Heroes of Olympus RPG

[BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER

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[BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em em Ter Out 09, 2018 8:16 am

Only a Dream

Tópico destinado as BMO's da trama do Calvin Sprouse.
A trama se desenvolve no passado, época em que Calvin ficara longe do Acampamento e longe de sua amada.

Pessoas não autorizadas, por favor não postem neste tópico ou estarão sujeitas a punição.


Calvin Sprouse Filhos de Hipnos
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Re: [BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em em Ter Out 09, 2018 8:24 am

Only a Dream

[19/01/2014]
Hora: 20:47
Temperatura: 18ºC
Local: Praia do Acampamento

Calvin encontrava-se sentado em uma das pedras ali dispostas na orla da praia do acampamento. A lua era cheia, banhando toda aquela pálida areia com um breve tom prateado. O jovem de então 22 anos olhava para o mar a sua frente, tentando enxergar, de forma inútil, a fusão do céu com o mar no horizonte.

Ao seu lado, a prole de Hefesto, Aileen, observava as estrelas, de forma que os pontos coloridos refletiam em suas orbes, desenhando o próprio horóscopo nos seus globos oculares. Ele virou-se para observá-la, de alguma forma estar ali com ela, sem que os outros soubessem, era um sonho e um pesadelo. Aileen era mais nova que ele, bem mais nova, isso o preocupava. Mas ao mesmo tempo era a garota pela qual nunca havia sentido nada parecido. Ficar longe dela, por mais sensato que fosse, era doloroso demais.

Passou o polegar por sua face, de modo a contornar o maxilar alheio e fazê-la olhar para si, com seus olhos claros, prateados devido a luz do luar. Seus cabelos cor de fogo dançavam devido ao vento, ela parecia em chamas. Uma chama viva. A paz que ela o trazia naquele momento fazia com que o mundo lá fora não existisse mais, no entanto, ele sabia que as coisas não eram bem assim. Algo ruim se aproximava. E se aproximava dele.

— All… — Suspirou, parou e olhou sua face confusa por um segundo antes de desistir de confessar seus medos. Era sofrer por antecipação. Ele sabia o quanto isso era ruim e doloroso. — Eu amo você.

Sorriu de canto e puxou-a para um beijo, lento, carinhoso e demorado. Acariciou a pele delicada e macia de sua amada, como que adivinhando que seria a última vez que faria aquilo.

— Também amo você, Cal. — Ela respondeu, dentro do abraço dele. — Está ficando tarde. Acho melhor irmos, meus irmãos vão me matar. — Sorriu divertida.

Calvin levantou-se e caminhou de mãos dadas com ela pela orla da praia, em direção ao chalé de Hefesto.

***

O clima no chalé de Hipnos sempre era morno, o cheiro era atrativo e tudo era confortável. Convidativo para uma boa e longa noite de sono. Mas não naquele dia. Algo gélido estava assombrando o chalé, como que uma força maligna e obscura observando os passos de Calvin, movimento por movimento. Ele observou que seus irmãos dormiam normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Ergueu as sobrancelhas, de forma confusa, imaginou que seria só impressão dele.

Caminhou até sua cama, tirou o tênis, desabotoou a camisa e deitou-se ali, porém, diferente de todas as outras noites, o sono não veio. Como se Hipnos o estivesse castigando. Como se soubesse que a relação com Aileen era algo “errado”. Ele suspirou e remexeu-se na cama, parecendo feita de pedra.

Quando achou que não conseguiria dormir, pela primeira vez na vida, o sono começou a rondá-lo e seus olhos começaram a se fechar. Fios dourados começaram a ser traçados em sua mente, ele sabia exatamente o que era aquilo: as vias oníricas, que formavam o material, a própria fantasia.

Mas algo estava errado, o preto e a destruição dominavam. Como filho de Hipnos, Calvin já estivera ali antes, em sonhos anteriores. Sabia que os reinos de seus irmãos não eram daquela forma. Phantasus possuía florestas e mais florestas, com árvores, flores e bosques. Morfeu possuía um grande castelo de tons claros e dourados. Aquilo, ele sabia, só poderia ser obra de uma pessoa. Ou melhor, um deus. Phobetor.

O solo abaixo de seus pés começou a se formar e ele pôde apoiar-se para caminhar ao redor. Tudo era destruição. Apenas cinzas, pedras e pó. Galhos queimados de árvores mortas formavam uma floresta vasta, ruínas do que seriam construções ocupavam os descampados e, mais a frente, um castelo de lajotas negras começava a se mostrar presente, tão incerto quanto a fumaça de um incêndio. Calvin engoliu em seco e levou as mãos a cintura, por instinto, ali encontrou suas adagas, banhadas no Lete.

A inicial miragem começou a ganhar forma, foi materializando-se aos poucos, a maneira que a prole de Hipnos se aproximava. Foi então que um arrepio fez o garoto virar-se e deparar-se com seu irmão mais velho.

Phobetor estava diferente desde a última vez que haviam se visto. Trajava um elegante terno, sua pele estava mais firme, os cabelos negros estavam reluzente. Estava mais poderoso, sem duvidas.

— Irmão! — Falou com o sorriso debochado de sempre. — A que devo a honra de sua presença?

Calvin apertou o cabo de sua adaga esquerda, de forma que os nós dos dedos ficaram mais claros, ergueu o queixo e encarou o irmão. Sabia que era só um moleque em relação ao mais velho, mas, demonstrar fraqueza seria a última coisa mais inteligente a se fazer.

— O que está acontecendo? Onde estão Phantasus e Morfeu?

Phobetor cruzou os braços e revirou os olhos. O ato fez os destroços da ruína mais próxima despencarem de vez, reduzindo-se a cinzas.

— Fantasia, sonhos bons, onde estão? Cadê a bondade? O refúgio mental? Arg, babaquice! — De alguma forma o deus conseguiu se tornasse maior e mais ameaçador a cada palavra, fazendo com que Calvin recuasse um pouco. — Eu cansei! Sabe o que dá poder a um deus, jovem Calvin?

