando as pessoas,  estava bom, mas cada vez mais me via obrigado a acertar uma perna ou outra. Assim quando me dei conta estava tão cansado que Theon finalmente chegou próximo a mim sem nem eu ter percebido. Começou a bater um certo desespero, não havia um modo simples de entender o que se precisava fazer. Mudei o tridente contra ele, espada no qual ele bloqueou, lança esquivou e bloqueou, adaga esquivou de todos os golpes o que aumentou ainda mais seu sorriso e a zombaria dos campistas contra mim. Mais uma vez mudei para o tridente desferindo um varredura da esquerda para a direita, girei usando parte do cabo contra sua parte inferior tais movimento apenas serviram para ele usar seu escudo com muito mais experiência que eu jamais teria, em certo momento ele rebateu o tridente que girou e se fincou no chão diante de mim. Cai de bunda no chão tendo de encarar seu sorriso convencido e a zombaria dos demais...

Eu não pude dizer nada em minha defesa. Eu não poderia melhorar a situação, havia perdido de forma limpa. Apertando os dentes, arrastei até a minha arma. “Desta vez, não hesitarei. Para mim e para você” … Quando meu dedo estava prestes a puxar o cabo, um pequeno pensamento surgiu na minha cabeça.

Me ajoelhei enquanto sentia a mão de Theon se aproximando cada vez mais do meu pescoço, hesitei. Devido ao cansaço mental, não tive forças para reunir energia e reagir, havia sido derrotado mentalmente. Minha hesitação deveria ter levado à minha morte. No entanto, nenhum perigo apareceu naquele momento. Silencioso e distante. Era como se o mundo parasse. De joelhos no meio da arena serena, olhei nos olhos do filho de Zeus. Seus olhos estavam congelados e tempestuosos, mas carregavam uma pontada de austeridade. Imediatamente, meu coração afundou. Não havia possibilidade de imitar alguém como ele, perfeito como um filho dos três grandes deveria de ser, liderança que atraia amigos e recursos para superar desafios.

Meu corpo estava pesado e a tontura varreu minha cabeça. Nessa situação em que mal conseguia segurar minha sanidade, uma estranha suspeita surgiu dentro de mim. Este mundo para mim ainda era um teste ou a minha realidade? De repente, as instruções de quíron  apareceram na minha cabeça. O conteúdo dos meus pensamentos veio à tona, e os contos heróicos se passaram diante dos meus olhos. A batalha contra o ciclope, combate contra manticora e a busca de Éôs… Era isso, essas coisas sempre iriam acontecer. Pela primeira vez, fui superado com a percepção de que não deveria enfrentar tudo sozinho. Eu podia ouvir o som de algo quebrando dentro de mim. Este mundo era apenas um teste... Foi o som dessa crença subconsciente se despedaçando. Eu estava pronto para confiar em meu poder, mas jamais confiei no poder das pessoas á minha volta, estava sozinho agora: Mas eu os faria se lembrarem de mim.

Meu poder mágico transbordou, meu sangue se aqueceu e a água me banhou resvalando em até três metros, tentáculos cresceram em meu torso assim como água se movimentava de forma hostil pelo campo próximo a mim. Havia razões para eu sempre desejar estar sozinho, mas a principal era o medo em falhar de estar à altura, mas agora nada importava. Passe pelo pior e ascenda.

— Eu só tenho uma chance. —

Os tentáculos se agitaram de modo inconsequente formando um tridente de água, não durou muito mas fora o suficiente para a atmosfera mudar, Theon mudou seu olhar me reconhecendo como algo.

— E vão me subestimar até provar para vocês. —

As vozes do campistas pararam, olhando em volta ele assentiu para algo entregando uma chave para mim. O fato era que eu estava tão próximo de entrar em colapso com a quantidade de poder usado que nem tive reflexo para atacar, minha demonstração de segurança havia me sugado tornando apenas possível manter a consciência. Quando tudo se desfez, tomei a chave e o tridente este que usei como muleta saindo do quarto.

Assim que cheguei no primeiro andar encontrei com duas meninas que havia concluindo a busca pela chave; A tatuada e a maloqueira. Sem dizer nada encostei em uma das paredes abraçando os meus joelhos, de fato não parecia ser um bom número.
Usados:


▬ Nível 3
Hidrocinese I: Os filhos de Poseidon agora além de controlar a água, podem manipulá-la. Não em grande quantidade.

