Heroes of Olympus RPG

[BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho.

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[BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Qua Out 03, 2018 4:06 pm

ALL MY FEARS
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Este espaço será destinado para o desenvolvimento da trama de Evan e Sarah, qualquer um que venha a postar sem autorização será punido e seu post será apagado imediatamente.
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Evan A. Finley Filhos de Eros
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Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Sab Out 06, 2018 1:32 pm

ALL MY FEARS
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Sua cabeça doía, doía como se houvessem me apunhalado pelas costas com uma estaca de madeira, daquelas bem duras. A sala em que se encontrava era fria, o piso levemente pegajoso e o cheiro era de algo fechado, que não é aberto a muito tempo. O garoto abriu um olho e depois o outro, com a escuridão perturbando sua visão. Resmungou baixo, quase de forma inaudível e logo depois levantou-se.

Tratava-se de uma sala de paredes e piso metálicos, praticamente uma caixa. A única coisa que havia ali era um espelho de bordas cor de bronze envelhecido e uma saída de ar, alta demais para ser alcançada em um salto. Finley sentou-se e levou uma das mãos a cabeça, sentindo-a levemente dolorida. Fechou os olhos com força e os abriu novamente, percebendo que a sala estava levemente mais clara que antes.

Com uma das mãos, apoiou-se ao chão e tentou se levantar. Em um primeiro momento viu-se um pouco tonto, mas, logo em seguida, conseguiu se recuperar e não cair no chão novamente.

Caminhou a passos trôpegos até o espelho (único objeto na sala) e o observou de perto. Suas bordas realmente pareciam feitas de algum metal, muito semelhante ao utilizado para criar armas para semideuses, porém, não o machucaram ao toque. Seu reflexo no espelho parecia um tanto borrado devido a poeira ali presente. Evan, então, pegou sua mão e enrolou na manga da jaqueta e levou até ali, limpando-o o suficiente para que pudesse se observar.

Seus olhos estavam largados dentro de uma olheira alarmante, estavam avermelhados e com aspecto de cansados. A maçã de seu rosto estava roxa, provavelmente sofrera algum hematoma ali.Suas vestes estavam velhas, sujas e desgastadas, como se estivesse largado ali há muito. E seus cabelos estavam raspados de uma forma que lembrava o corte militar, porém, feito de qualquer jeito.

Andersen suspirou observando a imagem que via refletida para si e ergueu de leve a sobrancelha quando percebeu que ela começava a mudar, indo de volta para um passado de anos atrás, um passado que até então ele pensava não existir mais dentro de si.

PARTE 1 - A MENTIRA

Seu corpo parecia ter mudado, estava menor. Suas pernas não tocavam o chão e balançavam de uma forma engraçada. Evan estava sentado no sofá e esperava sua mãe terminar de se maquiar para ir ao trabalho. Ele adorava o uniforme da cafeteria onde ela trabalhava: uma calça escura, uma camiseta branca e um avental vermelho com vários desenhos de xícaras de café e biscoitos. Podia ficar horas olhando para eles e se divertindo dando nomes aos biscoitinhos e as xícaras.

O jovem garoto morava com sua mãe em cima de uma loja de tapetes, a casa deles era bem pequena, se é que podia-se chamar aquilo de casa. Só tinha uma sala (que ao mesmo tempo era cozinha), um quarto e o banheiro. A mãe de Evan gostava de dizer que assim que entravam na casa, já davam de cara com a saída. O garoto nunca entendera a referência mas sempre ria para parecer inteligente.

A mãe do jovem, Tereza, era muito bonita. Tinha cabelos loiros e olhos tão azuis quanto o céu. Seu sorriso era tão alvo que às vezes ele dizia que podia enxergar o próprio reflexo, e ela tinha um inconfundível cheiro de biscoitos, daqueles que acabaram de sair do forno. Andersen a adorava, podia passar horas só olhando para ela e sentindo seu cheirinho de biscoito. Não tinham dinheiro para a escola e a do bairro era muito violenta, então, sua mãe sempre o levava para a cafeteria e o deixava nos fundos lendo alguma coisa. O dono do lugar, Sr. Schtz, era muito simpático e tinha uma leve queda por Tereza, então, fazia questão de que Evan ficasse lá. Até tinha improvisado uma mesa para ele, dizia que o garoto tinha seu próprio escritório.