O garoto encarou o irmão mais velho sem dizer nada por um tempo, mas, em sua mente veio os dizeres que lera em um livro muito antigo.

— A crença das pessoas nele.

— Exato. Quanto mais seu nome for dito, quanto mais pensarem nele, mais forte ele fica. As pessoas sempre tem sonhos bons, com coisas boas. Logo, Phantasus e Morfeu seria poderosíssimos você deve supor. Mas os pesadelos existem também, com tanta frequência quanto os sonhos. E se os sonhos ficarem extintos, eu começarei a me tornar mais forte e mais poderoso. Certo? Hipnos entrará em desequilíbrio e em breve só haverá um deus. E eu serei ele.

Phobetor agora estava com quase dois metros de altura, se aproximava de Calvin e retirava de sua cintura algo semelhante a uma espada. A lâmina era negra e fina, porém, cheia de pesadelos e horrores, tão afiada quanto suas adagas, tão mortífera quanto o próprio Thanatos.

— O que vai fazer, Phobetor? — Calvin afastou-se ainda mais dele, sabendo que uma batalha ali seria inviável.

— Vou roubar sua alma, assim como fiz com seus irmãos. — Sorriu, como se fosse algo óbvio.
Calvin então fechou os olhos, guardou as adagas do lete, pegou a faca de bronze que ganhara logo ao entrar no Acampamento e cortou a palma de sua mão.

— Nem pense nisso! — O deus gritou, aproximando-se com mais velocidade do garoto.

Mas a aura de Calvin já começava a se desfazer, ele estava acordando.

— Maldito, Sprouse! Não vai conseguir se livrar de mim! Não vai conseguir ficar sem dormir! Na próxima vez que cair no sono, sua alma será minha! Não haverá mais nada…

Não houve tempo de ouvir o resto da frase. Calvin acordou suspirando pesadamente, parecia que havia corrido uma maratona. Estava todo suado, o coração batendo a mil. Levantou-se e foi ver seus irmãos, tentar acordá-los. Mas, para seu temor, estavam como imaginou que estariam: em estado vegetativo. Phobetor havia começado o seu plano.

Rapidamente o jovem calçou os tênis e saiu porta afora, o sol começava a nascer. Caminhou às pressas até a casa grande e quando ia bater na porta, Quíron a abriu e o encarou como se já o esperasse.

— Eu sei, entre. — Falou simplesmente.

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Re: [BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em em Ter Out 09, 2018 10:10 pm

Heroes of Olympus

Calvin. Apenas estou sem palavras. Somente isso. A única coisa que posso fazer, é apreciar essa baita BMO. Poste mais, eu quero mais, quero ler mais, quero saber o que aconteceu com Calvin, quero ver mais dos planos de Phobetor, quero ver com Calvin resolveu isso. EU QUERO MAIS!

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Re: [BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em em Qui Out 11, 2018 9:12 pm

Only a Dream


[12/01/1997]

A noite estava iluminada apenas pelo brilho opaco das estrelas, sinal de que a lua não estava presente e sim oculta em seu estado de lua nova. Natalie, uma jovem de cabelos arruivados e pele clara como uma porcelana, chorava na beira de um porto em Miami. Estava sozinha, desamparada e a família estava muito aborrecida. Em parte devido ao casamento que a mesma havia posto por água abaixo e em parte por perder o grande dinheiro que seu noivo tinha a oferecer.

Havia dito não naquele altar com a força de suas palavras pois tinha descoberto que o noivo a traíra e continuaria mesmo após o casamento. Dinheiro algum em sua vida poderia comprar algo como aquilo, era repugnante.

Suas lágrimas caíam na água fazendo-a ondular de leve e então, ouviu passos vindos de algum lugar atrás de si. Quando virou-se para olhar o autor, ou autora, deparou-se com um belo rapaz aparentemente com a mesma idade que ela. Seus cabelos eram negros e bagunçados, seu corpo definido, barba por fazer e pele bronzeada. O que mais chamou atenção naquele homem foram seus olhos, lindos olhos verdes hipnotizantes e capazes de levar qualquer uma a loucura.

Quando deu por si, o homem estava sentado ao lado dela com um sorriso tímido em seu rosto.

— Se não se incomodar, gostaria de fazê-la companhia. — Falou o mesmo de forma galanteadora.

Ela encolheu os ombros, tímida, e limpou os olhos marejados com as costas da mão. Em um gesto cavaleiro, ele se aproximou dela e limpou outra lágrima que insistia em cair por seu rosto lindo como uma escultura grega.

— Não chore, nenhum homem vale as lágrimas de uma mulher. — Ele falou.

Natalie não sabia o que estava acontecendo com ela, a beleza daquele homem estava a afetando e a dor de ser traída estavam mexendo com seu interior de uma forma que ela não se conteve mais nenhum segundo, e, quando deu por si, estava nos braços daquele desconhecido beijando-o como nunca havia beijado um homem antes.

[12/10/1996]

Nove meses depois daquele homem ter entrado em sua vida e ter depositado sua semente dentro dela, Natalie estava pronta para trazer a vida o garoto que seria sua única lembrança daquela noite. Não tinha notícias dele há um tempo, mas, bem sabia o porquê. Como escritor, ele vivia de viagens e temia muito pelo mesmo, temia que um acidente viesse a acontecer e sempre que o alertava o homem ria com isso e dizia para que ela não se preocupasse.

Havia mudado-se para próximo a praia, em uma cabana rústica de frente para o mar, Jonathan – era assim que o conhecia – havia dito que seria o local perfeito para que começassem uma vida nova, e, apaixonada como estava, não negou. Sua família não gostou nem um pouco do que viu, mas também não falou nada a respeito, simplesmente fingiram que ela havia morrido ou coisa do tipo.