▬ Nível 4
Tentáculos:
Atrás de suas costas, surgem tentáculos feitos de água, sólidos o suficiente para atacarem um inimigo, gastando 25 Energia por turno; O número de tentáculos depende do seu nível de energia, isso irá ao critério do narrador da missão; Os tentáculos podem soltar o líquido negro que os polvos soltam quando se sentem ameaçados;

▬ Nível 5
Tridente Aquático:
Tridente feito de água, poderá ser invocado sempre que necessário; Vai aos mesmos critérios da habilidade anterior;

▬ Nível 6
Criação de Água
Com muita concentração e energia, poderá fazer com que água seja retirada da terra (lençóis freáticos), a cada quantidade maior, mais energia será gasta. {Gasta 20 de MP} Podendo aumentar de acordo com a quantidade de água (o narrador decide)

ATANTIS: Um tridente mediano feito de titânio e incrustado com esmeraldas. Cada uma de suas pontas remete a uma arma. A ponta da esquerda remete a uma lança de mesmo material, violenta como as marés. A ponta do meio remete a uma espada, fria como o oceano. E a ponta da direita corresponde a um punhal, rápido como uma onda. O semideus poderá oscilar em qualquer uma dessas armas e terá as três na palma de sua mão. [PRESENTE DE RECLAMAÇÃO]


~Halloween'Ever (03/07) ~with Alone~In 07 Room


Rachid I. Schmul Filhos de Poseidon
Príncipe com Mil Inimigos

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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em em Sab Nov 03, 2018 2:03 pm


Filha de Hefesto - Feiticeira de Circe

Aileen


Aileen esperava um baile de Halloween como todos os anos, onde todos os semideuses bebiam demais, aprontavam inúmeras confusões e algum Deus aproveitava para se divertir as custas deles. Havia sido assim nos últimos quatro anos, mas a ferreira guardava um carinho especial pela data, já que foi em seu primeiro baile de Halloween no acampamento, que Calvin havia a pedido em casamento. As Moiras já haviam laçando sua maldição contra ela, Calvin ainda não tinha total domínio sobre suas lembranças, mas mesmo assim, aquele ainda foi um dia muito feliz para a semideusa. Estranhou o anuncio que naquele ano não haveria festa e achou ainda mais estranho quando as inscrições para uma suposta prova começaram. Ela junto de suas amigas, eram os semideuses mais antigos, não deixariam a glória para os novatos jamais. Mesmo com os protestos de Calvin, se inscreveu na prova, sabia que era necessário testar a si mesma.

Sob o luar prateado se reuniram ao redor da fogueira, na maioria rostos conhecidos pela semideusa, outros nem tanto, alguns eram totalmente desconhecidos. Sentou-se ao lado do noivo, apoiando a cabeça no ombro dele, enquanto observava o movimento dos campistas. Estava um pouco tensa, algo dizia que o que Quíron havia preparado seria um desafio à altura, soltou um longo suspiro e beijou o pescoço de Calvin, fazendo-o arrepiar. Aileen sorriu como uma criança travessa e ele também logo retribuiu, depositando um cálido beijo em sua testa. Pouco a pouco os campistas se reuniram, os lugares mais próximos a fogueira logo foram preenchidos. A morena acenou de longe quando viu Abby se aproximar, com sua habitual cara carrancuda e aura pesada. Muitos no acampamento temiam a prole de Hades, de certa forma eles tinham razão. Mas os anos de convivência e tudo que havia acontecido na última guerra, fizeram delas grandes amigas.

A voz do centauro chamou a atenção de todos, havia um certo nervosismo, pois ninguém sabia quantos seriam escolhidos e quem seriam os escolhidos. Sabia que Calvin também havia se inscrito para a prova, então havia uma boa chance de trabalharem juntos. Sem cerimônias Quíron puxou um pergaminho e começou a ler os nomes, o segundo foi o da prole de Hefesto, mas o de Calvin, não veio, o que fez o filho de Hipnos apertar a mão da semideusa. All o olhou com ternura e deu um suave beijo em seu rosto: — Vai ficar tudo bem, amor. — Disse ela já se levantando e soltando a mão do amado. Ela o conhecia o suficiente para saber que a angustia dele só teria fim quando ela voltasse. No fundo, Cal a via como uma garota ainda indefesa e fraca, que tinha dificuldade de se defender. Em certo ponto ele estava certo, não era tola de negar suas fraquezas e principalmente a dependência daquele pequeno bracelete que a mantinha viva.

