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[BMO] Cecília Salvatore - The devil within

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[BMO] Cecília Salvatore - The devil within publicado em em Ter Out 09, 2018 12:28 am

The devil within
"I’m underneath your skin"
Essa BMO se passa em Roma, um ano e meio antes dos fatos presentes. Somente Cecilia Salvatore participará da mesma.
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Cecilia Salvatore Mentalistas de Psique
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Re: [BMO] Cecília Salvatore - The devil within publicado em em Seg Out 22, 2018 2:01 pm

A manhã estava irritantemente bela, ensolarada e quente, com o firmamento celeste a perder de vista. Tudo o que Cecília mais odiava em sua vida. Desejava ter se mantido escondida na escuridão de seu quarto, na solidão das paredes do Chalé de Thanatos, mas seus irmãos praticamente a arrastaram para a arena. Não é como se importasse com algum deles, ela sabia que era incapaz de sentir afeto, carinho ou qualquer outra coisa. Mas havia uma simples e bem clara regra que precisava seguir. Não matar ninguém dentro do Acampamento e obedecer aos irmãos. Quebrar essas regras significava voltar para o Hospício e isso Cecília não queria. Para evitar problemas, fez o que os mais velhos pediram, mas não escondeu a insatisfação em seu semblante carrancudo.

Como era o esperado, o local estava cheio de semideuses barulhentos, proles dos mais diferentes Deuses. Alguns se destacavam na multidão, principalmente os filhos de Ares, que se achavam melhor do que os outros. A morena sorriu com escarno, enquanto caminhava lentamente entre arquibancada, com as mãos no bolso da jaqueta negra. Naquele primeiro momento preferiu apenas observar de soslaio, seus cabelos caiam sobre os olhos ocultando a direção de seu olhar. Odiava estar ali, odiava ter que se portar como os outros, odiava não ser o que ela era. Em um piscar de olhos a mente de Cecília deu um looping, sabia quando o mundo real e sua loucura começavam a se misturar, mas algo a trouxe de volta mais rápido do que pudesse prever: — Psiquê. — Balbuciou para si mesma.

Não fazia muito tempo, a Deusa havia aparecido para a prole da morte, após um de seus surtos mais violentos. A morena havia mutilado o próprio braço, quase cortando os pulsos, além dos profundos cortes que ainda não haviam cicatrizado e com toda certeza renderiam algumas cicatrizes a menina. Ainda não compreendia por qual razão havia sido escolhida para compor o séquito de Psiquê, logo ela que tinha tantos problemas em sua mente e não se identificava em nada com a Deusa e seu mito. Mas já vivia em um mundo que nada fazia sentindo, Cecília nunca soube o que era a razão de fato, não seria ela que tentaria compreender a vontade de uma Deusa. Apenas aceitou a ajuda de bom grado, o que não podia imaginar, era que se tornar uma mentalista, pudesse lhe ajudar tanto com sua doença.

O berro dos semideuses trouxe a atenção de Cecilia novamente para a arena, aquele lugar cheio de poeira e suor que tanto odiava. Revirou os olhos e bufou, já sentia o tédio tomar conta de si. Não via nenhum sentindo em passar horas ali, atracada com outro semideus, se não podia machuca-lo de verdade. Também não via graça em aprender usar armas, que jamais poderia usar para matar quem quisesse. O arco e flecha ainda lhe chamava um pouco de atenção, pensava no dia que poderia caçar alguns semideuses pelo bosque usando um. Riu sozinha de seu pensamento, mas no fundo sabia que era um desejo real que habitava em sua alma, tudo o que desejava era matar qualquer um que estivesse à sua frente, principalmente aqueles que duvidavam do que era capaz.

Calmamente desceu alguns lances de escadas entre as arquibancadas, até chegar no pequeno acesso a parte central da arena, o solo arenoso cobria as botas pretas da garota de pó. Ao longe, podia ver seus irmãos treinando com algumas armas, distraídos e distantes de todos, sempre era assim com as crias de Thanatos. Nenhum semideus era capaz de se sentir bem próximo a eles, nem mesmo os filhos do Deus da Guerra. Mas Cecília era diferente, era bem pior que seus irmãos, como se algo muito mais nefasto habitasse dentro da menina. Enquanto caminhava com a cabeça baixa, muitos abriam caminho para filha de Thanatos. Não precisava olhar para ver os olhares espantados e curiosos recaírem sobre sua pessoa, sempre era assim, algo que jamais mudaria em sua vida. Era como se a morte estivesse impregnada mais nela do que nos próprios irmãos.