Estava sentada em uma cadeira de balanço na varanda de sua cabana bordando um novo pijaminha para o bebê que estava por vir. Como não sabia o sexo da criança, estava utilizando linhas verdes, a cor do mar. Foi então que sentiu uma forte dor e largou o que estava fazendo no chão pondo as mãos sob sua barriga com uma careta de dor.

— Socorro! — Ela gritou o mais alto que pôde e assim que ouviram, os pescadores correram ao seu encontro e a deitaram no chão. — Está nascendo! Oh meu deus, está nascendo!

Os pescadores se entreolharam e ao perceberem a grande barriga da mulher e o sangramento que se iniciava em suas partes baixas, começaram a despi-la e auxiliá-la a fazer força, para que dessa forma o bebê pudesse nascer sem problemas.

***

Quarenta minutos de esforços resultaram em uma pequena criaturinha de pele branca e cabelos negros – assim como os do pai – e os olhos verdes como esmeralda. Os pescadores se entreolharam felizes e assim entregaram a criança a mãe.

— Natalie, é um garotinho! — Um deles falou.

Quando a mãe viu o semblante do bebê, achou que era a mulher mais feliz do mundo. E talvez fosse, naquele momento.

[14/05/2003]

Com seus então sete anos, Calvin estava arrumando-se para ir a escola. Não estava tão empolgado visto que não gostava muito de deixar a mãe sozinha em casa. Vestia uma camiseta branca com a insígnia da escola e uma calça jeans e, com sua mochila nas costas, desceu as escadas ao encontro da mãe que fitava o vazio na cozinha.

— Mãe? — Ele falou parando de repente e olhando-a serenamente.

— Oi filho, vem cá. — Ela o chamou e lhe deu um abraço apertado.

— Pensando de novo no meu pai?

— Sim. — Ela o olhou e acariciou sua face. — Você se parece tanto com ele. — Falou lamentando-se, como se a culpa fosse dela.

— Não, mãe. Eu nunca a abandonaria. — Ele falou sério, pegou uma maçã que estava em cima da mesa e saiu.

Como a escola que ele frequentava era próxima a casa em que morava com a mãe, a mesma não fazia muita questão de vê-lo ir sozinho, até mesmo por quê ele fazia questão de ser independente.

Fazia o mesmo percurso todos os dias: atravessar duas quadras e mais uma rua, e então, estava entregue nas portas de sua escola. Bom, naquele dia não foi a mesma coisa.

Ele estava ainda iniciando sua caminhada quando ouviu um barulho muito estranho que o fez parar repentinamente. Olhou para um lado e para outro assim como para trás. Não havia nada. Engoliu em seco, nunca fale com estranhos, e continuou a caminhada silenciosamente até que o barulho se repetiu.

Dessa vez, quando ele parou, deparou-se com um grande homem de vestes negras o olhando. Ele tinha um olhar ameaçador mas não foi isso que o assustou. Sua pele era branca como neve, os olhos de puro breu e os dentes afiados como navalhas.

— Que coisa é essa? — Ele falou mais para si mesmo que para ele e então ele o respondeu com um sibilar.

O coração do garoto palpitou e ele piscou diversas vezes, continuando sua caminhada. Mas o sibilar continuava em seu ouvido, como uma sombra que vinha acabar com suas lembranças felizes. A ideia de que poderia ser uma brincadeira ou sua imaginação evaporou de sua cabeça e ele largou a mochila ali mesmo voltando correndo o mais rápido que pôde de volta para sua casa.

***

— Mãe?! Mãe?! — Ele entrou gritando exasperado.

— Calvin, o que houve? — Ela falou empalidecendo.

— Eu vi mãe, um homem. Ele dava medo mãe, muito medo. — Ele a abraçou chorando.

Ela o abraçou e tentou consolá-lo, mal sabia que aquela era apenas a primeira vez.

[29/09/2003]

Após a aparição do estranho homem em sua frente, Calvin não estava mais em condições de ir para a escola sozinho. Tinha medo de fazer qualquer coisa sozinho e até mesmo de dormir. Talvez devido ao fato de ser muito jovem ou talvez ficasse assim para sempre.

Sua mãe o acompanhava, mais uma vez, a escola naquele dia e então ele viu a segunda aparição vinda para frustrar suas lembranças. Parecia um cachorro comum só que bem maior. Seus dentes brilhavam e seus olhos estavam vermelhos como sangue. A baba escorria de sua bocarra e ele olhava fixamente para Calvin. De alguma forma ele conhecia aquele sorriso, sabia que, por mais bizarro que fosse, era o mesmo homem que havia o atormentado antes. O cachorro começou a caminhar em sua direção e de suas patas, sombras negras se erguiam para alcançar Sprouse.

— Mãe, mãe! — Ele gritou atraindo a atenção de todos na rua. — Olha mãe, olha!

Apontando para o que pareceu o vazio, sua mãe tentou ver algo mas não havia nada. Ela checou sua temperatura e viu que ele estava muito quente. Aquelas supostas visões não poderiam ser normais então, ela decidiu levá-lo ao médico.

***

Graças ao plano de saúde pago todo mês, tiveram a oportunidade de conseguir uma consulta no mesmo dia da segunda visão. O médico chamava-se Charles e era especializado em casos que envolvessem a mente. Calvin não estava feliz em estar ali, mas, sua mãe o havia dito que se se comportasse direito ele deixaria de ver as coisas feias que o perseguiam.

— Sprouse? — O médico chamou.

O garoto e sua mãe levantaram-se e dirigiram-se a sala do doutor. O homem já era um pouco velho, aparentava uns quarenta anos e estava com uma barba um pouco longa, na opinião do garoto. Ele pediu para que o jovem se sentasse em uma maca que mais parecia uma cama e então, começou a fazer várias perguntas ao mesmo.

— O que você vê, jovem? — Ele perguntou com um bloquinho em mãos, onde anotava tudo.

Cal hesitou um pouco e olhou para sua mãe, que, fez um sinal de encorajamento para que ele continuasse.

— Coisas. — Falou simplesmente.

