Heroes of Olympus RPG

[BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho.

Ir em baixo

[BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Qua Out 03, 2018 4:06 pm

ALL MY FEARS
ONLY MISTAKES
Este espaço será destinado para o desenvolvimento da trama de Evan e Sarah, qualquer um que venha a postar sem autorização será punido e seu post será apagado imediatamente.
「R」
Evan A. Finley Filhos de Eros
avatar

Mensagens : 48

Data de inscrição : 08/01/2015

Idade : 23

Localização : Lugar Nenhum


Ficha do Semideus
Vida Vida:
135/190  (135/190)
MP MP:
120/190  (120/190)
Nível Nível: 9

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Sab Out 06, 2018 1:32 pm

ALL MY FEARS
ONLY MISTAKES
Sua cabeça doía, doía como se houvessem me apunhalado pelas costas com uma estaca de madeira, daquelas bem duras. A sala em que se encontrava era fria, o piso levemente pegajoso e o cheiro era de algo fechado, que não é aberto a muito tempo. O garoto abriu um olho e depois o outro, com a escuridão perturbando sua visão. Resmungou baixo, quase de forma inaudível e logo depois levantou-se.

Tratava-se de uma sala de paredes e piso metálicos, praticamente uma caixa. A única coisa que havia ali era um espelho de bordas cor de bronze envelhecido e uma saída de ar, alta demais para ser alcançada em um salto. Finley sentou-se e levou uma das mãos a cabeça, sentindo-a levemente dolorida. Fechou os olhos com força e os abriu novamente, percebendo que a sala estava levemente mais clara que antes.

Com uma das mãos, apoiou-se ao chão e tentou se levantar. Em um primeiro momento viu-se um pouco tonto, mas, logo em seguida, conseguiu se recuperar e não cair no chão novamente.

Caminhou a passos trôpegos até o espelho (único objeto na sala) e o observou de perto. Suas bordas realmente pareciam feitas de algum metal, muito semelhante ao utilizado para criar armas para semideuses, porém, não o machucaram ao toque. Seu reflexo no espelho parecia um tanto borrado devido a poeira ali presente. Evan, então, pegou sua mão e enrolou na manga da jaqueta e levou até ali, limpando-o o suficiente para que pudesse se observar.

Seus olhos estavam largados dentro de uma olheira alarmante, estavam avermelhados e com aspecto de cansados. A maçã de seu rosto estava roxa, provavelmente sofrera algum hematoma ali.Suas vestes estavam velhas, sujas e desgastadas, como se estivesse largado ali há muito. E seus cabelos estavam raspados de uma forma que lembrava o corte militar, porém, feito de qualquer jeito.

Andersen suspirou observando a imagem que via refletida para si e ergueu de leve a sobrancelha quando percebeu que ela começava a mudar, indo de volta para um passado de anos atrás, um passado que até então ele pensava não existir mais dentro de si.

PARTE 1 - A MENTIRA

Seu corpo parecia ter mudado, estava menor. Suas pernas não tocavam o chão e balançavam de uma forma engraçada. Evan estava sentado no sofá e esperava sua mãe terminar de se maquiar para ir ao trabalho. Ele adorava o uniforme da cafeteria onde ela trabalhava: uma calça escura, uma camiseta branca e um avental vermelho com vários desenhos de xícaras de café e biscoitos. Podia ficar horas olhando para eles e se divertindo dando nomes aos biscoitinhos e as xícaras.

O jovem garoto morava com sua mãe em cima de uma loja de tapetes, a casa deles era bem pequena, se é que podia-se chamar aquilo de casa. Só tinha uma sala (que ao mesmo tempo era cozinha), um quarto e o banheiro. A mãe de Evan gostava de dizer que assim que entravam na casa, já davam de cara com a saída. O garoto nunca entendera a referência mas sempre ria para parecer inteligente.

A mãe do jovem, Tereza, era muito bonita. Tinha cabelos loiros e olhos tão azuis quanto o céu. Seu sorriso era tão alvo que às vezes ele dizia que podia enxergar o próprio reflexo, e ela tinha um inconfundível cheiro de biscoitos, daqueles que acabaram de sair do forno. Andersen a adorava, podia passar horas só olhando para ela e sentindo seu cheirinho de biscoito. Não tinham dinheiro para a escola e a do bairro era muito violenta, então, sua mãe sempre o levava para a cafeteria e o deixava nos fundos lendo alguma coisa. O dono do lugar, Sr. Schtz, era muito simpático e tinha uma leve queda por Tereza, então, fazia questão de que Evan ficasse lá. Até tinha improvisado uma mesa para ele, dizia que o garoto tinha seu próprio escritório.

Até então, Evan não entendia muito bem os conceitos de “pai” e “mãe”. Ele imaginou que sua mãe bastava, adorava ela como qualquer criança de sua idade e também não convivia com ninguém diferente de si, ou melhor, não convivia com mais ninguém. Às vezes via as crianças com um homem e uma mulher do lado, mas imaginava que fossem amigos ou só namorados. O problema é que as crianças crescem, suas dúvidas ficam maiores e a forma de explicar as coisas do mundo acabam ficando restritas à uma forma de bolo já pré-produzida.

Aos dez anos Andersen pediu para a mãe que o matriculasse na escola do bairro, apesar de ser perigosa. A princípio ela não achara a ideia muito agradável e a vetara, no entanto, o garoto começou a insistir muito e ela calculou que não conseguiria ensinar tudo o que ele poderia aprender na escola. Sendo assim, fez sua vontade e o matriculou na escola do bairro, onde ele conseguia ir todos os dias numa caminhada de apenas dez minutos.

As maravilhas que a matemática pode oferecer nunca foram o alvo de Finley, ele sempre odiou os números. Sua vocação mesmo eram as palavras, adorava juntar várias palavras em poemas, pequenos trechos que um dia, talvez, se tornassem livros, ou mesmo músicas. Gostara muito da novidade que era juntar um poema a uma batida e assim cantar suas músicas. Os garotos de sua sala o achavam descolado por conseguir fazer isso, e as garotas, o achavam bonitinho. Mas amigos? Ele não sabia ao certo se tinha.

As crianças viviam falando dos pais, no plural, e Evan não entendia muito bem essa concepção. Foi só quando estudou o sistema reprodutor que começou a questionar-se se sua mãe estava realmente certa em relação a tudo. Por isso, naquele mesmo dia em que abrira o livro de biologia e estudara como os homens engravidam as mulheres, que ele chegou em casa se questionando.

— Mãe? — Perguntou, sentando-se no sofá de forma largada.

Sua mãe estava logo atrás, na “cozinha”, preparando um omelete com queijo para o jantar.

— Sim?

— Por que eu não tenho pai? — Se perguntou.

Sua mãe automaticamente parou de fazer o que estava fazendo e olhou para a frente com o olhar vazio, como se tentasse visualizar uma história que só ela tinha acesso.

— Sabia que esse dia ia chegar. — Falou simplesmente.

— Se sabia, por que não me disse nada antes? — Ele olhou cabisbaixo para o chão, já imaginando a possível bronca.

— Bom, não sabia como ia lidar com a verdade. — Ela caminhou até o sofá e se sentou ao lado dele. — Bom, há muito tempo atrás, lá no café, um homem sério de cabelos longos e barba alinhada, me pediu um capuccino. Ele era diferente de todos os outros que eu já tinha visto. — A mãe de Evan sorriu, sonhadora. — Possuía um jeito meio esquisito de se comportar e eu o odiei no momento em que o vi. Sabe, ele se achava demais. — Ela encarou o garoto e acariciou o rosto dele. — Esse homem estava de passagem pela cidade, me disse apenas isso e jogou no balcão um ingresso para o show de uma banda. Cigarettes. Eu nunca nem tinha ouvido falar.

Evan foi lentamente deitando-se no colo de sua mãe, ela o envolveu em seus braços e começou a fazer carinho por seus cabelos castanhos, ora enrolando-os em seus dedos de unhas bem feitas, ora simplesmente passando a mão por eles e os bagunçando de leve.