Até então, Evan não entendia muito bem os conceitos de “pai” e “mãe”. Ele imaginou que sua mãe bastava, adorava ela como qualquer criança de sua idade e também não convivia com ninguém diferente de si, ou melhor, não convivia com mais ninguém. Às vezes via as crianças com um homem e uma mulher do lado, mas imaginava que fossem amigos ou só namorados. O problema é que as crianças crescem, suas dúvidas ficam maiores e a forma de explicar as coisas do mundo acabam ficando restritas à uma forma de bolo já pré-produzida.

Aos dez anos Andersen pediu para a mãe que o matriculasse na escola do bairro, apesar de ser perigosa. A princípio ela não achara a ideia muito agradável e a vetara, no entanto, o garoto começou a insistir muito e ela calculou que não conseguiria ensinar tudo o que ele poderia aprender na escola. Sendo assim, fez sua vontade e o matriculou na escola do bairro, onde ele conseguia ir todos os dias numa caminhada de apenas dez minutos.

As maravilhas que a matemática pode oferecer nunca foram o alvo de Finley, ele sempre odiou os números. Sua vocação mesmo eram as palavras, adorava juntar várias palavras em poemas, pequenos trechos que um dia, talvez, se tornassem livros, ou mesmo músicas. Gostara muito da novidade que era juntar um poema a uma batida e assim cantar suas músicas. Os garotos de sua sala o achavam descolado por conseguir fazer isso, e as garotas, o achavam bonitinho. Mas amigos? Ele não sabia ao certo se tinha.

As crianças viviam falando dos pais, no plural, e Evan não entendia muito bem essa concepção. Foi só quando estudou o sistema reprodutor que começou a questionar-se se sua mãe estava realmente certa em relação a tudo. Por isso, naquele mesmo dia em que abrira o livro de biologia e estudara como os homens engravidam as mulheres, que ele chegou em casa se questionando.

— Mãe? — Perguntou, sentando-se no sofá de forma largada.

Sua mãe estava logo atrás, na “cozinha”, preparando um omelete com queijo para o jantar.

— Sim?

— Por que eu não tenho pai? — Se perguntou.

Sua mãe automaticamente parou de fazer o que estava fazendo e olhou para a frente com o olhar vazio, como se tentasse visualizar uma história que só ela tinha acesso.

— Sabia que esse dia ia chegar. — Falou simplesmente.

— Se sabia, por que não me disse nada antes? — Ele olhou cabisbaixo para o chão, já imaginando a possível bronca.

— Bom, não sabia como ia lidar com a verdade. — Ela caminhou até o sofá e se sentou ao lado dele. — Bom, há muito tempo atrás, lá no café, um homem sério de cabelos longos e barba alinhada, me pediu um capuccino. Ele era diferente de todos os outros que eu já tinha visto. — A mãe de Evan sorriu, sonhadora. — Possuía um jeito meio esquisito de se comportar e eu o odiei no momento em que o vi. Sabe, ele se achava demais. — Ela encarou o garoto e acariciou o rosto dele. — Esse homem estava de passagem pela cidade, me disse apenas isso e jogou no balcão um ingresso para o show de uma banda. Cigarettes. Eu nunca nem tinha ouvido falar.

Evan foi lentamente deitando-se no colo de sua mãe, ela o envolveu em seus braços e começou a fazer carinho por seus cabelos castanhos, ora enrolando-os em seus dedos de unhas bem feitas, ora simplesmente passando a mão por eles e os bagunçando de leve.