O grupo era inusitado, conhecia um pouco Tay, filha de Hécate, uma garota de personalidade excêntrica, mas ela era legal e boa de conversar. Quando viu que a namorada do irmão havia sido escolhida, a ferreira revirou os olhos e suspirou longamente. Selesnya também era uma filha de Hécate e sabia bem pouco sobre ela, algo na garota fazia com que ela sempre ficasse com ciúmes do irmão mais velho. A escolha de Cecília já a deixou mais preocupada, conhecia o estado mental delicado da prole de Tanatos, aliás, todo mundo sabia que garota tinha problemas e quase matou uma filha de Ares na arena um tempo atrás. Rachid o filho de Poseidon também foi fácil de saber quem era, ele e a irmã eram os únicos no acampamento. Diferente da irmã, ele parecia mais centrado e comedido. Sarah e Renya eram as que ela menos tinha contato, então não sabia o que poderia esperar delas. O que ficou claro para a Aileen era que teria a responsabilidade pelo grupo, já que era a mais experiente do grupo.

Caminharam algum tempo caminhando na floresta, se depararam com uma construção muito bem conservada. Como filha de Hefesto, não era difícil para ela analisar as características da construção, a madeira antiga, mas forte e resistente ao passar dos anos. Não era uma construção comum, demandava tempo para criar algo assim e havia um algo mais que ela ainda não havia conseguido perceber. Quíron explicou com clareza as regras do jogo e por mais fácil que tudo aquilo parecesse, nunca seria. Nada era fácil quando se era um semideus. Ela olhou a expressão de cada um dos seus companheiros e notou que estavam tão apreensivos quanto ela, mas sabia que não poderia se deixar levar por aquele sentimento, não podia deixar os outros percebessem isso, tinha que tentar ser um exemplo para eles.

Entrou um pouco desconfiada, mas o chalé era tão bonito por dentro quanto por fora, com detalhes elaborados e decoração arrojada. As instruções haviam sido bem claras, o tempo estava contra eles, mas naquele momento não podiam contar com a ajuda um do outro e se ela bem conhecia o centauro, aquela era apenas a primeira parte. Pegou suas armas e colocou no alcance de suas mãos, nunca saberia quando poderia precisar.  Não precisou andar muito para que encontrasse seu quarto, a porta era uma plataforma maciça de madeira, não havia nome e nem especificações, mas algo atraiu a atenção da semideusa. Quando sua mão encostou nem precisou se esforçar para que a mesma se abrisse, um leve ranger foi ouvido. Aileen respirou fundo e empurrou mais um pouco, entrando de vez no local, a luz acendeu sozinha, fazendo-a se assustar um pouco.  Lembrou-se das palavras do centauro antes de entrarem e naquele momento temeu o que poderia encontrar dentro do quarto.

A surpresa veio no primeiro momento ao entrar, deparando-se com Calvin sentado em uma escrivaninha negra e de cabeça baixa. Ele não parecia estar escrevendo, até por que não fazia muito o tipo dele esse tipo de coisa, mas estava concentrado em alguma coisa, ao ponto de não notar sua entrada no quarto, nem mesmo quando a porta bateu atrás de si. Por instinto ela se virou, mas fora realmente a porta que havia batido, trancando-a dentro do quarto. Deu alguns passos na direção dele, notou que ele lia alguma coisa, parecia um caderno ou algo assim: — Calvin? Eu pensei que... — Sua frase fora interrompida pelo som da cadeira ser arrastada com força. Quando o semideus se virou e a encarou, sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo. Ele estava diferente, algo havia mudado no olhar do filho de Hipnos, havia uma fúria que queimava como fogo.

Um silêncio sepulcral tomou conta do lugar, as luzes pareciam mais fracas e Calvin a encarava com um olhar inquisidor como nunca antes, ele nunca havia olhado para ela daquela forma: — Amor, como você veio parar aqui? — Perguntou depois de juntar coragem dentro de si. Ele bufou e revirou os olhos: — Esse é o seu problema Aileen. Você nunca sabe de nada. Você nunca sabe o que acontece ao seu redor. Estou cansado de ficar te salvando o tempo todo. De não viver, para viver em função de você e dessa maldição que você carrega. — Disse em um tom ríspido. A Filha de Hefesto recuou um passo para trás. Não conseguia escutar seu coração depois do que ele havia dito. Não conseguia formular uma só palavra para responde-lo, mas sentiu seus olhos começarem a arder e o choro apertar a garganta. Ela o encarou incrédula, o que havia feito? Por qual razão ele estava tão bravo com ela? Seria por estar ali participando daquela prova?