— Que tipo de coisas? — O doutor insistiu.

— Coisas que as pessoas dizem não estarem lá, mas eu as vejo. Sei que estão. — Ele fez uma pausa e continuou, agora mais confiante. — São coisas feias, horríveis. Nem os piores filmes de terror poderiam dizer como são.

O doutor olhou para cima dos óculos para onde sua mãe estava e fez um gesto negativo, pelo que ela o havia contado e pelo histórico que Calvin tinha lhe narrado, ele tinha um veredito, porém, precisava de uma última prova.

— Vou pedir que faça uma tomografia. Só assim terei certeza. — Ele falou para a mãe do garoto.

— Mas já sabe o que é, doutor?

— Sim, mas creio que seja melhor contar com todas as respostas em seus devidos lugares.

Ela apertou a mão do doutor e saiu de sua sala, aflita.

***

Duas semanas haviam se passado quando o dia da tomografia chegou. Como nunca havia feito um exame como aquele, Sprouse estava com muito medo. Seguiu a mãe até o carro do vizinho e namorado e então os três foram para o laboratório.


O doutor os estava esperando novamente com um caderninho em mãos e olhando atentamente para a criança a sua frente.

— Vamos? — Perguntou simplesmente.

— Sim doutor, vamos.

Cal teve de passar por uma ala e tirar suas roupas e metais substituindo-os por roupa hospitalar que o deixavam parecendo uma mulher.

— Não gosto disso. — Ele falou para sua mãe.

— Nem eu, mas é preciso. — Ela lhe deu um beijo na testa e se afastou.

O doutor o conduziu até a sala e o deitou na máquina indo para atrás de uma parede de vidro e mexendo em um botão ou outro para que a máquina ligasse primeiro. Calvin ficou nervoso.

— Durante o exame, por favor evite se mexer, tudo bem? — Ele falou e o garoto assentiu.

A maca onde ele estava deitado entrou em movimento o levando para dentro do equipamento barulhento. Sprouse respirou profundamente três vezes e fechou os olhos tentando relaxar.

Quando estava dentro da máquina e ouviu aquele barulho mais alto ocultando o que se passava lá fora, seu cérebro começou a se comprimir e seu corpo doer como se labaredas de fogo o lambessem. O ar parecia podre e quando abriu os olhos foi como se estivesse amarrado em uma cadeira com coisas horríveis o olhando com água na boca. Aranhas subiam por suas pernas e cobras se enroscavam em seus braços.

Ele começou a gritar e gritar e então a máquina parou o tirando dali.

Calvin estava pálido e sangue escorria de seu nariz.

— Esquizofrenia. — O médico disse olhando para sua mãe que segurava o garoto pelo lado direito.

— O que?! — Ele perguntou ao médico mas já não era o doutor, o mesmo homem de pele pálida e dentes vampirescos sorriu para ele. Estava alterando suas lembranças. Phobetor era um miserável.

[10/07/2006]

Três anos haviam se passado desde o veredito do doutor. Três anos sem sair de casa e tomando remédios controlados todos os dias.

O garoto elétrico e animado havia se tornado um pálido fantasma que não saia de dentro de seu quarto a não ser para circular por dentro de sua casa.

Os médicos pensavam que ao viver dopado ele melhoraria daquilo que estava passando, não seria curado, mas, ao menos melhoraria. Estavam errados.Suas lembranças alteradas por Phobetor, fazendo-o viver os 21 anos de sua vida em forma de sonho, ou melhor, pesadelos. Claro que os médicos não diriam isso e até mesmo não sabiam então, deram um veredito errado e acabaram por destruir a mente do pobre Calvin.

Os professores tinham de vir dar aula em casa para o garoto, mas, era inútil visto que ele não tinha interesse por mais nada em sua vida. Sua mãe chegou cedo naquele dia e foi até o quarto dele. Ela viu a massa cinzenta em cima da cama e com um aperto no peito o falou.

— Vamos embora daqui.

— E daí? — Ele a perguntou.

— Nada de remédios. Você estará livre. — Ela deu um sorriso e um beijo na testa do mesmo.

Talvez em três anos, aquele houvesse sido o único momento em que realmente se sentiu feliz.

[10/07/2007]

Um ano sem remédios, um ano sem estar em estado de massa cinzenta. Um novo garoto parecia ter nascido, fazia as coisas sozinho, ficava longe de casa e até começava a arriscar fazer alguma coisa sozinho como ir a escola ou pagar as contas de sua mãe. Nunca pensou que seus remédios o pudessem deixar tão livre como estava se sentindo.

Ainda via coisas e as sentia, às vezes estava de bom humor mas cinco segundos depois isso mudava. Discutia com paredes e com portas, brigava com melhores amigos como se não os conhecesse e todos tinham de tentar entendê-lo, ele não era o tipo de pessoa normal.

Sua mãe, apesar da loucura do filho, estava mais feliz por tê-lo novamente vivo, e, embora as pessoas a julgassem por isso, ela não dava a mínima.

Com as lembranças embaralhadas, Calvin já não sabia mais o que era real ou imaginário, já não sabia que aquilo era parte da trama de Phobetor ou realmente acontecera. Seus pensamentos foram distorcidos e ele simplesmente não conseguia acordar.


[18/08/2014]

Estava um dia claro e Cal estava na varanda de sua casa descascando uma laranja para comer quando ouviu um barulho. Dessa vez ele sabia que não era fruto vindo de sua imaginação, sabia que tinha algo de errado acontecendo.

Olhou para um lado e para o outro antes de se levantar erguendo a pequena faca que tinha em sua mão junto a si.

— Mãe? — Chamou na esperança e que fosse a mulher.

— Oi filho? — Ela saiu de dentro de casa enxugando as mãos e pareceu empalidecer quando olhou além do garoto. — Meu deus, você estava certo!

Ele virou-se repentinamente e se deparou com o grande cachorro o fitando com a boca salivando.