— … Eu não era muito fã de shows mas decidi ir aquele. Foi em um teatro que hoje nem existe mais. — Sorriu novamente como se aquela memória lhe fosse um sonho. — O lugar do ingresso era bem próximo ao palco, pensei que ele pudesse aparecer a qualquer momento e se sentar próximo de mim, mas na verdade? Ele apareceu foi no palco, filho! — Ela riu e fez cócegas no nariz de Evan. — Ele era o vocalista da banda e sua voz era simplesmente incrível! A melhor coisa que já ouvi! — Ela suspirou e olhou para o filho. — Depois do show ele me chamou para sair, tomamos umas cervejas e ele me deixou em casa. A banda só ficou uma semana na cidade mas foi o suficiente para que, bom, para que você estivesse aqui hoje. — Ela disse, dando de ombros. — Ele seguiu em turnê com a banda e mantivemos contato por cartas por um bom tempo. Quando eu descobri que estava grávida e contei para ele, não me respondeu mais.

Ela deu de ombros e bagunçou os cabelos do filho. Levantou-se novamente e foi continuar fazendo o omelete. Evan ficara chateado, seu pai nunca lhe dera a mínima. Mas ao mesmo tempo estava maravilhado: era filho do vocalista de uma banda! Seus dons artísticos podiam ter sido herdados do pai! Naquela noite foi dormir com um sorriso tão branco no rosto que chegava a se assemelhar ao de sua mãe.

[...]

No dia seguinte, quando chegou na escola, Evan foi pesquisar sobre a banda Cigarettes e logo conseguiu visualizar quem era seu suposto pai. Seus colegas mais próximos ficaram um tanto surpresos com a revelação dele e logicamente começaram a duvidar. Mas Finley tinha bons argumentos. Havia pesquisado sobre a turnê que sua mãe mencionara e viu que as datas realmente coincidiam. Mencionou o teatro e o café que sua mãe trabalhava na época, que, por sinal, até aquela data era o café preferido de seu “pai”. Juntando isso com o talento que ele tinha para música, não foi difícil que seus colegas acreditassem, assim como ele próprio.

Andersen passou a ser um dos garotos mais conhecidos da escola. Passou a adotar o visual meio largado de seu pai, entrou para o time de futebol da escola e logo passou a ficar com a líder de torcida mais bonita. Era o típico sonho americano. Sentia que ali, naqueles corredores, ele que mandava. Tinha o real poder.

Indo ainda mais longe, ele decidiu entrar para a banda da escola e, com as músicas de seu pai, começou a ensaiar para tocar no baile de inverno. Mas foi aí que tudo começou a desmoronar.

Greg, seu pai, morrera em um acidente de carro. Todos na escola ficaram chocados e Evan ficou totalmente arrasado. Seus amigos sabiam que o garoto entrara para a banda e planejara tocar as músicas de seu pai no baile para gravar e enviar para ele, na esperança que um dia pudessem se encontrar. Mas agora estava tudo perdido pois Greg estava morto e mais nada podia ser feito. A dor de perder alguém que nem conhecera só não foi pior que o choque que veio em seguida.

Os repórteres organizaram uma coletiva de imprensa com os membros da banda para que pudessem, finalmente, comentar sobre o ocorrido. A escola arrumou toda a quadra para que todos pudessem assistir juntos, já que alguns não possuíam televisão em casa. A mãe de Evan estava relutante com tudo aquilo, o garoto chegou a pensar que ela estava triste mas a verdade era outra.

Os companheiros de banda abriram o testamento do parceiro em frente às câmeras e leram parte da história deles e principalmente de Greg. E a decepção veio quando nenhuma Tereza foi mencionada e muito menos um possível filho. E então, todos ali começaram a olhar o jovem Andersen com pena, outros se questionaram se o que ele dissera era realmente verdade.

Em casa, naquela mesma noite, ele colocou a mãe contra a parede e a questionou sobre aquela história. E então ela assumira a mentira. Magoado e inconformado com o que acontecera, Andersen, enquanto sua mãe dormia, juntou suas coisas em uma bolsa e saiu de casa para não voltar mais.