— Amor, está tudo bem. Eu não vou me machucar. — Disse com a voz levemente embargada. O garoto então se aproximou a encarando em seus olhos: — Não é apenas você que pode se machucar. Você só pensa no perigo que você corre. E eu Aileen? E os perigos que eu corri para te proteger? Você machuca as pessoas que estão perto de você o tempo todo e nem percebe. Todos esses anos aqui e você continua a mesma incapaz, fraca, tola e inocente. Me responda? Você seria capaz de me proteger? Responda! — Esbravejou ele a encarando. A semideusa se encolheu, não sabia o que dizer, não conseguia pensar direito. Mas as palavras dele de algum mondo faziam todo o sentindo, faziam todo sentindo no fundo. As lágrimas molharam seu rosto e seu peito doeu ao pensar em cada uma das coisas que ele havia dito. Como poderia protege-lo? Sabia que não tinha força para isso, muito menos capacidade. Perto de Calvin ela continuava a mesma menina indefesa de sempre.

Ele a olhou com desprezo e virou o rosto: — Meu pai estava certo. Você... Você é nada Aileen. Cansei disso tudo. Estou saindo da sua vida para sempre. Você é uma menina fraca, eu quero uma mulher ao meu lado. E você nuca será isso. É apenas uma prole de Hefesto desajustada como seu pai. Tal pai, tal filho, não acha? Você será um serviçal de todos, assim como seu pai é dos Deuses. Será sempre uma rejeitada. — Disse ele, a empurrando para longe dele. A morena não tinha reação, sentia apenas uma vontade incontrolável de chorar e morrer. Queria desaparecer, nunca mais ver ninguém. Olhar para ele era doloroso, machucava seu peito. Precisava dizer algo, mas no fundo era como se todas as palavras que ele dissesse fossem verdades. Afinal, muitas vezes ela pensou aquelas mesmas coisas: — Não Cal, o que você está dizendo não é verdade. — Murmurou ela aos prantos e o segurou pelo braço:  — Me solta Aileen. Não seja mais patética e mais ridícula. — Puxou o braço se afastando dela outra vez.

Nada daquilo poderia ser verdade. Era como se o chão estivesse abrindo sob seus pés. Tudo havia sido uma mentira? Ele tinha se cansado dela? Um vazio imenso, tomou conta de sua alma deu alguns passos para trás, até encostar na parede, escorregou até encontrar o chão.  Ele tinha razão, não podia prender sua vida a alguém que estava condenada a morrer. Aquela era uma batalha que ela já tinha perdido, não poderia contra a ira de dois deuses. Tudo aquilo era uma tortura para ela e para Calvin dia após dia. Deveria colocar um fim, acabar com o sofrimento dele, sabia como era uma tortura para ele todos os dias viver com a incerteza de que ela não acordaria mais. Aileen deslizou a mão pelo braço direito, sentindo o único objeto que lhe mantinha viva, o bracelete de Brigith. Se ela o quebrasse, sua maldição a mataria em segundos e Calvin nunca mais precisaria sofrer por tudo aquilo. Aileen enfiou um dos dedos pelo metal, como prole de Hefesto poderia quebra-lo facilmente e talvez aquilo fosse o melhor a se fazer.

Respirou fundo e segurou a peça de metal fino entre os dedos, mas uma voz ecoou no fundo de sua mente retumbante e forte: — Não pense em fazer isso Chonaill! —  A voz fez seu corpo estremecer como se um terremoto estivesse acontecendo. Aquela voz era familiar, mesmo esquecida em sua mente, seu coração começou a bater mais forte, suas mãos se tornaram quentes: — Tola! Achei que tivesse aprendido algo comigo. Caindo em um truque tão barato. Se deixando levar pelos seus medos? Onde está sua escuridão Aileen? — As palavras que ecoavam em sua mente tornava tudo mais confuso para ela, mas ao mesmo tempo, resgatava uma parte de si esquecida, adormecida. Seu maior medo, sua escuridão, estava diante de seus olhos: — Lembre-se de quem você é de verdade. De quem somos! Eu só poderei te ajudar, se você me permitir ajuda-la. — Aquela voz... A prole de Hefesto fechou os olhos e lembrou-se quando estava sozinha na floresta, entre as brumas. O medo, os monstros, seu eu. “—Perder o medo é se atirar no escuro, enfrentando o desconhecido. —”