— … Eu não era muito fã de shows mas decidi ir aquele. Foi em um teatro que hoje nem existe mais. — Sorriu novamente como se aquela memória lhe fosse um sonho. — O lugar do ingresso era bem próximo ao palco, pensei que ele pudesse aparecer a qualquer momento e se sentar próximo de mim, mas na verdade? Ele apareceu foi no palco, filho! — Ela riu e fez cócegas no nariz de Evan. — Ele era o vocalista da banda e sua voz era simplesmente incrível! A melhor coisa que já ouvi! — Ela suspirou e olhou para o filho. — Depois do show ele me chamou para sair, tomamos umas cervejas e ele me deixou em casa. A banda só ficou uma semana na cidade mas foi o suficiente para que, bom, para que você estivesse aqui hoje. — Ela disse, dando de ombros. — Ele seguiu em turnê com a banda e mantivemos contato por cartas por um bom tempo. Quando eu descobri que estava grávida e contei para ele, não me respondeu mais.

Ela deu de ombros e bagunçou os cabelos do filho. Levantou-se novamente e foi continuar fazendo o omelete. Evan ficara chateado, seu pai nunca lhe dera a mínima. Mas ao mesmo tempo estava maravilhado: era filho do vocalista de uma banda! Seus dons artísticos podiam ter sido herdados do pai! Naquela noite foi dormir com um sorriso tão branco no rosto que chegava a se assemelhar ao de sua mãe.

[...]

No dia seguinte, quando chegou na escola, Evan foi pesquisar sobre a banda Cigarettes e logo conseguiu visualizar quem era seu suposto pai. Seus colegas mais próximos ficaram um tanto surpresos com a revelação dele e logicamente começaram a duvidar. Mas Finley tinha bons argumentos. Havia pesquisado sobre a turnê que sua mãe mencionara e viu que as datas realmente coincidiam. Mencionou o teatro e o café que sua mãe trabalhava na época, que, por sinal, até aquela data era o café preferido de seu “pai”. Juntando isso com o talento que ele tinha para música, não foi difícil que seus colegas acreditassem, assim como ele próprio.

Andersen passou a ser um dos garotos mais conhecidos da escola. Passou a adotar o visual meio largado de seu pai, entrou para o time de futebol da escola e logo passou a ficar com a líder de torcida mais bonita. Era o típico sonho americano. Sentia que ali, naqueles corredores, ele que mandava. Tinha o real poder.

Indo ainda mais longe, ele decidiu entrar para a banda da escola e, com as músicas de seu pai, começou a ensaiar para tocar no baile de inverno. Mas foi aí que tudo começou a desmoronar.

Greg, seu pai, morrera em um acidente de carro. Todos na escola ficaram chocados e Evan ficou totalmente arrasado. Seus amigos sabiam que o garoto entrara para a banda e planejara tocar as músicas de seu pai no baile para gravar e enviar para ele, na esperança que um dia pudessem se encontrar. Mas agora estava tudo perdido pois Greg estava morto e mais nada podia ser feito. A dor de perder alguém que nem conhecera só não foi pior que o choque que veio em seguida.

Os repórteres organizaram uma coletiva de imprensa com os membros da banda para que pudessem, finalmente, comentar sobre o ocorrido. A escola arrumou toda a quadra para que todos pudessem assistir juntos, já que alguns não possuíam televisão em casa. A mãe de Evan estava relutante com tudo aquilo, o garoto chegou a pensar que ela estava triste mas a verdade era outra.

Os companheiros de banda abriram o testamento do parceiro em frente às câmeras e leram parte da história deles e principalmente de Greg. E a decepção veio quando nenhuma Tereza foi mencionada e muito menos um possível filho. E então, todos ali começaram a olhar o jovem Andersen com pena, outros se questionaram se o que ele dissera era realmente verdade.

Em casa, naquela mesma noite, ele colocou a mãe contra a parede e a questionou sobre aquela história. E então ela assumira a mentira. Magoado e inconformado com o que acontecera, Andersen, enquanto sua mãe dormia, juntou suas coisas em uma bolsa e saiu de casa para não voltar mais.

PARTE 2 - O ANJO

Evan, por mais que já tivesse 16 anos, ainda não sabia dirigir. Também não possuía um carro. Então, quando fugiu de casa naquela noite, tentou arrumar uma carona. Sabia que, ao amanhecer, sua mãe começaria a procurá-lo e se permanecesse por aquela região, facilmente seria encontrado. Não era o que ele queria.

Caminhou por horas pela avenida e nenhum carro ousou parar para lhe dar carona. Começara a se xingar por não ter pego um pouco de dinheiro, pelo menos para comprar algo que pudesse comer.

O sol já começava a amanhecer atrás de si e a única coisa que havia na sua frente era puro asfalto. Praguejou-se por ser tão burro e sentou-se no chão em exaustão. Puxou os joelhos para perto do peito e se deu ao luxo de chorar por não saber o que fazer. Foi nesse momento que uma caminhonete parou ao seu lado e uma mulher, intrigada com a situação, o questionou.

— Meu pequeno, onde estão seus pais? — Ergueu a sobrancelha fitando-o.

— Não tenho pais. — Ele encarou a mulher, ainda com o rosto cheio de lágrimas.

Ela suspirou e abriu a porta do carona, convidando-o para entrar. Evan assim o fez, adentrou no carro e logo a mulher deu partida, observando-o com atenção. Ela parou o olhar no pulso do garoto onde percebeu haver uma pulseira de couro com um pingente prateado, contendo algumas ervas.

— O que é isso? — Ela perguntou.

Evan olhou para o pulso e se questionou internamente se isso era realmente importante. Deu de ombros e respondeu.

— Minha mãe me deu a muito tempo, disse ser uma erva protetora. — Suspirou.

— Então você tem uma mãe. — Falou ela simplesmente e Evan deu-se conta da merda que havia feito.

— Tinha. — Tentou falar com indiferença.

A mulher limitou-se apenas a um sorriso e continuou dirigindo.

[...

Evan não sabia ao certo qual o destino dela mas também não via problemas nisso já que não sabia o próprio destino. Só voltou a falar novamente quando ela começou a entrar em uma fazenda. Era cheio de verdes, de animais e tinha um ótimo cheiro já conhecido. O mesmo cheiro da erva que havia em seu pulso.

— Conheço esse cheiro. — Pensou em voz alta.

— Sim, ele serve para manter longe criaturas indesejadas. — Disse parando o carro em frente a uma bela casa de cor rósea. — Venha.

A mulher não era muito alta, aparentava ter por volta de quarenta anos. Seus cabelos eram cor de caramelo e seus olhos castanhos. Ela tinha um bom cheiro, não era como o da sua mãe, esse era um cheiro de flores.

Ele a seguiu adentrando na casa. Parecia muito com uma casa de vó, pelo menos com o que ele imaginava que fosse. Sua mãe nunca lhe falara da sua avó, era um dos assuntos proibidos.

A mulher foi apresentando os cômodos ao jovem: cozinha, sala, escritório (não passava de uma sala com uma pequena escrivaninha e várias prateleiras cheias de livros) e por fim o banheiro. Os quartos ficavam no andar de cima mas Evan ia ficar dormindo no sofá.

Ele agradeceu e caminhou em direção ao banheiro para que pudesse tomar banho. Sua aparência no espelho certamente não era das melhores. Estava levemente queimado do sol, seus lábios estavam ressecados e a roupa estava encardida. Pôs a mochila em cima do sanitário e tirou as roupas deixando-as largadas no chão. Entrou no chuveiro e logo começou a tomar banho, sentindo aquela água fria levar embora todos os acontecimentos recentes.

Após o banho ele se dirigiu até a sala onde havia um prato de biscoitos com leite e um bilhete.

“Achei uns biscoitos na cozinha, coma-os com leite. Eu fui adubar as plantas. Descanse um pouco, deve estar exausto! — Lucy.”

Lucy deveria ser o nome dela, Evan supôs. Comeu lentamente os biscoitos tentando adivinhar seus sabores. Ora pareciam de chocolate, ora de baunilha e ora de canela. Era uma divertida combinação.

Após comer, ele levou os pratos até a cozinha e decidiu lavá-los. Ficou observando a janela enquanto isso, vendo a imensidão verde a sua frente e pensando no quão maravilhoso deveria morar ali. Suspirou pensando se sua mãe já teria acordado e dado por sua falta, havia sido egoísmo da parte dele?