PARTE 2 - O ANJO

Evan, por mais que já tivesse 16 anos, ainda não sabia dirigir. Também não possuía um carro. Então, quando fugiu de casa naquela noite, tentou arrumar uma carona. Sabia que, ao amanhecer, sua mãe começaria a procurá-lo e se permanecesse por aquela região, facilmente seria encontrado. Não era o que ele queria.

Caminhou por horas pela avenida e nenhum carro ousou parar para lhe dar carona. Começara a se xingar por não ter pego um pouco de dinheiro, pelo menos para comprar algo que pudesse comer.

O sol já começava a amanhecer atrás de si e a única coisa que havia na sua frente era puro asfalto. Praguejou-se por ser tão burro e sentou-se no chão em exaustão. Puxou os joelhos para perto do peito e se deu ao luxo de chorar por não saber o que fazer. Foi nesse momento que uma caminhonete parou ao seu lado e uma mulher, intrigada com a situação, o questionou.

— Meu pequeno, onde estão seus pais? — Ergueu a sobrancelha fitando-o.

— Não tenho pais. — Ele encarou a mulher, ainda com o rosto cheio de lágrimas.

Ela suspirou e abriu a porta do carona, convidando-o para entrar. Evan assim o fez, adentrou no carro e logo a mulher deu partida, observando-o com atenção. Ela parou o olhar no pulso do garoto onde percebeu haver uma pulseira de couro com um pingente prateado, contendo algumas ervas.

— O que é isso? — Ela perguntou.

Evan olhou para o pulso e se questionou internamente se isso era realmente importante. Deu de ombros e respondeu.

— Minha mãe me deu a muito tempo, disse ser uma erva protetora. — Suspirou.

— Então você tem uma mãe. — Falou ela simplesmente e Evan deu-se conta da merda que havia feito.

— Tinha. — Tentou falar com indiferença.

A mulher limitou-se apenas a um sorriso e continuou dirigindo.

[...

Evan não sabia ao certo qual o destino dela mas também não via problemas nisso já que não sabia o próprio destino. Só voltou a falar novamente quando ela começou a entrar em uma fazenda. Era cheio de verdes, de animais e tinha um ótimo cheiro já conhecido. O mesmo cheiro da erva que havia em seu pulso.

— Conheço esse cheiro. — Pensou em voz alta.

— Sim, ele serve para manter longe criaturas indesejadas. — Disse parando o carro em frente a uma bela casa de cor rósea. — Venha.

A mulher não era muito alta, aparentava ter por volta de quarenta anos. Seus cabelos eram cor de caramelo e seus olhos castanhos. Ela tinha um bom cheiro, não era como o da sua mãe, esse era um cheiro de flores.

Ele a seguiu adentrando na casa. Parecia muito com uma casa de vó, pelo menos com o que ele imaginava que fosse. Sua mãe nunca lhe falara da sua avó, era um dos assuntos proibidos.

A mulher foi apresentando os cômodos ao jovem: cozinha, sala, escritório (não passava de uma sala com uma pequena escrivaninha e várias prateleiras cheias de livros) e por fim o banheiro. Os quartos ficavam no andar de cima mas Evan ia ficar dormindo no sofá.

Ele agradeceu e caminhou em direção ao banheiro para que pudesse tomar banho. Sua aparência no espelho certamente não era das melhores. Estava levemente queimado do sol, seus lábios estavam ressecados e a roupa estava encardida. Pôs a mochila em cima do sanitário e tirou as roupas deixando-as largadas no chão. Entrou no chuveiro e logo começou a tomar banho, sentindo aquela água fria levar embora todos os acontecimentos recentes.

Após o banho ele se dirigiu até a sala onde havia um prato de biscoitos com leite e um bilhete.

“Achei uns biscoitos na cozinha, coma-os com leite. Eu fui adubar as plantas. Descanse um pouco, deve estar exausto! — Lucy.”

Lucy deveria ser o nome dela, Evan supôs. Comeu lentamente os biscoitos tentando adivinhar seus sabores. Ora pareciam de chocolate, ora de baunilha e ora de canela. Era uma divertida combinação.