O destino, contudo, parecia ser um constante teste para a prole de Thanatos, nunca a ajudando permanecer longe de problemas e confusões, como se fosse capaz de atrair todas os problemas para perto de si, apenas com o intuito de testa-la. Naquele dia não seria diferente. Não deu mais que dez passos, quando sentiu um forte baque contra o ombro que quase a jogou no chão. Cecília cambaleou alguns passos para trás, quase se desequilibrando e caindo.  Em uma fração de segundos praguejou mentalmente contra todos os Deuses que conhecia, odiava que outras pessoas encostassem nela. Seu olhar negro se ergueu cheio de fúria, deparando-se com uma menina que era quase duas vezes o tamanho dela, tanto na altura. O porte atlético e semblante arrogante, logo fizeram a morena deduzir quem seria o pai daquela garota.  

A semideusa bateu a mão contra o ombro direito, como se estivesse tirando pó de sua roupa, era melhor ignorar a situação do que começar uma briga bem ali. Mas os Deuses não pretendiam cooperar com a tentativa da menina de não se meter em confusão. Era algo que atraia a prole de Thanatos, mais forte do que ela ou qualquer força do destino. Cabisbaixa, continuou a caminhar se afastando da semideusa de Ares, mas a menina a segurou pelo braço. Um erro fatal para muitos em outras ocasiões. Respirou fundo buscando paciência dentro de si mesma, algo que não existia, mas mesmo assim tentou: — Me solta. — Disse em um tom baixo, mas mesmo assim incisivo. Uma outra voz vinda de trás fez com que os sentidos de Cecil ficassem em alerta: — Ora Mad. Ela está “mandando” solta-la. — A frase morreu em uma risada de completo deboche. Revirou os olhos e respirou fundo mais uma vez, naquela manhã desejava apenas bater em algum boneco e depois voltar para o chalé, mais nada.

Mad por sua vez parecia ser a própria encarnação da guerra, sendo uma provável filha de Ares não era de se estranhar. Ela encarou a filha de Tanatos e apertou ainda mais o braço preso: — E se eu não quiser soltar? — Perguntou, com cinismo, fazendo com que a raiva de Cecília começasse a despertar dentro de sim. Mesmo assim, lembrou-se de alguns ensinamentos como mentalista e buscou acalmar sua conturbada mente: — Garota eu não estou querendo brigar. Cada uma para o seu canto e todo mundo fica bem. — Respondeu ainda sem olhar para a garota. Contudo, talvez Éris estivesse com a mão no ombro de Cecília naquela manhã e a única resposta que recebeu foi um empurrão e um soco na boca, que a fez cambalear alguns passos para trás. As risadas de alguns campistas ecoaram pela arena e reverberaram na alma da morena, fazendo com que sua mente desse mais um looping entre a realidade e suas alucinações. “— Não vou me descontrolar. —. Pensou consigo mesma, não queria passar mais um dia tomando esporro de Quíron e ver Senhor D. questionar sua permanência ali. Era quase um mantra em sua mente.

Passou a mão direita pelos lábios limpando o filete de sangue que escorreu pelo canto da boca, a esquerda se fechou em punho, mas respirou fundo e fechou os olhos: — Garota eu não vou brigar com você. Sai da minha frente. — Balbuciou enquanto erguia a cabeça. Os cabelos negros caíam sobre os olhos impedindo que encarasse os olhos da garota a sua frente. Um zunido alto começou em sua cabeça, fazendo com que levasse ambas as mãos aos ouvidos, aquilo fazia sua cabeça doer. Foi então surpreendida por um forte empurrão que a derrubou no chão e depois chutes nas costelas que a fizeram se contorcer no chão. Não sabia bem dizer se era apenas uma pessoa que estava batendo, o fato que quase sentia suas costelas afundarem. Uma cena que já havia sido tão comum, mas bem longe dali. Dessa vez não sentiu o looping, apenas aquela confusão de vozes em sua mente, fazendo com que seu corpo ficasse totalmente dormente. Quando seus olhos se abriram não sabia muito definir onde estava, uma parte via a arena, mas em outra parte ela via as paredes brancas que faziam seu corpo estremecer de medo e pavor.