De olhos fechados repetiu cada uma das palavras ditas pelo Calvin que estava ali na frente, então se levantou: — Calvin. — Ela o chamou com a voz firme. Suas mãos estavam mais quentes que o normal, até mesmo a atingida pela maldição, seu coração batia como trote de cavalos em disparada. A escuridão era ela: — Se quiser sair da minha vida. Saia! Sai por aquela porta e nunca mais volte. Meu amor por você é infinito e me dá forças para fazer qualquer coisa. Eu não tenho mais medo de te perder. Por que se você me deixar, é por que tudo o que vivemos e passamos foi uma mentira. Mas hoje eu não sou fraca, não sou incapaz e vou derrotar tudo e todos que se colocarem no meu caminho. Inclusive o medo de te perder. — Quando terminou de falar ao seu redor tudo estava em chamas, como se a visão estivesse queimando e a realidade voltando ao seu lugar: — Eu vou enfrentar meus medos e derrotar todos eles. Até mesmo a sua perda. — Vociferou a morena e um enorme clarão tomou conta do quarto, fazendo com que ela fechasse os olhos.

Quando abriu os olhos novamente não havia mais ninguém além dela, estava suada, ofegante e aliviada. Havia acabado. Ao olhar para frente viu a chave em cima da escrivaninha, mas não sabia quanto tempo havia passado para que conseguisse cumprir seu objetivo: — Scathach...  — Murmurou enquanto pegava o objeto para sair dali. Ao abrir a porta, já haviam mais três a espera que haviam concluído suas missões. Aileen sacudiu sua chave e escorou-se em uma das paredes. Ainda faltava Cecília, Reyna e Selesnya.  Não tinha uma noção de quanto tempo ainda faltava, mas esperava que elas não demorassem muito.

Aileen Ní Chonaill Feiticeiros de Circe
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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em em Dom Nov 04, 2018 8:54 pm

By now you should've somehow
Realized what you gotta do

I don't believe that anybody
Morte

Cecília estava sentada bem longe da fogueira, quase na penumbra, escondida de todos. Ao seu lado estava Daniel, apoiando a mão em seu ombro, tentando lhe passar algum conforto. Em vão. Nada era capaz de acabar com a agonia da semideusa quando ela estava junto dos outros, principalmente com o lugar tão cheio. Um longo e desanimando suspiro escapou de seus lábios, denunciando o quanto a situação era enfadonha para ela. Pelo menos, estava controlada fazia algum tempo, estava conseguindo manter-se no controle de sua mente, mas não era uma tarefa nada fácil para alguém como ela. Seu olhar correu rapidamente pelo lugar, observando os filhos de Ares ao longe, sabia que a maioria deles ainda a odiava pelo acidente na arena. Mas ela não se importava muito com isso. Eles podiam se achar melhores e superiores, mas eram uns bostas medrosos que corriam como crianças quando ficavam cara a cara com a morte.

Quíron não tardou a chegar até eles, seu olhar era o mesmo de sempre, como se tivesse um grande prêmio para anunciar, quando na verdade era alguma missão bosta ou aviso que em nada mudaria a vida da filha de Thânatos. A grande verdade era que a vida ali, estava se tornando um fardo muito maior do que Ceci poderia suportar e aquela constante luta entre sua sanidade e loucura estava a deixando demasiadamente cansada. A jovem levou as mãos aos cabelos os jogando para trás, seu olhar era distante e triste, mas não havia nada o que pudesse fazer quanto a isso. Pelo menos por enquanto. O centauro começou a falar e o olhar de todos os outros campistas se tornou ainda mais apreensivos, ainda buscava entender por qual razão todos ficavam tão eufóricos com aquele tipo de atividade. Mas quando ouviu seu nome, bateu com as duas mãos contra o joelho e se levantou: — Como assim, porra? — Olhou para o tutor, mas sentiu a mão do irmão a puxar violentamente: — Você quem quis se escrever Cecília! — Disse ele lembrando-a que ela mesma havia se metido naquela roubada: — Apenas achei que ele não ia me chamar. — Respondeu ainda indignada. Daniel deu de ombros e riu com uma leve ironia.