Após comer, ele levou os pratos até a cozinha e decidiu lavá-los. Ficou observando a janela enquanto isso, vendo a imensidão verde a sua frente e pensando no quão maravilhoso deveria morar ali. Suspirou pensando se sua mãe já teria acordado e dado por sua falta, havia sido egoísmo da parte dele?

Reprimiu seus pensamentos quando deu-se conta de que ela havia mentido para ele por tanto tempo. Saiu da cozinha quando pensou em ir se deitar mas o escritório acabou chamando sua atenção.

Lucy realmente parecia o tipo de pessoa que gosta de perder horas lendo livros, não era a toa que tinha tantos. A coleção dela ia de uma ponta a outra da sala, sem lacunas para que coubessem mais livros. Num dos cantos da sala Evan pôde ver uma bela pena vermelha dentro de uma cúpula, era um tipo de decoração bizarra. E no fundo a mesa da mulher, com alguns papéis soltos e contas de luz e energia.

Andersen sorriu de leve e começou a passar seu dedo pelas lombadas dos livros, deixando-o levemente marcado com a poeira. Ele reparou que Lucy organizava seus livros por cores e não por ordem alfabética, no entanto, nos grupos de cores, estavam organizados em ordem alfabética. Ele sorriu achando interessante a piada e parou quando o dedo encontrou um livro de capa de couro envelhecido. Não possuía nome nem nada do gênero. Curioso, ele puxou o livro e o observou em seus dedos.

Sua capa não dizia nada, poderia ser facilmente confundido com um caderno de anotações. Ele suspirou e caminhou até a mesa de Lucy. Sentou-se e abriu o livro. Estranhamente todas as páginas estavam em branco. O garoto revirou os olhos e então um repentino vento adentrou o lugar fazendo com que todos os livros voassem das estantes que caíssem no chão. De repente a porta do escritório bateu a toda, estrondando a casa inteira. Lá fora Andersen conseguiu ouvir Lucy correndo e o chamando.

— Garoto! O que houve! — Mas a ventania da sala abafava os sons.

As folhas do livro em sua mão começaram a folhear de uma forma intensa enquanto a ventania continuava destruindo tudo até que parou em uma página específica, e, por mais que o vento continuasse, nem o livro nem as folhas se moviam mais.

Engolindo em seco, Evan começou a ler o que havia ali. Parecia uma espécie de ritual para desmistificar a verdade. Tudo o que ele precisava. Começou a ler com atenção e logo levantou-se e abriu a cúpula, pegando a pena vermelha. Voltou até a escrivaninha e abriu suas gavetas, em busca de uma faca ou algo afiado. Acabou achando um estilete.

Estendeu seu pulso sob o livro e cortou-o, derramando seu sangue sob a pena, e ambos sobre o livro. Novas palavras começaram a se formar com o sangue do garoto nas páginas.

— Azirion? — Evan leu e naquele momento a ventania pausou assim como todo o barulho dentro e fora da sala. Como se o próprio tempo houvesse parado.

Uma luz começou a jorrar da pena vermelha que mantinha-se sob o livro e logo um ser humanoide surgiu no meio da sala, com grandes asas brancas e cabelos de mesma cor. Seus olhos eram de um azul extremo e seu sorriso doce como sonhos.

— Sim?

Evan estava paralisado observando aquela criatura.

— Quem é você? — Ele perguntou simplesmente.

— Azirion. O anjo. Você me chamou, certo? — O ser humanóide o questionou.

— Er… Sim! Chamei!

— Você quer a verdade? — Ele questionou o garoto, olhando profundamente em seus olhos.

Mas nesse momento seu sorriso doce tornou-se sombrio. Os olhos tornaram-se dourados e as asas e os cabelos escureceram, assim como sua pele que tornou-se cinza e morta.

— A verdade tem um preço, Evan. — Ele sorriu. — E eu quero a alma da sua mãe em troca.

O garoto se levantou e gritou de forma negativa. Estava assustado, não queria ter feito aquilo.