Esquizofrenia... Você é louco! Não há nada aqui querido... Você está se sentindo bem? … Hora do seu remédio, Czar... Filho, aonde vai? Não, olhe se está chovendo... Louco... Louco... Louco... Louco... Eu não estava louco… As vozes surgiram na cabeça de Calvin, misturando o real ao imaginário, colocando partes da história de outra pessoa na sua.

Uma fúria cresceu dentro do garoto e ele saltou para cima do animal sedento de sangue. Não sabia o que havia dado em sua cabeça mas sentia raiva daquela coisa por ser tudo culpa do mesmo. Os remédios, os médicos, às pessoas o chamando de louco, ninguém querendo chegar perto dele. Mas, principalmente, o fato de não saber mais o que era verdade.

A fúria fazia seus músculos doerem e seu corpo estremecer. Com a pequena faca que tinha em sua mão, o garoto levou-a cegamente para os olhos da criatura os furando. Sua mãe gritava para ele sair dali e fugir mas ele a ignorava.

Loucura...Loucura...Loucura... Você é louco! Não toque em mim! Saia daqui, seu doente! … Louco... Louco...

— Aaaah. — Ele envolveu o animal com seus dois braços o enforcando e puxando-o cada vez para perto de si.

Foi então que duas criaturas chegaram no local. Um homem de cabelos prateados e olhos azuis e o outro de cabelos dourados e olhos verdes. Este era um garoto e se aproximou de Calvin com uma arma reluzente em mãos, parecia uma espada. Jogou-a na direção dele, que não sabe como conseguiu segurar, e caiu do dorso do animal no movimento.

O cão se aproximou dele com os dentes a mostra e os olhos furados, também estava furioso. O garoto segurava a arma tremulamente e ergueu-a. Então o animal se engalfinhou nele e por reflexo ele bateu com a espada na barriga do animal.
Em um segundo havia uma massa marrom de cerca de quarenta quilos em cima dele, no segundo seguinte apenas pó negro o envolvia.

— Phobetor está fora de controle. — Falou o homem de cabelos brancos. — Irmão, nós temos de agir.

— Sim, nossos domínios estão fracos. Vê? Ele consegue invadir os sonhos, trocar lembranças, confundir a própria realidade. — Falou o outro, inconformado. — Eu e Morfeu não podemos ficar parado. Sabemos que o pai tem uma ligação forte com você também.

— Calvin. — Morfeu iniciou. — Você tem que liderar os cavaleiros oníricos. Tem de convocar outros para nos ajudar a manter o equilíbrio.

— Phantasus, Morfeu, eu não posso. — Ele suspirou. — O pai já fez muito.

— Nós sabemos. — Disse Phantasus. — Mas talvez possamos conseguir a cura.

— Não brinque comigo, irmão.

— Ele não está brincando, Calvin. — Falou Morfeu.

— O tempo se esgotou. Vá irmão. Nos vemos em breve. — Despediu-se Phantasus.

Os olhos de Calvin abriram e ele se viu novamente no chalé, totalmente suado e ofegante, praguejando-se por ter se rendido ao sono novamente.

INFO:


~Bom, sei que pode ter ficado um tanto confuso, mas, o que acontece.
Quis contar um pouco da história do Calvin, porém, suas lembranças estão distorcidas pois elas aconteceram em forma de sonho e Phobetor acabou as alterando. Por isso, parte realmente é verdade e parte não. Calvin de fato não sabe distinguir o que seja ou não verdade, isso nós vamos desenvolver no decorrer da BMO.

Segunda coisa, Phantasus e Morfeu estão bem frágeis mas conseguem se comunicar com Calvin e dar uma introduzida em como ele vai agir (o de cabelos brancos é Morfeu e o de cabelos dourados é Phantasus).

RECOMPENSAS:

~Como recompensas eu queria exp e a entrada no grupo dos cavaleiros oníricos como Líder. Se não me engano, a posição de líder é o Sono.


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Re: [BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em em Sab Out 13, 2018 5:02 pm

Heroes of Olympus

Não vou fazer muito comentário, pois não é meu forte, mas vou deixar a avaliação, apeasr da gramática perfeita, esqueceu algumas vírgulas e uma crase e teve alguns errinhos de concordância, a entrada ao grupo será concedida, entretanto, a liderança, necessitará pelo o teste de liderança no nivel 10.
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Re: [BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em em Seg Out 22, 2018 9:35 pm

Only a Dream


O frio dominava seu corpo, fazendo-o tremer quase que de forma involuntária. Sua cama parecia dura, arenosa e desconfortável. Quando Cal abriu os olhos percebeu que já não estava em seu chalé, e sim em uma espécie de casebre, ou melhor, cabana. O garoto levantou-se lentamente, ainda um pouco atordoado devido ao sono, passou a mão por seu rosto e levantou-se de forma cuidadosa, observando tudo à sua volta.

O casebre era completamente feito de madeira, desde o piso, paredes e até mesmo o teto. Era uma construção sem adereços ou pinturas, talvez um chalé para quem quisesse acampar, bem talvez. Não havia mais nada ali, com exceção de uma mesa no centro do lugar, mas o que impressionou o rapaz foi o fato de seus pertences estarem ali: Suas armas gêmeas e seu sabre.

Ele olhou novamente ao redor, tendo a sensação de que estava sendo observado, suspirou e pensou: isso só pode ser mais um jogo dos deuses, espero que não seja Phobetor me testando novamente.

Calvin pegou seu sabre, deixando-o nas costas. Suas armas ele colocou na cintura, no cinto. Agora estava parecido com uma versão turista do motoqueiro fantasma, em meio ao casebre conseguiu dar um sorriso.

Ao lado de seus pertences havia um bilhete um tanto amassado, escrito com caneta vermelha, ou melhor, ele esperava que fosse caneta vermelha, mas sabia que tudo era possível no mundo dos deuses.

Encontre a origem do distúrbio e poderá voltar para casa! Ass. P.