Reprimiu seus pensamentos quando deu-se conta de que ela havia mentido para ele por tanto tempo. Saiu da cozinha quando pensou em ir se deitar mas o escritório acabou chamando sua atenção.

Lucy realmente parecia o tipo de pessoa que gosta de perder horas lendo livros, não era a toa que tinha tantos. A coleção dela ia de uma ponta a outra da sala, sem lacunas para que coubessem mais livros. Num dos cantos da sala Evan pôde ver uma bela pena vermelha dentro de uma cúpula, era um tipo de decoração bizarra. E no fundo a mesa da mulher, com alguns papéis soltos e contas de luz e energia.

Andersen sorriu de leve e começou a passar seu dedo pelas lombadas dos livros, deixando-o levemente marcado com a poeira. Ele reparou que Lucy organizava seus livros por cores e não por ordem alfabética, no entanto, nos grupos de cores, estavam organizados em ordem alfabética. Ele sorriu achando interessante a piada e parou quando o dedo encontrou um livro de capa de couro envelhecido. Não possuía nome nem nada do gênero. Curioso, ele puxou o livro e o observou em seus dedos.

Sua capa não dizia nada, poderia ser facilmente confundido com um caderno de anotações. Ele suspirou e caminhou até a mesa de Lucy. Sentou-se e abriu o livro. Estranhamente todas as páginas estavam em branco. O garoto revirou os olhos e então um repentino vento adentrou o lugar fazendo com que todos os livros voassem das estantes que caíssem no chão. De repente a porta do escritório bateu a toda, estrondando a casa inteira. Lá fora Andersen conseguiu ouvir Lucy correndo e o chamando.

— Garoto! O que houve! — Mas a ventania da sala abafava os sons.

As folhas do livro em sua mão começaram a folhear de uma forma intensa enquanto a ventania continuava destruindo tudo até que parou em uma página específica, e, por mais que o vento continuasse, nem o livro nem as folhas se moviam mais.

Engolindo em seco, Evan começou a ler o que havia ali. Parecia uma espécie de ritual para desmistificar a verdade. Tudo o que ele precisava. Começou a ler com atenção e logo levantou-se e abriu a cúpula, pegando a pena vermelha. Voltou até a escrivaninha e abriu suas gavetas, em busca de uma faca ou algo afiado. Acabou achando um estilete.

Estendeu seu pulso sob o livro e cortou-o, derramando seu sangue sob a pena, e ambos sobre o livro. Novas palavras começaram a se formar com o sangue do garoto nas páginas.

— Azirion? — Evan leu e naquele momento a ventania pausou assim como todo o barulho dentro e fora da sala. Como se o próprio tempo houvesse parado.

Uma luz começou a jorrar da pena vermelha que mantinha-se sob o livro e logo um ser humanoide surgiu no meio da sala, com grandes asas brancas e cabelos de mesma cor. Seus olhos eram de um azul extremo e seu sorriso doce como sonhos.

— Sim?

Evan estava paralisado observando aquela criatura.

— Quem é você? — Ele perguntou simplesmente.

— Azirion. O anjo. Você me chamou, certo? — O ser humanóide o questionou.

— Er… Sim! Chamei!

— Você quer a verdade? — Ele questionou o garoto, olhando profundamente em seus olhos.

Mas nesse momento seu sorriso doce tornou-se sombrio. Os olhos tornaram-se dourados e as asas e os cabelos escureceram, assim como sua pele que tornou-se cinza e morta.

— A verdade tem um preço, Evan. — Ele sorriu. — E eu quero a alma da sua mãe em troca.

O garoto se levantou e gritou de forma negativa. Estava assustado, não queria ter feito aquilo.

— Então tudo bem, mas vou ter que levar a sua!

O anjo se aproximou de Evan que gritava e adentrou dentro de si através de sua boca, tornando-se apenas uma névoa negra. Os olhos do garoto ficaram completamente sem vida e naquele momento ele soube de tudo: O acampamento, seu pai Eros, sua mãe que o poupara da verdade para protegê-lo, o amuleto que mantinha seu cheiro oculto para os monstros não o encontrarem, o anjo negro que era Anteros, o irmão de Eros e a mulher, Lucy, que era uma prole de Deméter e que pensava em ajudá-lo a ir para o acampamento.

Anteros materializou-se novamente na frente do garoto e sorriu com suas presas afiadas.

— Você é meu, garoto! — E desapareceu.

Lucy conseguira abrir a porta apenas a tempo de ver Evan desabar no chão. Agora, apenas um corpo vazio.

[...]

Evan afastou-se do espelho arfando em intensidade, como se tivesse acordado de um sonho e só então percebeu que estava dentro da sala metálica. Ergueu o olhar e viu que na parece atrás de si uma escada se formara advinda do próprio metal, indo em direção a saída de ar onde alguém batia, tentando abri-la.

— Q-uem? — Ele perguntou, gaguejando.

— Hey, Sou Sarah! Você deve ter caído aí dentro enquanto andava pela floresta, os filhos de Hermes e Hefesto adoram fazer essas armadilhas. Vou te tirar daí!

— Obrigado! — Falou indo em direção as escadas.

Quando olhou para trás, o espelho não estava mais lá.

「R」
Evan A. Finley Filhos de Eros
avatar

Mensagens : 48

Data de inscrição : 08/01/2015

Idade : 23

Localização : Lugar Nenhum


Ficha do Semideus
Vida Vida:
135/190  (135/190)
MP MP:
120/190  (120/190)
Nível Nível: 9

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Dom Out 07, 2018 10:31 pm

Caminhos Cruzados


"Há uma coisa que é certa, se virmos um ao outro, saberemos." -Mitsuha (Kimi no Na wa)


Era engraçado como as coisas funcionavam rápido no acampamento Meio-Sangue, há duas semanas atrás Sarah era uma novata que mal tinha chegado ao camping e não sabia absolutamente nada sobre o mundo ao qual pertencia. Acabou aprendendo muito sobre Deuses gregos, monstros, heróis, magias, estratégias de batalhas e mais uma infinidade de coisas que ela nunca sonhara existir. A imersão que os semideuses sofriam ali dentro parecia até ser fruto de alguma magia ou habilidade natural que eles possuíam por serem filhos dos todos poderosos Deuses do Olimpo. Ela mesma estava completamente surpresa por estar sendo encarregada de cumprir algumas missões um tanto quanto "perigosas" em tão pouco tempo de estadia no acampamento.

Okay, patrulhar uma floresta que ficava dentro das imediações de um acampamento abarrotado de jovens semideuses, filhos diretos dos Deuses Olimpianos, e que constava ser o mais bem protegido e guardado de todo o mundo não soava ser tão perigoso assim, mas de qualquer forma a filha de Íris não deveria baixar sua guarda ali. Sarah escutou diversas histórias um tanto quanto horripilantes envolvendo aquele lugar, a garota não queria, por exemplo, acabar encontrando um Dragão de Bronze dormindo em uma gruta ou uma Hidra de 7 cabeças procurando o seu lanche da tarde.

"Bobagens... Eles estavam apenas querendo te colocar medo..."

A garota se lembrava do jantar em volta da fogueira na noite anterior com seus meios-irmãos.

Andar em meio aquelas árvores em pleno fim de tarde era um tanto quanto nostálgico para a menina, um ambiente aconchegante com os raios do Sol tomando seu espaço em meio aos pinheiros que ali se faziam presentes. O ar fresco que invadia suas narinas, alguns pássaros alçando voo, as folhagens que pareciam dançar por sobre sua cabeça, tudo isso a fazia lembrar de um momento em específico com seu pai anos atrás.

Sarah caminhava por entre os pinheiros quando o reflexo do Sol bateu em algum objeto metálico no chão voltando direto em seu rosto.

[FLASHBACK]
(OPICIONAL: Play para uma maior imersão aos atos a seguir.)