— Então tudo bem, mas vou ter que levar a sua!

O anjo se aproximou de Evan que gritava e adentrou dentro de si através de sua boca, tornando-se apenas uma névoa negra. Os olhos do garoto ficaram completamente sem vida e naquele momento ele soube de tudo: O acampamento, seu pai Eros, sua mãe que o poupara da verdade para protegê-lo, o amuleto que mantinha seu cheiro oculto para os monstros não o encontrarem, o anjo negro que era Anteros, o irmão de Eros e a mulher, Lucy, que era uma prole de Deméter e que pensava em ajudá-lo a ir para o acampamento.

Anteros materializou-se novamente na frente do garoto e sorriu com suas presas afiadas.

— Você é meu, garoto! — E desapareceu.

Lucy conseguira abrir a porta apenas a tempo de ver Evan desabar no chão. Agora, apenas um corpo vazio.

[...]

Evan afastou-se do espelho arfando em intensidade, como se tivesse acordado de um sonho e só então percebeu que estava dentro da sala metálica. Ergueu o olhar e viu que na parece atrás de si uma escada se formara advinda do próprio metal, indo em direção a saída de ar onde alguém batia, tentando abri-la.

— Q-uem? — Ele perguntou, gaguejando.

— Hey, Sou Sarah! Você deve ter caído aí dentro enquanto andava pela floresta, os filhos de Hermes e Hefesto adoram fazer essas armadilhas. Vou te tirar daí!

— Obrigado! — Falou indo em direção as escadas.

Quando olhou para trás, o espelho não estava mais lá.

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Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Dom Out 07, 2018 10:31 pm

Caminhos Cruzados


"Há uma coisa que é certa, se virmos um ao outro, saberemos." -Mitsuha (Kimi no Na wa)


Era engraçado como as coisas funcionavam rápido no acampamento Meio-Sangue, há duas semanas atrás Sarah era uma novata que mal tinha chegado ao camping e não sabia absolutamente nada sobre o mundo ao qual pertencia. Acabou aprendendo muito sobre Deuses gregos, monstros, heróis, magias, estratégias de batalhas e mais uma infinidade de coisas que ela nunca sonhara existir. A imersão que os semideuses sofriam ali dentro parecia até ser fruto de alguma magia ou habilidade natural que eles possuíam por serem filhos dos todos poderosos Deuses do Olimpo. Ela mesma estava completamente surpresa por estar sendo encarregada de cumprir algumas missões um tanto quanto "perigosas" em tão pouco tempo de estadia no acampamento.

Okay, patrulhar uma floresta que ficava dentro das imediações de um acampamento abarrotado de jovens semideuses, filhos diretos dos Deuses Olimpianos, e que constava ser o mais bem protegido e guardado de todo o mundo não soava ser tão perigoso assim, mas de qualquer forma a filha de Íris não deveria baixar sua guarda ali. Sarah escutou diversas histórias um tanto quanto horripilantes envolvendo aquele lugar, a garota não queria, por exemplo, acabar encontrando um Dragão de Bronze dormindo em uma gruta ou uma Hidra de 7 cabeças procurando o seu lanche da tarde.

"Bobagens... Eles estavam apenas querendo te colocar medo..."

A garota se lembrava do jantar em volta da fogueira na noite anterior com seus meios-irmãos.

Andar em meio aquelas árvores em pleno fim de tarde era um tanto quanto nostálgico para a menina, um ambiente aconchegante com os raios do Sol tomando seu espaço em meio aos pinheiros que ali se faziam presentes. O ar fresco que invadia suas narinas, alguns pássaros alçando voo, as folhagens que pareciam dançar por sobre sua cabeça, tudo isso a fazia lembrar de um momento em específico com seu pai anos atrás.

Sarah caminhava por entre os pinheiros quando o reflexo do Sol bateu em algum objeto metálico no chão voltando direto em seu rosto.

[FLASHBACK]
(OPICIONAL: Play para uma maior imersão aos atos a seguir.)