Mas quem diabos seria P? Poderiam ser várias pessoas… Inclusive seu irmão. Ele suspirou e revirou os olhos, internamente feliz pela atenção do mais velho.

A prole de Hipnos caminhou em direção a porta de entrada do casebre e levou sua mão a maçaneta, percebendo que ela estava demasiadamente fria. Suspirou e fechou os olhos, fazendo uma prece silenciosa aos deuses para que tudo desse certo e ele pudesse voltar mais uma vez para Aileen.


Ao abrir a porta ele deparou-se com uma floresta imensa, as árvores se sobrepondo umas sobre as outras, a escuridão da noite fazendo com que objetos bizarros brotassem no campo de visão da prole do deus do sono. Ele sorriu e agradeceu ao pai por sua habilidade de poder enxergar no escuro.

Sprouse suspirou e levou a mão ao cabo de seu sabre, preparado e atento a qualquer barulho e a qualquer movimento. Seus passos estavam silenciosos como a própria escuridão, rezou em agradecimento ao seu pai por tal habilidade e, quando olhou para os pés, os viu envoltos a pequenas labaredas azuis. Os famosos passos arcanos.
O semideus não sabia ao certo para onde seguir, não fora dito no bilhete, teria de usar seus instintos. Ele fechou os olhos e respirou fundo, atento a toda a escuridão a sua volta. Sabia que tinha facilidade de se locomover em labirintos e em fortalezas, nunca tentara ao ar livre e temia que não funcionasse.

Calvin tentou sentir a presença da Força, o lado negro sempre fora mais favorável, mais fácil e, para ele, mais acolhedor. Lógico que as consequências eram devastadoras, Hipnos havia privado-o de amar, mas, com os sacrifícios corretos, podia-se viver com ela.

Ele ficou atento a presença da Força na floresta, tentou localizar-se por suas sensações, sua intensidade. Foi então que sentiu uma pontada no peito, algo indicando-o para ir para o norte, uma sensação fria, gélida e maligna. Era isso que o atraía. Calvin colocou um sorriso em seus lábios e abriu os olhos, sabendo exatamente para onde caminhar.

A floresta parecia se fechar cada vez mais, as árvores oscilavam como em dúvida se deveriam ou não existir. O ar também ficava cada vez mais gélido, fazendo a respiração da prole de Hipnos formar uma pequena onda de vapor a cada vez que ele suspirava.

Foi então que ele ouviu passos. Imediatamente Calvin ficou imóvel, puxando o arco das costas e o posicionando a sua frente. Foi andando de costas até chegar perto o suficiente de uma árvore, e, ao encostar suas costas nela, conseguiu se camuflar.

A criatura parecia se aproximar aos poucos, farejando. Suas patas faziam pouquíssimo barulho em contato com as folhas secas. Sua respiração e seus batimentos cardíacos também estavam controlados, não haviam dúvidas: era um cão infernal. Cal suspirou em alívio, afinal, já enfrentara outros cães infernais antes, tanto em treinos quanto em outras missões.

Ele saiu cuidadosamente detrás da árvore, ainda utilizando seus passos arcanos, seu sabre uniu-se em seu braço e uma máscara começou a ser desenhada em seu rosto. O cão movia-se lentamente, como se o procurasse. Cal tentou deixar sua respiração o mais lenta possível, para que a criatura não o percebesse. Com a mão livre, pegou uma das armas de sua cintura, mirou no animal e se preparou para puxar o gatilho.

Fechou um de seus olhos e então soltou o dedo, fazendo a bala ir de encontro com o… Havia sumido! Quando a bala atravessou o cão, ele não de desintegrou em pó, pelo contrário, ainda estava bem nítido. Vários corvos negros como a noite haviam saído de sua antiga forma, não só ganhando os céus como também transformando-se em harpias, sedentas pelo sangue da prole de Hipnos.

— Mas que porra é essa? — Falou mais para si mesmo que para as criaturas à sua frente.

Sprouse engoliu em seco e pôs seu sabre de novo nas costas, provavelmente aquilo não adiantaria muita coisa. Eram muitos alvos. Ele logo puxou a gêmea de seu cinto e começou a correr o mais rápido que pôde na direção das mulheres aves.

A primeira se aproximou dele, com garras à mostra. Cal levou rapidamente o braço para trás e o trouxe para frente, desenhando um arco, que, ao atingir o monstro, o desfez em pó. Dessa vez mandando-a para o Tártaro.

Ainda faltavam muitas, era difícil saber quantas. O semideus praguejou em grego antigo e continuou correndo, com seus passos arcanos, tentando não chamar tanta atenção. As harpias o rodeavam, como urubus em torno de carniça.

Mais duas vieram ao seu encontro, Sprouse ergueu seu braço novamente e desferiu um arco com a pistola, fazendo com que ambas virassem pó. No entanto, o ato deixou uma brecha aberta para um novo ataque e ele não se deu conta quando uma veio por trás e fincou as garras em seus ombros. A prole de Hipnos urrou em agonia quando fora erguida pelo monstro, apenas através de suas garras.

As irmãs da harpia que o carregava logo vieram para cima, todas de uma vez. Calvin ergueu sua pistola e começou a desferir arcos aleatoriamente, ora acertando ora passando longe do alvo. Teve de puxar o sabre de suas costas e começar a golpear as que chegavam perto demais do seu rosto, tentando, no mínimo, cegá-las. Suas pernas também chutavam freneticamente as outras que tentavam disputá-lo com a que o carregava.

Vendo que suas armas não eram aptas para derrotá-las, o semideus fechou os olhos e tentou absorver o máximo de escuridão que pôde dentro de si e soltou um grito gutural que fez com que todos os seus ossos desestabilizarem. Seus olhos ficaram completamente brancos, assim como tudo a sua volta. Era como se estivessem em pleno vácuo, em pleno nada.

Calvin então pegou seu sabre e começou a desferir arcos nas harpias temporariamente cegas, fazendo com que a escuridão ficasse salpicada por várias estrelas amarelas: o pó dos monstros que ele estava matando.