Era fim de tarde, uma caminhonete grande circulava pela estrada vazia do que parecia ser uma área de fazendas. O homem que dirigia era jovem, barba feita, cabelos curtos e pretos, olhos castanhos, possuía um porte físico forte e algumas poucas tatuagens se espalhavam por seu braço direito. Ele estava sério, focado na estrada e uma certa sombra de tristeza o acompanhava.

— Papai? — Uma voz de criança vinha do banco de trás. — Por que a gente está fazendo essa viagem?

O homem esboça certa felicidade ao ouvir sua filha lhe chamar e até abre um sorriso, como se aquela voz o reconfortasse. Olhando pelo retrovisor ele faz contato visual com uma Sarah muito mais nova do que agora. Seus olhos eram inconfundíveis e seu rosto fino também não tinha mudado muito, mas seu cabelo era azul e sua pele clara não possuía nenhuma tatuagem sequer. A pequena Sarah parecia emburrada.

— Ah minha filha, eu já te contei. O papai está indo se despedir de um amigo. — Ele responde voltando a prestar atenção na estrada.

— Mas eu não o conhecia, por que eu tenho que ir também? — A garota se vira para a janela emburrada.

— Sarah, nós já conversamos sobre isso. — O homem a repreende.

Alguns minutos de silêncio se passam durante a viagem. Sarah ainda fitava a paisagem que passava do lado de fora aonde vales, campos e até uma floresta de pinheiros podia ser visto ao Sol de fim da tarde. Mas o que mais chateava a pequena Gray era a falta de civilização naquele pedaço da estrada, casas raramente apareciam no horizonte. A última que a menina tinha visto tinha sido um casario de dois andares com uma caminhonete prateada estacionada na garagem em uma fazenda ao longe. Por um segundo a garota pareceu avistar uma mulher correndo exasperada e um vento forte balançando as árvores, mas tudo sumiu de sua vista com uma curva na estrada.

— Papai... — A garota agora parecia estar mais séria.

— Sim?

— A mamãe morreu?

A pergunta pegou Mark em tamanha surpresa que ele quase perdeu controle do carro. O rapaz respirou fundo e tomou alguns segundos pensando.

— Sabia que esse dia ia chegar... — Ele olha novamente pelo retrovisor. — Sarah, minha filha. Olha... Não, sua mãe não morreu como o Greg, o amigo do papai. Okay?

— Então cadê ela? — A garota nem esperou ele terminar de falar.

— Ah meu Deus do céu, você não é muito nova pra esse tipo de coisa não? — Ele tentava nitidamente escapar daquela conversa, mas o olhar que sua filha lhe fazia o cortava o coração. — Tudo bem meu anjo. Olha... Sabe as pessoas para quem o papai trabalha?

A garota concordou com a cabeça. Devido à falta de quem pudesse ficar com Sarah durante o dia, Mark acabava levando a menina para seu estúdio durante a semana e, com isso, a pequena Gray sempre ficava amiga de atores, atrizes, cantores e até modelos famosos. Só que o mais engraçado era que a garotinha não fazia ideia de quem eles eram.

— Então... — Ele continuou. — Um dia a sua mãe veio até mim para também fazer uma tatuagem, mas ela era diferente. — Mark para por alguns segundos parecendo estar se lembrando do dia. — Apenas a sua presença já fazia meu coração bater mais forte, seu cabelo era impecável, seus olhos claros pareciam o próprio Sol, seu sorriso jovial e acolhedor e seu toque quente. — Ele olha rapidamente para a garota como se talvez tivesse passado do limite. — Bom... Nós acabamos namorando por um tempo, ficamos juntos, descobrimos que você estava a caminho, planejamos tudo e nos alegramos tanto quando você nasceu. Acho que aquele dia foi o mais feliz da minha vida, quando eu te segurei nos braços pela primeira vez. — Ele dá uma pausa. Por alguns segundos a sombra triste parecia ter deixado seu rosto, mas ela acaba voltando com força. — Mas sua mãe não podia ficar... E precisou se mudar.

— Se mudar? — A garota estava curiosa. — Pra onde papai?

— Ah... Isso, minha filha, é uma coisa que um dia você ainda vai descobrir, mas não hoje.

E o resto da viagem permaneceu silenciosa.

[FIM DO FLASHBACK]

O reflexo em seu rosto fez com que Sarah levanta-se o braço para proteger o rosto.

"Mas o que??"

Ela se aproxima e avista uma saída de ar industrial redonda no chão, como aquelas que são encontradas nos topos de supermercados, shoppings e galpões e que ficam rodando com o vento para fazer ventilar o prédio abaixo.

— Mas o que esse troço está fazendo aqui?

A filha de Íris se aproxima analisando o objeto que parecia intacto, limpo e funcional. Em volta não havia qualquer indício de tecnologia e aquela saída de ar estava bem preza ao chão.

— Estranho... — Sarah dá um chutinho no objeto metálico fazendo um barulho mais alto do que ele queria.

E, para ainda mais surpresa da garota, uma voz saiu de dentro da suposta saída de ar.

— Q-uem? — Uma voz masculina perguntou.

— Mas que diabos? — A garota arregala os olhos e em seguida se aproxima tentando enxergar por entre as frestas sem sucesso. — Hey, Sou Sarah! Você deve ter caído aí dentro enquanto andava pela floresta, os filhos de Hermes e Hefesto adoram fazer essas armadilhas. Vou te tirar daí!

— Obrigado! — Falou a voz em resposta.

A garota então foi logo atrás de um pedaço de madeira que pudesse usar e, colocando o mesmo fincado no chão próximo ao objeto metálico, ela tentava produzir uma alavanca que pudesse arrebentar com o metal. Em um primeiro momento ela mal consegue fazer o galho mover-se, mas Sarah era teimosa demais para desistir.

"Ah... Eu vou abrir essa coisa... Ou eu não me chamo Sarah Gray!!"

Os raios de Sol que surgiam por entre as árvores acabam tocando a pele desenhada da semideusa e, sem que ela percebesse, suas tatuagens acabam ganhando mais cor e o vento parecia circular a menina. Ela agarra sua alavanca improvisada, faz o máximo de força que conseguia para baixo e, surpreendentemente, o objeto metálico tomba para o lado com um rangido seco. Sarah acaba caindo no chão também e acaba levantando um pouco tonta.

— Eu consegui? — Ela limpava suas roupas. — Eu conseguiiii!! hahahaha... — A garota sorri sozinha.

Em seguida ela se aproxima do buraco e olha lá para baixo.

— Alou? Você está aí?


Adendos:
- O uso do Poder Passivo Crepúsculo Iluminado foi apenas para abrir a suposta saída de ar.
Equipamentos:
Croma-Sparti - Uma caneta que muda de cor constantemente, brilhando nas cores do arco-iris. Ao ser pressionada se transforma em uma espada de prata que brilha nas cores do arco-íris, deixando o oponente levemente tonto pela mudança constante das cores. [Presente de reclamação]
Poderes Passivos Intencionais:
Nível 02
Crepúsculo Iluminado - Este horário em específico, entre o dia e a noite, é quando o filho de Íris se torna mais poderoso, duplicando sua agilidade e força, além de poderes naturais.
Sarah Gray Mentalistas de Psique
avatar

Mensagens : 76

Data de inscrição : 16/09/2018

Idade : 18

Localização : Acampamento Meio-Sangue


Ficha do Semideus
Vida Vida:
180/260  (180/260)
MP MP:
110/260  (110/260)
Nível Nível: 17

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Ter Out 09, 2018 9:52 pm

Heroes of Olympus

Meus amores. Já disse que gosto da narrativa de ambos? O modo como detalham, que conseguem prender o avaliador ao texto, vossas ações, e tudo que envolva a escrita de vocês! Realmente, não tenho nada a dizer, a não ser apreciar uma linda BMO de ambos juntos. Estou ansioso para ler a continuação.

Ortografia – 5/5
Criatividade – 5/5
Coerência – 5/5
Ações realizadas – 5/5

Ganho de XP* - 600 XP
Dracmas* - 400
-50 de Energia para ambos.