Junto dos demais escolhidos, caminhou durante quinze minutos floresta a dentro, conhecia Aileen, Tay e o restante ela fez questão de ignorar. Manteve atrás dos demais e por isso foi a última a ver o chalé. Ela arqueou a sobrancelha agudamente e tentou imaginar como aquilo estava ali, um lugar tão bonito e bem feito, mas não ia gastar seus poucos neurônios divagando nessa questão. Em silêncio, escutou todas as instruções dadas por Quíron e riu quando ele disse que todos poderiam sair dali mortos: — Sair morta, não é algo que me assuste. Acho que eu ficaria muito bem em uma mortalha. — Sussurrou ao passar do lado do tutor que revirou os olhos em reprovação. Algo que ela já esperava que fosse acontecer, era verdade. Esperou que os coleguinhas entrassem e sem seguida o fez, escutando a porta bater com força atrás de si. Olhou por cima do ombro e deu de ombros, não se importava se morreria ali, a vida era algo muito tênue para que ela se preocupasse.

Subiu as escadas que davam acesso ao segundo andar, mas parecia que nenhum daqueles lugares lhe chamavam atenção, pouco a pouco iam sendo ocupados, até que sobrou para ela apenas um quarto, o penúltimo. Sem cerimônias ela levou a mão a porta, adentrando o lugar que no início estava vazio e sem nada, apenas paredes brancas e almofadadas. Aquela visão fez a garota engolir seco, já que mesmo sendo diferente, parecia um lugar muito conhecido. Sem perceber se aproximou da parede e começou a esfregar a unha pelo material como se quisesse rasga-lo. Seus ombros estavam pesados e uma sensação ruim tomava seu peito: “— Mate! Mate! Mate! —” Ela sussurravam em sua cabeça trazendo aquela sensação incontrolável ao seu corpo. A prole da morte olhou para cima e revirou os olhos. Não queria ouvia-las, não queria elas perto de si. Sentia a garganta arranhar, suas mãos estremecer e logo sua mão foi até o bolso tocando a adaga fria: — Não vou machucar ninguém. — Disse para si mesma como um mantra, várias e várias vezes.

As vozes começavam a falar cada vez mais alto, sufocando os gritos de Cecília que se agachou no chão, mas não altas suficientes para fazê-la escutar aquele primeiro grito de desespero. Aquele timbre, aquela voz, aquele choro. Ela os conhecia muito bem: — Não! Não! Isso é a minha mente! — Disse para si mesma. Mas quando levantou seu olhar castanho, lá estava ele. Era como se estivesse fora de seu corpo, vendo tudo novamente. O momento que Terik segurou seu braço e depois seus cabelos, o momento em que ele passou as mãos pelo seu corpo ainda sobre o tecido. A morena teve vontade de vomitar e por pouco não o fez, era como se pudesse sentir tudo aquilo novamente. O desespero quando ele a jogou no chão, segurando suas mãos, invadindo seu corpo. Ceci gritou com tamanha força que sentiu as paredes do quarto estremecerem. Suas mãos cravaram no chão com força, arrancando sangue dos dedos dela.

Em sua cabeça um misto de vozes suplicava para que ela o matasse, mas tudo que conseguia fazer era observar aquele maldito abusando de si. Uma aura aterrorizante expandiu através do corpo de Cecilia. Queria mata-lo! Precisava mata-lo. Ele havia a machucado, ela era apenas uma criança, só podia sentir ele machucar seu interior. Um misto de gritos e choro saiu da boca de Cecília que se levantou furiosa sacando uma das armas que portava, a pistola negra. Suas mãos seguravam com firmeza, seu dedo foi para o gatilho e estava pronto para atirar. Mataria aquele maldito em sua mente, de verdade e onde mais precisasse. A filha de Thânatos estava pronta para ceder aos seus impulsos, quando uma outra voz gritou ainda mais alto em sua mente: “— Eu entendo a sua dor. —”  Um calafrio percorreu sua espinha e fez sua mão tremer. Era a voz de Klaus. Mas as vozes voltaram a pedir por mais e mais sangue, mas forte e alto que aquela voz, trazendo novamente a fúria da morena.

Teria atirando, mas quando estava prestes a puxar o gatinho novamente aquela voz familiar ecoou em sua mente, ganhando mais e mais força. Lembrou-se então do seu encontro com a prole de Ares, da forma como ele a olhou, amparou e a ajudou em seu momento de desespero. Da voz dele cantando para acalma-la. Em seguida as lembranças de Santiago tomaram sua mente, seu beijo, seu abraço, a maneira como ele a mantinha protegida. Não suportava aquela loucura em sua cabeça e caiu de joelhos aos prantos largando a arma no chão, as mãos tentavam tampar seus ouvidos, mas havia uma verdadeira guerra de vozes em sua mente, até que uma frase soou mais forte do que todas as outras. “— Eu cuidarei de você Cecilia. Te protegerei. Você não está mais sozinha. —”  As vozes de Santiago e Klaus se misturavam em sua mente, aos poucos tentando lhe tirar daquela loucura.