Não soube ao certo quanto tempo ficou preso ali, no automático. Erguendo e baixando seu sabre, fazendo com que as criaturas se desintegrarem, mas, quando terminou, estava atordoado e suado, praticamente febril. O rapaz respirou profundamente e desenrolou o sabre de seu braço, fazendo a máscara se desfazer, ainda sentindo o sangue quente escorrer por suas costas.

Sprouse cambaleou até uma árvore mais próxima e encostou-se ali, ofegante. Fechou os olhos e concentrou-se nas sombras a sua volta, fazendo-a ir de encontro ao seu corpo, o sonho e a matéria ao redor começavam a curá-lo. O lado negro da Força o fazia bem, até, cuidava dele e mantinha-o são. Mas não podia se entregar.

Não sabia quanto tempo havia passado ali, parado, a escuridão não havia se movido. Era como se a noite, ali, fosse eterna. A prole de Hipnos ficou com medo de estar imerso no próprio Tártaro, como havia ido parar ali, era uma ótima pergunta.


O jovem semideus recomeçou a caminhar pela floresta, tendo em mente que seus instintos o mandavam seguir sempre na direção norte. Usando novamente de seus passos, ele obedeceu atentamente sua voz interior, indo sempre em frente, naquela direção.

As formas ao seu redor começaram a oscilar novamente: ora pareciam com a floresta do acampamento, ora com uma floresta completamente desconhecida. Os sons também não ajudavam na concentração do semideus: podia ouvir a cantoria dos campistas ao redor da fogueira assim como o sibilar das criaturas sinistras que poderiam estar a sua espreita. Seus olhos ficaram pesados conforme caminhava, como se, só então, tivesse se dado conta do quão cansado estava.

E, nesse compasso, Cal deparou-se com uma construção rochosa. Diferente do casebre em que acordara, aquele lugar era, aparentemente, natural. Parecia uma caverna. Ele foi seguindo a rocha até encontrar uma abertura e perdeu o fôlego quando sentiu a atmosfera do lugar.

Era como se ali fosse a fonte de todo o material do lugar, de todo o físico. Talvez isso explicasse a oscilação das árvores e dos sons, o semideus podia estar imerso em um universo paralelo, ou, quem sabe, em um sonho. A origem do distúrbio.

Aquilo tinha de ter algo a ver. Ele não caminhara até ali em vão.


A caverna estava mais escura que o resto da floresta, parecia que Cal estava de volta em sua bolha de vácuo puro. O semideus pôs-se próximo a parede de rocha, para tentar guiar-se. Estava muito escuro até para ele mesmo.

Conforme ele caminhava, mais cansado ficava, o cheiro e o som do lugar estavam mexendo com sua mente. Mente!

Era um jogo, pensou Calvin. Alguém estava tentando persuadi-lo a pegar no sono ali. Como semideus de Hipnos, Sprouse aprendera a controlar sua mente para que ninguém conseguisse penetrá-la. Deveria estar tão distraído que nem deu-se conta.

O rapaz fechou os olhos e concentrou-se em sua própria mente, imaginando-a como um imenso cofre de banco, que, sem querer, estava com a porta aberta. O jovem, então, forçou-se a fechar a enorme e pesada porta e girar a tranca de segurança, embaralhando os números para que sua sanidade ficasse protegida.

Quando o semideus abriu os olhos novamente ficou demasiadamente impressionado, a escuridão do local já não estava mais tão intensa, de forma que ele podia enxergar onde estava e para onde ir. Calvin não estava sozinho.

O garoto retirou suas armas da cintura e voltou a caminhar na direção em que a luz se projetava, sempre a frente.

***

Cal caminhara por cerca de meia hora sem parar. A caverna foi ficando cada vez mais clara e calorosa, de modo que o semideus suava feito um porco. Sprouse encontrou uma espécie de câmara no fim da caverna, como uma saleta de pedra.

Em seu centro havia um sabre prateado, banhado pela luz do luar, que adentrava por uma fenda no teto.

— Estranho, lá fora não havia lua… — Pensou em voz alta.

Foi então que um ser, atrás de si, falou.

— A lua, assim como a luz, só existe para aqueles que acreditam.

O semideus virou-se rapidamente, deixando sua corrente em punhos. O autor da voz era um jovem, aparentemente mais jovem que ele e extremamente pálido. Seus olhos eram fundos e de um azul perturbador. Seus cabelos eram loiros e desgrenhados, tão doentios e maltratados que pareciam palha seca.

— Calma, jovem. Para que a pressa? — O jovem sorriu. — Por que não senta e toma uma xícara de chá?

Cal conhecia bem o tom que o outro estava usando. Era o tom de quem deseja persuadir. Sua mente estava blindada contra tal feito mas ele não deixou de ficar impressionado com os poderes do jovem.

— O que pensa que está fazendo?

O garoto fez um gesto de negação com a cabeça e revirou os olhos em resposta. Como se aquilo respondesse todos os questionamentos da prole de Hipnos.

— Não vê? O sonho é subestimado, Calvin. As pessoas não dão ouvidos. Não se importam, acham que não é real, menosprezam.— O garoto ficara furioso, começara a caminhar de um lado para outro, gesticulando vorazmente.— E o que ganham em troca? Sonhos fofos, com unicórnios ou até mesmo presságios e visões futuras. Ah! Que se danem!

O garoto fez menção a se aproximar de Cal mas o mesmo ergueu sua arma em aviso e ele ergueu os braços em um gesto de defesa.

— Calma, cavaleiro, calma! Não somos inimigos! Você e o pesadelo caminham lado a lado, esqueceu? O que mais seria o sono que não o pior pesadelo? — O jovem riu doentiamente, fazendo os pelos do braço de Sprouse se arrepiarem. — Os deuses gostam de brincar com nós, rapaz! Não vá para o lado deles. Queira poder! Você é a pessoa ideal para para me ajudar. Juntos nós poderemos absorver as almas de vários mortais e até semideuses. Podemos construir qualquer coisa aqui!