*Devido ao nível de Evan ainda ser baixo, considerei apenas um percentual da recompensa.
Zeus Deuses
avatar

Mensagens : 218

Data de inscrição : 02/03/2014

Localização : Monte Olimpo


Ficha do Semideus
Vida Vida:
0/0  (0/0)
MP MP:
0/0  (0/0)
Nível Nível: Error 404 - Not Found

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Sab Out 20, 2018 3:25 pm

ALL MY FEARS
ONLY MISTAKES
Era uma manhã fria, não passava-se das cinco da manhã. A prole de Eros estava deitada observando o teto de seu chalé, ainda sem entender muito bem os últimos acontecimentos. Havia acordado naquela câmara fechada, lembranças haviam circulado ao redor de sua mente, logo depois encontrara-se com uma prole de Íris… Tudo era muito confuso para Finley. Ele ainda não havia se recuperado por completo, não com Anteros perturbando sua mente.

Reyna, sua irmã, havia chegado no acampamento vinda da Espanha. Não sabia de muita coisa e havia pedido ajuda a ele, como se o mesmo soubesse. Evan não tinha muita escolha, era melhor ajudá-la e mantê-la segura, afinal, era sua única família. Ainda se perguntava sobre a garota que havia conhecido na floresta, não havia a visto novamente. De alguma forma ela não saía de seus pensamentos, pairava como uma estrela paira sob o céu.

O garoto suspirou e virou-se na cama, observando como sua irmã dormia a sono solto sem aparentes preocupações. Em sua cabeça vinha a dúvida: será que algum dia dormirei assim?

Nesse momento ouviu alguém batendo na porta do chalé, o que era estranho devido o horário. Olhou para Reyna mas ela ainda dormia a sono solto. O garoto suspirou e levantou-se, vestindo apenas sua samba canção. Passou a mão pelos cabelos e logo abriu a porta do chalé, dando de cara com a garota que havia visto na floresta. Ela pareceu travar um pouco ao observá-lo e ele ergueu uma sobrancelha encarando-a, sem entender muito bem.

— Quíron está esperando na casa grande. — Disse simplesmente, virando o olhar e já caminhando na direção da mesma.

Evan ficou sem entender mas deu de ombros e fechou a porta do chalé, voltando para seus aposentos onde pegou seu arco e colocou em cima da cama. Caminhou até o banheiro e tomou um rápido banho de água quente. Era estranho mas o acampamento estava um tanto mais frio que o normal, geralmente ficava sempre em um clima agradável. Algo de errado se aproximava.

Ele vestiu uma camisa preta e uma jaqueta de mesma cor, acompanhando uma calça jeans. Pegou o arco que deixara em cima da cama e caminhou até onde sua irmã dormia. Ajeitou suas cobertas e depositou um beijo em sua testa, saindo do chalé no momento seguinte.

Enquanto caminhava ele foi notando que os chalés ainda estavam quietos demais, os semideuses permaneciam adormecidos. Ele revirou os olhos ao dar-se conta de que fora convocado para alguma atividade de última hora por Quíron e suspirou ao dar-se conta da constatação.

Levando as mãos aos bolsos ele caminhou até chegar a casa grande onde viu a garota loira ao lado do centauro, pareciam conversar sobre algo sério. Evan subiu os degraus e observou o centauro, aguardando-o dizer-lhe algo.

— Finley, chamei a Srta. Gray aqui mais cedo pois desconfio que algo está perturbando a orla de Long Island. Não sei ao certo o que pode ser, temos que investigar. Quero que vá com ela, é uma semideusa experiente e com certeza pode te ensinar algo.

O garoto assentiu e olhou com a visão periférica para a garota ao seu lado, ela parecia estar organizando algo dentro de sua mochila. Ele nem pensara em pegar mochila e colocar nada dentro, apenas pegara seu arco e fora parar ali. Talvez passar um tempo com alguém mais experiente pudesse lhe trazer alguns fritos.

— Vamos, Finley. — Ela falou ao terminar de organizar as coisas em sua mochila.

O garoto não hesitou em segui-la até o estacionamento do acampamento. Sarah se dirigiu até um carro de cor prateada e logo adentrou ali, aguardando que a prole de Eros fizesse o mesmo. Aparentemente ela sabia dirigir, o que o fez pensar que nunca houvera tempo (ou dinheiro) para tal fato. Apenas ficava vendo os carros na rua quando criança, sonhando aprender em algum dia, coisa que, aparentemente, nunca chegara.

Ela ligou o som e deu a partida, guiando o veículo para a colina meio sangue, e, em seguida, ultrapassando a fronteira. No mesmo momento ele sentiu a barreira de proteção mágica ser atravessada e um calafrio lhe percorreu. Era uma das poucas vezes que estava de volta no mundo mortal. Temeu pelo que pudesse acontecer mas sabia que o centauro não havia escolhido a prole de Íris em vão, algum motivo existia por trás de tudo aquilo. Só precisava decidir qual.

— Então, Evan. Gosta de ouvir o que? — Ela falou, para quebrar o silêncio.

Ele parou para pensar um pouco. Gostava de cantar, na verdade. Mas não diria isso a ela, nem se conheciam. Pareceria algo totalmente estranho. Lembrou de Cigarette, a banda de seu pai, ou melhor, de seu suposto pai. E foi aí que ele parou para pensar que nunca havia escutado muitas coisas ao longo de sua vida.

— Tudo bem, acho que não gosta de conversar. — Ela falou e colocou algo para tocar. Ele não conhecia a música mas tinham batidas agradáveis.

A prole de Eros achou melhor continuar calada, não queria parecer mais estranho do que já estava parecendo.

[...]

Já haviam descido a colina meio sangue quando puderam ver uma explosão em uma fábrica de roupas, um pouco a oeste de onde estavam. Por extinto, o garoto segurou o arco de forma firme e olhou para aquela direção. Sarah pareceu entender o recado pois, de última hora, virou o carro na rua que levava para a saída da fábrica.

O estômago de Evan se contraiu em forma de ansiedade e quanto mais o carro se aproximava mais Anteros sussurrava em sua mente, como se o semideus estivesse bem no lugar onde ele queria. A semideusa parou o carro bem em frente a construção, que, aparentemente, havia sido afetada apenas em partes.

Ambos abriram a porta do veículo e observaram o prédio vermelho ruindo nos fundos. Foi aí que outra explosão atingiu a fábrica, fazendo algumas janelas explodirem. Finley se abaixou por extinto e, ainda agachado, caminhou até onde Sarah estava.

— Você está bem? — Perguntou.

— Então você sabe falar, hein? — Ela sorriu e só então ele pôde perceber o quão bonito era o sorriso dela. — Olhe, a praia está logo ali. — E apontou para o azul do mar logo abaixo. — Acho que a perturbação que Quíron falou pode vir daí de dentro.

— E se não vier? — Ele questionou.

— Se não vier nós ficamos famosos por ajudar alguns mortais. — Ela riu. — Vem.

Nesse momento ela segurou a mão do semideus e o conduziu para a entrada da fábrica. Seu toque era leve e macio, como segurar uma pluma. Mas, ao mesmo tempo, Finley conseguiu sentir uma breve corrente elétrica percorrer seu corpo. Sentiu, na mesma hora, Anteros em repulsa aquela situação. O que estaria acontecendo com o deus? Era confuso demais pensar, principalmente em um momento como aquele.

Evan a seguiu até as proximidades da entrada da fábrica. Uma grande grade de metal a circulava, fechada com um cadeado bem grande. Sarah tirou uma faca (a faca do acampamento, ele pôde reconhecer) da cintura e logo colocou a ponta na entrada da chave do cadeado. Após alguns movimentos ela conseguiu quebrá-lo, puxando a corrente que fechava aquela grade em seguida.

Os dois empurraram os portões (um de cada lado) que moveram-se com um rangido estridente. Se alguém realmente estivesse dentro da fábrica nesse momento, provavelmente havia ouvido.

Sarah seguiu caminhando firmemente na frente enquanto Evan seguia atrás, cuidando da retaguarda. Retirara seu arco das costas e estava totalmente atento a qualquer barulho ou qualquer coisa que pudesse observar pelo local. A garota adentrou em um corredor e caminhou lentamente por ele. O semideus ficou de costas para ela, torcendo para que algo, ou alguém, não viesse dos dois lados e os cercassem ali.