A filha da morte respirou ofegante, as vozes ficavam mais altas, gritavam por sangue dentro de sua mente e Ceci podia vê-los agonizando de dor. Um grito alto e agudo saiu de sua garganta, enquanto a semideusa se encolheu no chão, fechando os olhos tentando não os ver, mas ainda assim os ouvia: — Princesa, abra os olhos. Está tudo bem. — A voz de Pandora ecoou serena acalmando um pouco o espírito de Cecília:— Eles não podem mais te machucar. Agora você é forte. Seu pai lhe deu presentes. Use-os. Mate-os. Você pode. — Disse ela afagando os cabelos negros agora sujos de terra e poeira. O que o espírito dizia era verdade, não precisava mais se machucar, não precisava mais chorar. Quando abriu os olhos estava no quarto branco onde viveu toda sua vida, jogada no chão como acontecia quando era espancada. Seus olhos se arregalaram e passou a mão pelo próprio corpo, sentindo os hematomas, a camisola rasgada e aquela coisa nojenta entre suas pernas. Urrou sentindo a dor que aquilo lhe causava, não apenas física, mas dentro dela, contudo, aquilo não ficaria mais impune.

Ainda tonta se levantou e logo reconheceu o homem sua frente, Terick, o enfermeiro, um dos homens que sempre abusavam dela. Aqueles olhos oblíquos e sem vida, que a fazia estremecer, por culpa de sua força, nunca conseguia resistir e sempre estava dopada demais para fazer algo. Mas agora era diferente, sentia a força de Thanatos em suas veias e poderia se vingar. Toda sua raiva e ódio se transformaram em uma aura de morte e medo, então encarou o enfermeiro e gritou: — Nunca mais você vai colocar a mim. Seu merda! — Seus olhos estavam negros e caminhou na direção dele, enquanto o observava se encolher amedrontado por sua presença. Sem pensar duas vezes jogou o homem no chão e começou a chuta-lo como havia feito com ela: — Seu cão imundo! Eu vou matar você! — Vociferou cheia de ódio. Ajoelhou-se ao lado do moribundo e começou a soca-lo com toda a raiva que tinha em seu corpo. Ouvia os gritos dos mortos agonizando em sua dor, pedindo que mandasse ele para ficar com elas. O zunindo ficava mais forte fazendo-a gritar e ao mesmo tempo bater com cada vez mais força.

No meio de tantas vozes, uma se tornou cada vez mais familiar e mais forte que todas as outras, clamava por ela e foi quando do nada sentiu algo a puxar e envolve-la com seus braços: — Cecília! Cecília! Volta! — A voz tentava falar com a semideusa, mas ao olhar quem a segurava não sabia dizer quem era: — Ele me estuprou. Me machucou! Ele me deu choques! Eu vou mata-lo! — Tentou se soltar, mas os braços a seguravam com mais força: — Irmã, você não está no hospício! Volta Ceci. — Aquelas palavras foram como um choque em seu corpo e quando se virou reconheceu Daniel. O abraçou apavorada e aos prantos: — Não deixa ele me machucar irmão! Não deixa. — Levou a mão na parte interna da coxa, mas agora só sentia o tecido da calça que usava. As vozes ainda gritavam em sua cabeça quase a enlouquecendo, então segurou a camiseta do irmão com mais força: — Me tira daqui Dani, por favor! — Suplicou em desespero. O garoto fez que sim com a cabeça e a tirou do meio da confusão que havia se formado.

Daniel levou a mais nova para enfermaria, deixando-a sob os cuidados de uma filha de Apolo com quem Cecilia conversava as vezes. Seu semblante ainda era visivelmente abalado, as mãos tremiam como as de um drogado em abstinência e de fato estava. Lux olhou para ela e nada disse, apenas começou a limpar os ferimentos da mão lentamente. Havia um silêncio sepulcral no lugar e preferia que fosse assim. Ainda tentava entender o que havia acontecido, faziam meses que não tinha uma crise tão forte e principalmente uma que a levasse para aqueles anos de terror. Lembra-se dos anos de abuso, fez com que a prole da morte chorasse involuntariamente. Ela sabia da gravidade de sua doença, mas ela sabia exatamente o que aqueles homens faziam com e com as outras meninas, mesmo quando estava dopada. Sentiu seu peito apertar, o ar faltar e seu corpo todo se contrair. Foi quando o aperto de mãos cálido entre as duas semideusas a fez se acalmar: — Vai ficar tudo bem Cecil. Ninguém vai te machucar aqui. — Disse ela serena. Um longo suspiro escapou dos lábios da morena: — Mas eu posso machucar as pessoas aqui. Até mesmo contra a minha vontade. Talvez meu lugar seja mesmo junto aos loucos, naquele maldito lugar. — Desabafou, em um misto de indiferença e frustração.