— Quem é você para tentar me convencer de algo? — Cal perguntou, enfim.

— Phobetor, claro, filho de Hipnos. Eu que o trouxe aqui.

Aquilo não fazia sentido nenhum. Cal acordara em uma cabana, com um bilhete escrito por P, depois caminhara pela floresta tendo um pressentimento de que algo estaria naquela direção, e realmente estava, mas se Phobetor queria a ajuda dele, por que havia sido atacado por harpias? Aquilo simplesmente não fazia sentido algum. Depois de tantos pesadelos ele queria que Calvin simplesmente acreditasse nele?

A prole de Hipnos estava distraída pensando quando viu o outro aproximar-se de si, com uma adaga prateada em mãos. O que era aquilo agora? Em um rápido movimento o jovem moveu-se para trás, erguendo sua arma de novo.

— O que é isso? Você não queria minha ajuda? — Falou, tentando entrar no jogo de Phobetor.

— Sim, eu quero. — Falou rindo, com os dentes amarelos como gema. — Quero seu sangue.

Claro! Então era esse tipo de ajuda! Por algum momento Calvin chegou a cogitar que o garoto queria uma sociedade com ele, para domar o sonho das pessoas, o que não seria lá tão ruim, agora, pegar seu sangue para fazer isso sozinho? Não, certamente não. Ia dar o que P queria.

Phobetor estava correndo em sua direção, a adaga apontada para seu peito. Embora fosse meio mórbido, parecia bem rápido. Talvez estar em um sonho fizesse isso com ele. A prole de Hipnos ergueu a arma e a pôs completamente para trás, erguendo-a em uma onda de contato com o chão. O movimento causou uma geração de energia que empurrou Phobetor para longe de si, jogando-o no chão, longe de sua adaga.

Aproveitando o contratempo, Cal começou a vasculhar a sala, vendo se achava o tal interruptor para tirá-lo dali. Mas era difícil. A câmara estava cheia de inscrições na parede, todas em uma língua desconhecida. Não havia nenhum recipiente, nenhuma fenda, nenhum botão… Nada. Mas que porra!

Phobetor se levantara, o canto da boca em um sorriso falso e a expressão de puro ódio. Começou a mover-se lentamente na direção da prole de Hipnos , a adaga já em mãos. Cal estava tentando decifrar o que uma letra grega estava fazendo entalhada na parede quando as mãos ossudas de Phobetor fecharam-se em volta de seu pescoço. Com o susto, a arma caiu de sua mão e foi ao chão.

Calvin estava com a lâmina da Phobetor em seu pescoço, quase cortando-o. Tinha de pensar rápido, qualquer movimento em falso traria sua derrota, mesmo que em sonho. Ele fechou os olhos, tentando pensar em alguma coisa e foi então que as próprias rochas vieram a sua mente.

O garoto abriu os olhos e movimentou as mãos de cima para baixo, se era seu sonho, ele tinha o controle. Fez com que o solo tremesse e várias estalactites sólidas caíssem, fazendo com que o outro se afastasse dele. Calvin rolou pelo chão e pegou sua pistola novamente, prendendo-a ao cinto.

Puxou o sabre de seu peito e ficou em posição de ataque, sentindo as bandanas se enrolarem em seu braço e a máscara tomar conta de seu rosto. Phobetor praguejou em grego antigo e fez sua adaga transformar-se em uma espada. Com um movimento de mãos ela fez as estacas desaparecerem e o chão virar um enorme tanque d’água, puxando a prole de Hipnos cada vez mais para baixo.

Pego de surpresa, o jovem perdeu equilíbrio, fazendo a ponta de seu sabre ir de encontro a fenda e aumentá-la ainda mais. Phobetor praguejou e fez um sinal para que a água o puxasse cada vez mais para baixo enquanto se aproximava com a espada em punhos.

É uma ilusão!

Um sorriso brotou nos lábios do garoto e ele fechou os olhos, imaginando que a sala estivesse completamente sólida, como o próprio casebre. Abriu os olhos e mexeu seus braços, fazendo com que as rochas se transformassem em madeira, que a rocha onde o sabre estava se transformasse na mesa e que tudo fosse igual ao lugar onde acordara.

Phobetor teve o sorriso apagado ao olhar a sua volta e ver-se na cabana. Calvin ergueu o sabre e o golpeou no rosto, como se fosse uma marreta. O deus foi ao chão e Sprouse caminhou em direção a mesa.

Em um último sacrifício o deus segurou na canela de Calvin, impedindo-o, queimando-o ao mínimo toque, fazendo-o gritar em agonia com o calor, mas o semideus o chutou no rosto e foi até o sabre prateado.

— Há poucas formas de se acordar de um sonho consciente, Phobetor.— Sorriu para o outro. — Uma delas é morrendo.

Calvin ergueu o sabre e levou-o de encontro ao seu peito, abrindo ali uma enorme fenda e fazendo algo negro jorrar de dentro de si no lugar do sangue. A última coisa que pôde ouvir foi os lamentos de Phobetor.


A prole de Hipnos acordou em sua cama, banhada de suor e completamente enjoado e febril. Virou-se de lado e começou a vomitar a mesma coisa escura que saíra de dentro de si no sonho. Ao menos achava que havia sido um sonho.



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Re: [BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em em Ter Out 23, 2018 10:00 am

Heroes of Olympus

Se há um pequeno detalhe que eu acho lindo e simplesmente adoro nos seus posts, é a forma carinhosa como sempre menciona a Aileen, na maior parte deles. Adorei o enrendo e puxa... Fiquei preocupada com você! Adorei o desafio e a forma como narrou seu encontro com seu irmão. Muito curiosa para saber o desenrolar da sua trama. Parabéns pela criatividade e pela escrita leve e fluída. Uma delícia de se ler.

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Re: [BMO - CALVIN SPROUSE] BELIEVER publicado em

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