Mas adentrar no local fora um erro terrível. Após alguns passos uma nova explosão aconteceu, jogando destroços em cima dos dois e fazendo com que um desabamento de terra os separasse. Evan virou-se de frente para Sarah que corria em sua direção, para que não precisassem se separar enquanto ele mesmo esticou sua mão em busca da dela mas já era tarde. Um monte de pedras e terra havia se postado entre os dois.

— Droga! Evan! Consegue me ouvir? — Ela perguntou, sua voz claramente preocupada.

— S-sim! — Respondeu, olhando de forma atenta tudo ao seu redor.

— Graças aos deuses! Olha, explora esse lado da fábrica, eu vou tentar explorar o outro lado e achar uma saída, ok? Nos encontramos lá fora! — Ela falou por fim.

— Tudo bem! — Respondeu e logo começou a caminhar pelo seu lado do corredor.

De forma atenta ele segurou seu arco e aguçou os sentidos, tentando ouvir tudo ao seu redor para que nada passasse de forma surpresa e o atacasse. Sua cabeça começava a doer e só então ele sentiu um filete de sangue escorrendo por ali, provavelmente uma das pedras havia batido em seu rosto quando tentava alcançar Sarah.

O garoto estranhava que a presença da prole de Íris lhe trouxesse uma paz que não conseguia explicar. Era como se, por incrível que parecesse, Anteros o deixasse em paz por aquele momento. Era a primeira vez em muito tempo que se sentia em paz. Paz de verdade e não apenas a tão costumeira solidão e o silêncio que o circundavam.

O jovem avistou escadas numa bifurcação a esquerda, subiu as escadas de forma lenta e sem pressa, abrindo a porta e observou tudo com atenção. Era levemente escuro, como tudo naquela fábrica. Haviam quadros antigos de seguidores e logo ele pôde ver a foto de uma mulher bem vestida. Uma das únicas mulheres que havia visto ali, aparentemente era a dona da fábrica. Ele ficou observando com um misto de atenção e lembranças. Com certeza aquela mulher era a dona da fábrica, ele sabia que os tempos haviam mudado, algo deveria ter provocado aquele ataque. Seus companheiros, mostrados em outros quadros, pareciam fracos e patéticos, como se pudessem cometer qualquer deslize. Ele grunhiu e revirou os olhos, caminhando até um baú negro que se encontrava naquela sala.

Finley o abriu e logo foi surpreendido com uma porção de corvos que voaram em sua direção. Como isso era possível? Ele não fazia a mínima ideia. Os animais arranharam seu rosto com o bico e com as garras. Quando os corvos saíram de cima de si, observou o fundo do baú e deparou-se com correntes prateadas. O que estariam fazendo ali? Não tinha a mínima ideia também.

Ele esticou a mão sobre as correntes, e, como serpentes, elas ganharam vida e logo se enroscaram ao redor de seus braços, tomando uma coloração negra e apertando os braços do rapaz. Nesse momento ele sentiu uma nova presença na sala ao mesmo tempo que um estrondo podia ser ouvido do lado de fora da fábrica. Grunhiu ao sentir as correntes lhe apertando e balançou os braços, tentando livrar-se delas, de forma inútil.

Anteros apareceu atrás de si, na sala em que estava. Sorriu com seus dentes ferinos, encarando o rapaz. Sua cabeça começou a doer e as correntes apertaram cada vez mais seus braços, fazendo-o gritar profundamente. O deus o observava com ar de superioridade e ria a cada grunhido do rapaz. Lágrimas escorriam de seus olhos e sangue começou a sair de seu nariz, praticamente não conseguia respirar.

Forçando-se a manter-se de pé, ele caminhou até uma porta que havia na sala e jogou seu corpo contra ela, tentando abri-la. Quando conseguiu, deparou-se com uma nova escada mas já era tarde, o impulso que fez para abrir a porta foi o mesmo que o fez rolar escada abaixo, fazendo-o cair de costas no piso inferior.

A cabeça de Finley bateu com tudo sob o concreto e ele sentiu uma breve sensação de vertigem. A forma de Anteros parecia se aproximar cada vez mais até unir-se novamente ao seu corpo, fazendo com que as correntes deixassem seus braços, agora cortados devido a pressão que fora exercida.

Aproximando-se dali, com um sorriso em seu rosto, um ciclope observava Andersen deitado no chão. Sangue escorria de sua boca, o arco estava um tanto longe de seu corpo. O grande homem possuía duas lanças em suas mãos, de alguma forma interligadas por uma corrente.

Ele então lançou uma de suas lanças na direção do semideus, de maneira que a mesma se fincasse nas costas do Andersen, que olhou para o ferimento e logo grunhiu fazendo com que o outro desse um sorriso torto. O homem puxou-o para perto de si, de forma que Evan fosse obrigado a se levantar de forma fraca e relutante.

O homem soltou a arma do corpo do semideus e socou seu rosto, fazendo com que ele caísse no chão com um gemido. Fazendo força, ergueu seu corpo e observou o grande homem a sua volta que o observava com um sorriso no rosto.

Silenciosamente o semideus o rondou, tentando ver brechas em sua armadura. Abaixo dos braços, um ponto fraco comum, porém, num local bem difícil de se acertar. A prole de Eros deu de ombros e caminhou silenciosamente para a frente do homem.

O homem correu na direção de Evan e gritou, mostrando seus dentes amarelados e podres, misturados com um aroma que fez o estômago do garoto se revirar.

— Eu vou acabar com você.

A lâmina do homem o acertou de forma diagonal, cortando seu abdômen. O homem deu um chute no local fazendo com que o garoto caísse de costas no chão, por sorte, próximo ao seu arco. Andersen sorriu de alívio e logo o pegou em mãos.

O ciclope parecia ter uma força descomunal, girou o par de lanças ao mesmo tempo que girava seu corpanzil, e, por mais que a prole de Eros se esquivasse na hora, uma das lanças acabou por atingi-lo no peito, fazendo um corte pouco acima da altura dos mamilos e rasgando sua camisa preta.

— Porra, eu gostava dessa camisa. -- Falou com as sobrancelhas erguidas num misto de dor e desordem mental.

O grande homem o observou sem entender, o sangue escorria e o ferimento estava aberto mas o Andersen estava tão atordoado que não dava a mínima.

Finley abriu as mãos e puxou o cordel de seu arco, fazendo com que o mesmo acabasse ganhando vida. Com um movimento rápido, o semideus atirou uma flecha na direção do ciclope, fazendo com que ela se multiplicasse e o ferisse em vários lugares ao mesmo tempo. Mas, nesse momento, o outro também agiu, lançando sua lança na direção do semideus e prendendo-a nas costas do mesmo, que gritou sentindo seus joelhos penderem de forma leve.

O ciclope o puxou para perto de si e ergueu a outra arma, pronto para atingir o semideus mas este, com as palmas das mãos, criou chamas negras, explodindo-as em contato com o peito dele, de forma que caísse longe das próprias armas. O homem praguejou mas logo se levantou, mostrando-se mais ágil do que Evan imaginara.

Ele desembainhou uma espada que estava presa em suas costas, ocultada pelas lanças, e logo veio correndo na direção da prole de Eros. Finley desviou para o lado mas de alguma forma o monstro ficara extremamente rápido e girara para a esquerda, ficando de frente para si e atingindo seu ombro.

A expressão de Andersen era de pura dor, enfim um oponente duro de matar. Deu um salto para trás e logo o ciclope já estava colado em si novamente, tentando desferir um golpe em sua costela, desviado quase que com sucesso, Evan conseguiu ser atingido de leve e outro filete de sangue brotou dali. O semideus bufou e logo fechou os olhos.

Evan grunhiu e cerrou os punhos sentindo suas costas latejarem, seus joelhos penderam para frente e os olhos ficaram totalmente vermelhos assim que o abriu. O ciclope, levemente atordoado, observou-o sem entender nada mas logo ergueu os olhos em descrença quando um par de asas brotou das costas do mesmo, fazendo escorrer sangue por toda as costas do rapaz.