— Sua loucura não te pertence Cecília. Você já foi alertada sobre isso. — A voz grave do centauro ecoou pela pequena sala. Um calafrio percorreu seu corpo, temendo já a punição que poderia receber. Expulsão? Talvez: — Mesmo tendo batido em Mad, ela está bem. É uma semideusa forte e que já passou muita coisa. Alguns dentes fora do lugar, um nariz trincado e um corte no supercílio. Ela vai sobreviver. — Informou ele. Não lhe trazia nenhuma paz de espírito saber, tão pouco remorso ou qualquer coisa assim, seu olhar continuava indiferente e frio: — Também fui informado que ela quem começou toda a confusão e que você teve uma crise enquanto ela te agredia. Isso vai atenuar sua situação. — Ele fez uma pausa, encarando-a. Sabia que ela estava silenciosa demais. Nenhuma reação havia sido esboçada por ela até então: — Contudo, terá que fazer algo. Uma missão, muito difícil, mas acredito que você conseguira com êxito. — Explicou ele.

Com um olhar curioso ela o encarou, esperando que as palavras dele fossem concluídas. De certa forma, podia observar que ele tinha dificuldade em fazer aquele pedido, mas sentia que somente ela poderia concluir tal trabalho. Quíron respirou fundo e então começou: — Há uma semideusa presa e em perigo assim como você estava. Ainda não sabemos quem são seus progenitores, mas precisamos ajuda-la. Você vai até a Itália, resgata-la. Ela está em uma ilha na região da Sardenha. Em um hospício que você conhece muito bem. Você deve trazê-la em segurança. — Concluiu suas palavras. Em um rompante a Filha de Thanatos levantou-se da maca e o encarou cheia de raiva e medo: — Não! Eu não vou voltar para aquele lugar! Me peça qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Mas lá eu não volto. — Protestou com veemência. Se ficasse presa novamente? Se eles a trancassem lá? Quem iria salva-la. As vozes voltaram a sussurrar novamente em seus ouvidos, fazendo-a levar as mãos aos ouvidos e tapa-los.

Sentiu quando alguém segurou seus braços e tirou as mãos de seus ouvidos, Quíron tinha um olhar confiante e ao mesmo tempo protetor: — Lembra-se de tudo que passou lá? Há alguém sofrendo como você. Alguém que não deveria estar lá como você não merecia, Cecilia. E sei que conhece cada lugar, cada centímetro daquela prisão. Ela precisa de você. A ajude, antes que ela que ela se perca. Se nós soubéssemos de você, se eu soubesse, teria impedido que passasse por tudo o que passou. — Ele fez uma pausa e afagou os cabelos da garota: — Lhe darei um tempo para pensar sobre isso. Sei que é uma decisão difícil, mas lembre-se que há alguém precisando da sua ajuda, como você precisou. — Finalizou suas palavras. Sem mais delongas, deixou a menina sozinha com seus fantasmas e pensamentos. Agora Cecília tinha uma difícil decisão e não sabia qual caminho seguir.

Poderes:
Nível 1 – Influência sobre o medo - As pessoas perto de você podem entrar em pânico só por sentir sua presença, um estado de choque ao ver que você estará por perto, sendo filho da Morte.

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Re: [BMO] Cecília Salvatore - The devil within publicado em em Seg Out 22, 2018 8:50 pm

Heroes of Olympus


Cecilia, que narrativa, hein! Senti que você compartilhou muito bem da personalidade da personagem, do que se passava por ela, dos medos e angústias. Como se estivéssemos lá com ela, vendo e ouvindo tudo. Parabéns!

Ortografia: 4/5
Criatividade: 5/5
Coerência: 5/5
Ações realizadas: 5/5

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- 15 Ep
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Re: [BMO] Cecília Salvatore - The devil within publicado em

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