Era fim de tarde, uma caminhonete grande circulava pela estrada vazia do que parecia ser uma área de fazendas. O homem que dirigia era jovem, barba feita, cabelos curtos e pretos, olhos castanhos, possuía um porte físico forte e algumas poucas tatuagens se espalhavam por seu braço direito. Ele estava sério, focado na estrada e uma certa sombra de tristeza o acompanhava.

— Papai? — Uma voz de criança vinha do banco de trás. — Por que a gente está fazendo essa viagem?

O homem esboça certa felicidade ao ouvir sua filha lhe chamar e até abre um sorriso, como se aquela voz o reconfortasse. Olhando pelo retrovisor ele faz contato visual com uma Sarah muito mais nova do que agora. Seus olhos eram inconfundíveis e seu rosto fino também não tinha mudado muito, mas seu cabelo era azul e sua pele clara não possuía nenhuma tatuagem sequer. A pequena Sarah parecia emburrada.

— Ah minha filha, eu já te contei. O papai está indo se despedir de um amigo. — Ele responde voltando a prestar atenção na estrada.

— Mas eu não o conhecia, por que eu tenho que ir também? — A garota se vira para a janela emburrada.

— Sarah, nós já conversamos sobre isso. — O homem a repreende.

Alguns minutos de silêncio se passam durante a viagem. Sarah ainda fitava a paisagem que passava do lado de fora aonde vales, campos e até uma floresta de pinheiros podia ser visto ao Sol de fim da tarde. Mas o que mais chateava a pequena Gray era a falta de civilização naquele pedaço da estrada, casas raramente apareciam no horizonte. A última que a menina tinha visto tinha sido um casario de dois andares com uma caminhonete prateada estacionada na garagem em uma fazenda ao longe. Por um segundo a garota pareceu avistar uma mulher correndo exasperada e um vento forte balançando as árvores, mas tudo sumiu de sua vista com uma curva na estrada.

— Papai... — A garota agora parecia estar mais séria.

— Sim?

— A mamãe morreu?

A pergunta pegou Mark em tamanha surpresa que ele quase perdeu controle do carro. O rapaz respirou fundo e tomou alguns segundos pensando.

— Sabia que esse dia ia chegar... — Ele olha novamente pelo retrovisor. — Sarah, minha filha. Olha... Não, sua mãe não morreu como o Greg, o amigo do papai. Okay?

— Então cadê ela? — A garota nem esperou ele terminar de falar.

— Ah meu Deus do céu, você não é muito nova pra esse tipo de coisa não? — Ele tentava nitidamente escapar daquela conversa, mas o olhar que sua filha lhe fazia o cortava o coração. — Tudo bem meu anjo. Olha... Sabe as pessoas para quem o papai trabalha?

A garota concordou com a cabeça. Devido à falta de quem pudesse ficar com Sarah durante o dia, Mark acabava levando a menina para seu estúdio durante a semana e, com isso, a pequena Gray sempre ficava amiga de atores, atrizes, cantores e até modelos famosos. Só que o mais engraçado era que a garotinha não fazia ideia de quem eles eram.

— Então... — Ele continuou. — Um dia a sua mãe veio até mim para também fazer uma tatuagem, mas ela era diferente. — Mark para por alguns segundos parecendo estar se lembrando do dia. — Apenas a sua presença já fazia meu coração bater mais forte, seu cabelo era impecável, seus olhos claros pareciam o próprio Sol, seu sorriso jovial e acolhedor e seu toque quente. — Ele olha rapidamente para a garota como se talvez tivesse passado do limite. — Bom... Nós acabamos namorando por um tempo, ficamos juntos, descobrimos que você estava a caminho, planejamos tudo e nos alegramos tanto quando você nasceu. Acho que aquele dia foi o mais feliz da minha vida, quando eu te segurei nos braços pela primeira vez. — Ele dá uma pausa. Por alguns segundos a sombra triste parecia ter deixado seu rosto, mas ela acaba voltando com força. — Mas sua mãe não podia ficar... E precisou se mudar.