Os gritos do garoto cortavam o silêncio enquanto as asas se alongavam, ganhando forma. Lágrimas saíam de seus olhos e ele se sentia abandonado como uma criança em meio a multidão. Era a primeira vez que sentia o poder de seu pai se apoderar de si. Tossindo e fraquejando, Evan se levantou e sentiu seu corpo extremamente fraco. Mas a determinação era maior. O semideus ergueu voo em direção ao ciclope, abriu as asas por completo e as fechou, de forma que as penas atingiram o outro em forma de chuva.

O ciclope gritou ao se levantar com o rosto desfigurado enquanto Evan pousava no chão. O garoto mantinha-se ofegante, havia gastado energias demais com toda a combinação de poderes.

O outro, agora sem armas, correu na direção de Evan, mesmo com todo o rosto desfigurado. O semideus ergueu-se mas seus joelhos tombaram. O ciclope agora queria um combate corpo a corpo, e, quando ganhou proximidade o suficiente, deu uma joelhada no rosto do semideus, fazendo com que sua cabeça voasse para trás, quebrando assim, seu nariz.

Finley pegou o arco e concentrou todas suas energias restantes ali, puxando o cordel de forma lenta. Uma seta de cor rosê começou a se formar ali, tão grande que fez o ciclope hesitar e parar, observando o alado a sua frente. Evan soltou a seta que atingiu o peito do monstro, deixando-o sem ar e com os olhos arregalados.

Finley sentou-se no chão, coberto de sangue e encostou-se na parede da fábrica, ofegante e olhando para o céu, que seguia sem estrelas, tombado devido a explosão. Achava que não tinha mais forças para lutar.

Mas foi então que o ciclope começou a rir e Evan ergueu uma sobrancelha sem entender nada. O monstro se levantou e caminhou em sua direção, Evan levantou-se com ajuda da parede e caminhou de costas pela lateral da fábrica, enquanto o outro vinha faminto na sua direção.

Finley engoliu em seco, sentiu a temperatura levemente mais alta ao redor de si e ouviu um grito ao longe, sem entender de quem seria ao certo. O ciclope pegou a espada que estava jogada no chão, provavelmente havia caído quando Evan lançara a chuva de penas

— Vamos terminar com isso, semideus. — Ele sorriu e correu na direção de Evan, enfincando a arma em seu abdômen.

Andersen cuspiu sangue mas logo conseguiu dar um sorriso ao transfigurar seu arco em uma agada e perfurar o pescoço do ciclope em um último ato. No momento seguinte ele se tornara pó.

O arco do garoto voltou a sua forma original, caindo no chão no momento seguinte. Evan caíra emborcado no piso da fábrica, suas asas cobrindo o corpo do rapaz. Seus olhos estavam quase fechando quando Sarah deu um grito ao vê-lo.

— Evan! — Falou em desespero.

Correu na direção do semideus e logo pegou sua cabeça colocando em seu colo.

— Pelos deuses! O que fizeram com você! — Ela falou antes de perceber as asas que o cercavam, de penas brancas sujas de sangue.

Evan abriu os olhos ainda atordoado mas sentiu seu corpo sendo levemente curado pela presença dela, ainda não compreendendo o porquê.

PODERES E ARMAS:


PIKO: É um arco aparentemente simples e de madeira, porém, esconde muito mais do que aparenta. Piko é um espírito muito antigo ligado a Eros, e, está aprisionado em seu arco. Este, tem a capacidade de, quando seu cordel é puxado, conjurar uma seta avermelhada que, quando lançada, se multiplica em 15x, caindo em forma de chuva em cima do inimigo, causando pequenos rasgos e deixando-o lento. A segunda seta que ele pode conjurar é uma única seta azul extremamente veloz, causando o dano da perfuração de uma lança. A terceira e última habilidade do arco é invocar Piko, que, e forma de tentáculos, voará em direção ao inimigo, prendendo seus
braços e pernas e deixando-o imóvel por um turno. [PRESENTE DE RECLAMAÇÃO]

Fogo do Ódio - [Estágio 1] o filho de Eros pode manipular as chamas negras do ódio para poder atacar os seus oponentes porem causa poucos .

Asas. - Eros era um deus alado, e por isso, quando os filhos de Eros descobrem ser filhos do deus do amor, asas começam a crescer e vão aumentando de tamanho a cada nível. Ainda neste nível dá para voar por baixas altitudes (à partir do nível 5, pode-se voar por qualquer altura).

Asas Escondidas. - Agora, os filhos de Eros conseguirão esconder suas asas, deixando-as dentro (literalmente) de seus corpos, só saindo quando os filhos de Eros quiserem.

Ataque aéreo – Os filhos de Eros utilizam suas asas para desferir uma sequencia de golpes no oponente o que o deixa um pouco atordoado
Chuva de Penas - O filho de Eros pode disparar uma sequencia de penas de suas asas. As penas são cortantes e rápidas capazes de causar sérios danos aos inimigos.

Cura do amor. - Quando Os filhos de Eros estão perto de uma pessoa que eles gostão ou amam e ambos se machucam o filho de Eros pode recuperar entre 15 a 25 de HP involuntariamente de ambos tanto a pessoa que o filho de Eros gosta ou ama quanto o próprio filho de Eros.
「R」
Evan A. Finley Filhos de Eros
avatar

Mensagens : 48

Data de inscrição : 08/01/2015

Idade : 23

Localização : Lugar Nenhum


Ficha do Semideus
Vida Vida:
135/190  (135/190)
MP MP:
120/190  (120/190)
Nível Nível: 9

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Ter Out 23, 2018 3:40 am

O filho de Atenas


"Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio." -Pitágoras


Uma pancada seca na mesa de madeira de mogno fez-se ouvir da sala de reuniões do casarão sede do Acampamento Meio-Sangue. Antony, um legítimo filho de Ares, tinha acabado de esmurrar o móvel.

— Isso é um ABSURDO! — O rapaz alto, corpulento, musculoso, loiro e de olhos azuis estava tão vermelho que os morangos das plantações do acampamento sentiriam inveja dele. — Como você pode escolher enviar esse tipo de grupo para uma missão tão importante?

Era início da noite, a sala estava sendo iluminada pela lareira e por um abajur antigo, a mesa central tinha diversos pergaminhos, mapas e anotações espalhadas nela, as cadeiras estavam vazias e, além de Antony, outras duas pessoas se encontravam no aposento: Sarah Gray e Quíron, o diretor do acampamento. A filha de Íris estava próxima da porta, de braços cruzados e expressão séria, já o centauro se encontrava em sua típica cadeira de rodas, sereno e próximo à lareira.

— Sr. Parquer — Começou a falar tranquilamente com toda a sua sabedoria. — O mínimo que eu peço dos semideuses residentes deste Acampamento é um pingo de respeito uns para com os outros e todos para comigo. Deixe-me ser mais claro: Essa não é uma missão de força bruta, precisamos de uma equipe de reconhecimento e, na minha visão, esse tipo de grupo ao qual você se refere é sim o mais adequado, então...

— O chalé de Ares não vai aceitar! — Cortou o garoto.

— O chalé de Ares — Quíron respondeu firme. — Vai aceitar o que o seu diretor pré-determinar! — As chamas na lareira se agitaram e o centauro levantou de sua cadeira ganhando tamanho, mostrando soberania ao pronunciar cada palavra. — Essa missão, Sr. Parker, será realizada pelo chalé de Íris e qualquer objeção está fora de questão. Estamos entendidos?

De fato, Quíron era muito alto. A sombra do centauro pairou sobre os garotos e, mesmo que não fosse com ela, Sarah se sentiu encolhida em seu cantinho. O filho de Ares, por outro lado, encarou o diretor olho-no-olho e, por um segundo, a pequena Gray acho que a situação fosse esquentar, o que causou um calafrio em sua espinha. Antony cerrou os olhos, bufou, deu as costas e saiu pisando firme da sala de reuniões, ao passar pela porta ainda deu uma ombrada em Sarah, o que quase fez a garota cair no chão.

— Ogro... — Sussurrou quando ele já estava longe.

— Ah, desculpe o acontecido. Sendo um filho de Ares, Antony pode até ser difícil de lidar, mas com certeza suas intenções são as melhores.