Sem hesitar, puxou a adaga de Psiquê de sua jaqueta e respirou fundo olhando para a mesma, fechou os olhos e desferiu um único golpe forte, capaz de atravessar sua própria mão, fazendo-a gritar de dor. A dor foi o gatilho que precisava, observou o chão branco se tornar rubro e ergueu seus olhos com dificuldade, mas Terik continuava ali abusando dela. Fechou seus olhos mais uma vez, respirou fundo e lentamente, puxou a adaga, fazendo mais sangue jorrar de sua mão: — Minha dor. Minha dor. Tenho que aprender a lidar com ela. Ele não vai mais me machucar. Eles não podem me machucar. — Murmurou ela ofegante. Guardou a adaga e segurou com força o ferimento, era como sua alma, mas podia cura-la, como a ferida da mão se fecharia. Olhou para aquela cena e fixou seu olhar nela: — Você só existe, porque é uma ferida aberta. Eu vou cicatrizar você. Você não vai existir mais dentro de mim. — Ela girou olhando todos os cantos da sala: — Eu não vou mais ouvir vocês! Sou eu quem está no comando! Eu vou decidir quem vive e quem morre! Não vocês! — Gritou de forma retumbante.

Tais palavras trouxeram imenso alívio a semideusa, como se um enorme peso tivesse saído de suas costas. Fechou os olhos e deixou seu corpo pender para frente, batendo a testa contra o chão gelado, as lágrimas rolavam por seu rosto de modo incontrolável. Estava exausta. Tudo ficou silencioso naquele momento e quando a semideusa ergueu o olhar estava sozinha na sala branca. Havia apenas uma chave no chão, finalmente tudo tinha acabado. Rasgou um pedaço da camiseta branca e amarrou no ferimento, buscando estancar o ferimento, pegou suas armas e por último a chave. Ainda um pouco zonza foi até a porta e a abriu, mas antes de deixar o quarto olhou para trás. Agora tinha certeza de que poderia se manter no controle, mas ainda precisava muito de achar uma forma de fazer isso sem se machucar.

Ao chegar no primeiro andar, quatro semideuses já estavam lá, pelas caras, bem apreensivos já que havia um tempo a cumprir. Todos os olharam para sua mão ensanguentada, com o pedaço da camiseta amarrado. Ela revirou os olhos e bufou: — O que é? Ninguém nunca viu um ferimento não? Eu hein! — Deu mais alguns passos na direção oposta à de todos: — Ainda faltam duas sonsas. Onde elas estão! Quero sair desse inferno logo! — Disse com seu mau humor habitual, mas os poucos que a conheciam sabiam que havia algo mais. Sabiam que algo naquele quarto havia mexido com a prole de Thânatos.

Armas:

• Adaga Psiquica - Uma adaga prateada de 60 centímetros que é feita de um material raríssimo que apenas a patrona possui conhecimento. Essa lâmina é gravada com detalhes do mito de Eros e Psiquê. / Efeito 01: Essa lâmina pode afetar a alma de monstros e semideuses, gastando 30 MP. | Efeito 02: A lâmina gera ilusões, que duram dois turnos gastando 35 MP. | Efeito 03: Se perdida, retorna ao dono em 03 turnos e quando inativa vira um anel de Ying Yang. | Prata, Bronze Celestial | Sem Espaço Para Gemas [PRESENTE POR SE UNIR AO GRUPO]

LE FER: Um par de pistolas de prata idênticas, porém, uma feita de prata e outra de ferro estígio e completamente negra. Entalhadas em suas laterais se encontram linhas curvas e espirais, como uma especie de desenho tribal, e o seu cabo é todo trabalhado em couro. Ambas possuem escritas na base, sendo a da prata "morte" e a da preta "vida". As armas não precisam de balas, uma vez que a energia do semideus é direcionada para ser atirada em forma de projetil, que de primeira, não é capaz de matar, mas causa sérios danos, e, após alguma prática, o semideus aprende a canalizar melhor a energia e transformá-la em um ataque mortal. [PRESENTE DE RECLAMAÇÃO]

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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em em Dom Nov 04, 2018 9:04 pm

Heroes of Olympus



EVENTO ENCERRADO!