— Se mudar? — A garota estava curiosa. — Pra onde papai?

— Ah... Isso, minha filha, é uma coisa que um dia você ainda vai descobrir, mas não hoje.

E o resto da viagem permaneceu silenciosa.

[FIM DO FLASHBACK]

O reflexo em seu rosto fez com que Sarah levanta-se o braço para proteger o rosto.

"Mas o que??"

Ela se aproxima e avista uma saída de ar industrial redonda no chão, como aquelas que são encontradas nos topos de supermercados, shoppings e galpões e que ficam rodando com o vento para fazer ventilar o prédio abaixo.

— Mas o que esse troço está fazendo aqui?

A filha de Íris se aproxima analisando o objeto que parecia intacto, limpo e funcional. Em volta não havia qualquer indício de tecnologia e aquela saída de ar estava bem preza ao chão.

— Estranho... — Sarah dá um chutinho no objeto metálico fazendo um barulho mais alto do que ele queria.

E, para ainda mais surpresa da garota, uma voz saiu de dentro da suposta saída de ar.

— Q-uem? — Uma voz masculina perguntou.

— Mas que diabos? — A garota arregala os olhos e em seguida se aproxima tentando enxergar por entre as frestas sem sucesso. — Hey, Sou Sarah! Você deve ter caído aí dentro enquanto andava pela floresta, os filhos de Hermes e Hefesto adoram fazer essas armadilhas. Vou te tirar daí!

— Obrigado! — Falou a voz em resposta.

A garota então foi logo atrás de um pedaço de madeira que pudesse usar e, colocando o mesmo fincado no chão próximo ao objeto metálico, ela tentava produzir uma alavanca que pudesse arrebentar com o metal. Em um primeiro momento ela mal consegue fazer o galho mover-se, mas Sarah era teimosa demais para desistir.

"Ah... Eu vou abrir essa coisa... Ou eu não me chamo Sarah Gray!!"

Os raios de Sol que surgiam por entre as árvores acabam tocando a pele desenhada da semideusa e, sem que ela percebesse, suas tatuagens acabam ganhando mais cor e o vento parecia circular a menina. Ela agarra sua alavanca improvisada, faz o máximo de força que conseguia para baixo e, surpreendentemente, o objeto metálico tomba para o lado com um rangido seco. Sarah acaba caindo no chão também e acaba levantando um pouco tonta.

— Eu consegui? — Ela limpava suas roupas. — Eu conseguiiii!! hahahaha... — A garota sorri sozinha.

Em seguida ela se aproxima do buraco e olha lá para baixo.

— Alou? Você está aí?


Adendos:
- O uso do Poder Passivo Crepúsculo Iluminado foi apenas para abrir a suposta saída de ar.
Equipamentos:
Croma-Sparti - Uma caneta que muda de cor constantemente, brilhando nas cores do arco-iris. Ao ser pressionada se transforma em uma espada de prata que brilha nas cores do arco-íris, deixando o oponente levemente tonto pela mudança constante das cores. [Presente de reclamação]
Poderes Passivos Intencionais:
Nível 02
Crepúsculo Iluminado - Este horário em específico, entre o dia e a noite, é quando o filho de Íris se torna mais poderoso, duplicando sua agilidade e força, além de poderes naturais.
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Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Ter Out 09, 2018 9:52 pm

Heroes of Olympus

Meus amores. Já disse que gosto da narrativa de ambos? O modo como detalham, que conseguem prender o avaliador ao texto, vossas ações, e tudo que envolva a escrita de vocês! Realmente, não tenho nada a dizer, a não ser apreciar uma linda BMO de ambos juntos. Estou ansioso para ler a continuação.

Ortografia – 5/5
Criatividade – 5/5
Coerência – 5/5
Ações realizadas – 5/5

Ganho de XP* - 600 XP
Dracmas* - 400
-50 de Energia para ambos.

*Devido ao nível de Evan ainda ser baixo, considerei apenas um percentual da recompensa.
Zeus Deuses
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