AVALIAÇÕES:

SARAH: Parabéns! Seu post foi cativante, utilizou muito bem do jogo mental proposto na narrativa, lutou muito bem contra o seu medo e passou toda a agonia e aflição que a sua personagem estava sentindo naquele momento. Gostei muito de como inseriu sua trama pessoal na narrativa, eu mesmo pensei que o post já tinha acabado quando de repente: VRAU! Simplesmente sensacional. Não encontrei erros na sua escrita, ela foi muito fluída e gostosa de ler. Meus parabéns, filha de Íris!

+ 6000 xp
- 70 de energia


RACHID:

Gosto muito da forma como escreve, utiliza muito bem a primeira pessoa e narra muito bem as emoções e sensações a respeito do que está acontecendo ao redor do seu personagem. Acho que fez um uso muito bom do que lhe foi descrito, senti que teve de lutar muito contra o seu próprio eu para poder se libertar de uma visão que a muito havia sido enraizada dentro do seu próprio pensamento. Quanto a escrita, eu encontrei alguns errinhos que me deixaram confuso vez ou outra mas nada muito grave, tenho certeza que uma revisão arrumaria na certa!

+ 5500 xp
- 70 de energia

AILEEN:

A narrativa da sua personagem por vezes faz ela parecer um tanto quanto frágil mas sempre podemos encontrar um plot onde ela se revela. Nesse post não foi diferente. Fiquei revoltado por deixar o Calvin tratá-la dessa forma mas fiquei muito feliz com o fora que deu nele, passando por cima de todos os seus medos e das suas inseguranças. Não encontrei erros em sua escrita e achei ela fluída e bem elaborada.

+ 5800 xp
- 70 de energia

CECÍLIA:

Sua trama pessoal é bem carregada, cheia de todo um toque de personalidade e traumas bem construídos. Ao trazer um dos traumas de volta era preciso que você utilizasse de toda sua força para conseguir quebrar a barreira e isto foi feito. Gosto muito da forma como descreve a personalidade dela, achando tudo muito chato, muito tedioso mas dando atenção aos detalhes quando precisam ser dados. Não encontrei erros e gostei da escrita, parabéns.

+ 6000 xp
- 70 de energia.

AOS QUE NÃO POSTARAM E TAY: Aguardem o veredito de Hécate, ela ficará com a segunda parte das avaliações.


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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em em Seg Nov 05, 2018 7:16 pm

Heroes of Olympus



AVALIAÇÕES:

TAY: Que orgulho ver você enfrentar seus medos e supera-los, mas ainda mais orgulhosa por ver que sabe reconhecer e valorizar seus amigos. Cada um deles com seus defeitos e qualidades. É necessário muita coragem para enfrentar cada um deles naquela situação, seus olhares e gestos, jamais esperamos a reprovação por parte daqueles que amamos. Adorei sua narrativa, principalmente o ar debochado nas suas palavras e colocações. Não encontrei erros de português, nem outros que merecessem descontos. Mamãe está orgulhosa de você, baby.  

+ 6000 xp
- 70 de energia


SELESNYA: Devido ao não comparecimento no evento a Filha de Hécate será amaldiçoada pela Deusa.  
"The Black Hand of Hecate" -  A mão que abençoa, também é a mesma mão que amaldiçoa. Uma vez que seu valor não seja provado, suas mãos se tornaram mais pesadas para a magia. Meu manto não cobrirá suas costas e até que me prove que eu esteja errada, sua magia mais difícil será. [ Toda mágia realizada gastará o dobro de mp para ser realizada. ]

-90 de energia

REYNA:  Devido ao não comparecimento no evento a Filha de Eros será amaldiçoada por seu progenitor.  
"The Fall of the Angel" - Suas asas são o símbolo de seu pai, mas quando sua ira é despertada, nem mesmo Psiquê pode se esquivar dela, levando-a quase a morte. Aos filhos que se mostram indignos da graça de seu pai, perdem seu bem mais precioso. As asas que ele lhes deu com tanto amor. [ A semideusa fica impossibilitada de usar o poder - "Asas. - Eros era um deus alado, e por isso, quando os filhos de Eros descobrem ser filhos do deus do amor, asas começam a crescer e vão aumentando de tamanho a cada nível. Ainda neste nível dá para voar por baixas altitudes (à partir do nível 5, pode-se voar por qualquer altura)." -  Até que a maldição seja revogada. ]

- 90 de energia



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Re: A CASA DOS HORRORES publicado em

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