Quíron coçava os olhos com uma das mãos enquanto se aproximava da mesa central, naquele momento a filha de Íris pôde perceber a sombra que pairava sobre seu rosto e o quão aparentes eram suas rugas devido à idade. A garota apenas ficou calada, imaginando o peso que o centauro carregava nos ombros por conta do acampamento.

A tatuada também se aproximou da mesa, calada, dando o tempo que o diretor precisava para se recompor. Depois de alguns segundos, ele enfim falou.

— Bom, Sarah, deixe-me explicar a situação. — O homem estendeu um mapa do estado de Nova York na mesa, mais precisamente Long Island. — Houveram relatos estranho vindos dessa parte da cidade, alguma coisa envolvendo perturbações de madrugada e barulhos estranhos e muito altos.

O centauro dá uma pausa verificando se a garota estava acompanhando.

— Bom, não foram relatados ataques ou mortes, então a polícia local não se encontra tão alerta em relação a esses casos, por isso vocês terão certa liberdade para investigar.

— Certo... — A pequena Gray concordou sem tirar os olhos do mapa.

— Mas Sarah, lembre-se: É uma missão de investigação! Evitem qualquer tipo de confronto, a menos que seja realmente necessário.

— Entendi. — A garota respondeu de imediato, mas logo depois olhou confusa para o híbrido. — Espera, Quíron. Como assim ‘Evitem’?

Ele sorriu com a pergunta.

— Sim senhorita Gray, você irá acompanhada para Long Island. Tomei a liberdade de pedir apoio ao chalé de Eros, acredito que um arqueiro seja ideal para essa missão. Além disso eles tem a tendência de serem bem furtivos, então será uma parceria que irá se enquadrar perfeitamente bem com a situação.

— Hm, legal... Okay — Sarah assente pensativa.

Ter companhia animava a menina, principalmente por se tratar de uma missão no exterior do acampamento. Na cabeça da prole de Íris, era menos estressante ter com quem conversar.

— Então, — Disse o Centauro enquanto se encaminhava para a porta. — Se já terminamos aqui, vá até o chalé de Eros e chame por Evan, Evan Finley. Ele é um novato, mas creio que esta será uma boa missão para que ele ganhe experiência fora das imediações do Acampamento sem correr riscos. Conto contigo Sarah.

— Certo! — A garota confirmou com firmeza.

“Evan Finley, esse nome não me é estranho.”

Mal sabia ela que esse era o mesmo rapaz que tinha encontrado na floresta alguns dias atrás.

• • •

— Então, Evan. Gosta de ouvir o que? — Ela falou tentando quebrar o silêncio da viagem.

Sarah aprendeu a dirigir assim que completou 16 anos, umas das vantagens de ter um pai com rico. Mas, mesmo assim, ela sempre optou por carros antigos, exatamente para destoar da visão de patricinha que os colegas da escola viam nela. Pena que nunca deu certo.

— Tudo bem, acho que não gosta de conversar. — A garota apertou o botão do rádio ligando o mesmo.

O Ford Crown Victoria azul agora cortava a pista ao som de “Sweet Dreams”.

• • •

Mal tinham chegado na cidade e a situação já se mostrava pior do que realmente ela deveria ser, uma explosão aos fundos de uma fábrica de roupas saldou os garotos como uma mensagem de boas-vindas. A filha de Íris logo conduziu o carro naquela direção.

Assim que pararam e desceram do carro, um segundo estrondo quebrou as vidraças do prédio.

“Alguém está comemorando o Ano Novo mais cedo, pena que esqueceram que os fogos precisam ser soltos ao ar livre.”

— Você está bem? — Uma voz perguntou logo atrás dela.

O filho de Eros, aparentemente, se aproximou agachado dela depois de rodear o carro, seu olhar transmitia insegurança. Sarah, por outro lado, ainda estava de pé e tranquila no meio daquele caos. Ela sorriu.

— Então você sabe falar, hein? — A garota queria passar confiança e segurança para seu parceiro, afinal, esse era papel dela como a mais experiente da equipe. — Olhe, a praia está logo ali. — E apontou para o azul do mar logo abaixo. — Acho que a perturbação que Quíron falou pode vir daí de dentro.

— E se não vier? — Ele questionou.

— Se não vier nós ficamos famosos por ajudar alguns mortais. — Ela riu. — Vem. — Pegando na mão de Evan, ela os conduziu na direção do prédio semidestruído.

Abrir a grade foi fácil, principalmente quando você dispunha de uma faca de prata forjada pelos filhos de Hefesto, difícil foi manter a discrição ao abrir um portão de ferro desgastado. O rangido que aquela coisa produziu tinha sido mais alto do que o grasnar de uma Harpia. Além disso, a falta de iluminação incomodava a filha de Íris, o corredor que eles seguiam era tão mal iluminado que a menina seguia apalpando a parede a fim de não pegar um caminho errado.

“Será que tem como ficar pior do que isso?”

Existe uma frase que diz: “As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade”, mas, no caso de semideuses, seus pensamentos devem ser poderosos o suficiente para que não precisem ser pronunciados e tenham o mesmo efeito.

A explosão que aconteceu logo em seguida foi tão forte e próxima deles que vários destroços caíram violentamente no caminho, entre o filho de Eros e a filha de Íris, separando os dois semideuses.

Sarah se levantou um pouco zonza e com um forte zumbido no ouvido esquerdo. O que era aquilo?

— Droga! Evan! Consegue me ouvir? — Ela perguntou preocupada.

— S-sim! — Respondeu o garoto do outro lado.

— Graças aos deuses! Olha, explora esse lado da fábrica, eu vou tentar explorar o outro lado e achar uma saída, ok? Nos encontramos lá fora! — Ela falou por fim.

— Tudo bem! — Ela pôde ouvir o garoto se afastando.

Se Evan encontrasse a saída, então estava tudo certo. Toda a responsabilidade cairia em seus ombros, caso alguma coisa viesse a acontecer ao rapaz.

Sarah caminhou por um corredor estreito e comprido, indo cada vez mais para o fundo da fábrica, até chegar em um grande salão, repleto de maquinários grandes, velhos e enferrujados. Ali deveria ter sido a área de produção a décadas atrás, pois a poeira e as teias de aranhas se acumulavam nos cantos. Um calafrio chegou a percorrer sua espinha só de pensar nos aracnídeos.

A menina seguiu silenciosamente pelo mesmo caminho até escutar vozes à frente. Não conseguiu discernir o que diziam, mas nitidamente era um homem e uma mulher. Sarah então se aproximou mais e mais, devagar, cautelosamente, até conseguir tanto visão quanto entender o que os dois conversavam.

Ao fundo do prédio, sobre os destroços entulhados daquilo que um dia foi o teto da fábrica, encontrava-se um rapaz alto, magro, de cabelos cacheados e pretos. Estava de costas e parecia olhar alguma coisa na base da pilha de destroços, do outro lado de onde Sarah se encontrava. E, poucos metros à sua frente, também de pé, mas na parte de baixo do aglomerado de tijolos e telhas, uma menina de cabelos longos e ruivos falava com o primeiro.

— Eric, por favor. — Esse nome fez com que Sarah franzisse o cenho. — Isso já chamou muita atenção. Nós temos que ir antes que as coisas se compliquem para nós.

— Jazmin. — A voz grossa e forte do homem ecoou, mesmo que ele estivesse falando baixo. — Se você quer tanto ir, vá. Mas eu não sairei daqui até conseguir o que quero.

A vestimenta dos dois era completamente diferente um do outro. Enquanto a ruiva vestia jaqueta de couro preta camisa branca, calça jeans azul, luvas de dedo cinza e uma bota de cano auto preta, o rapaz usava uma espécie de túnica branca de manga longa e decido leve, com calças bege claras de costura fina e chinelos também brancos. Um verdadeiro contraste.

— Olha, eu não estou dizendo que você não consegue. — A de jaqueta tentou se explicar. — Estou dizendo que é melhor irmos agora para evitar problemas.

— Eu sei. — Ele respondeu se agachando, ainda sem tirar os olhos do que quer que se encontrava ao sopé do monte de entulho. — E eu estou dizendo que só sairei daqui depois que eu conseguir domá-lo.

“Domá-lo?”

Curiosa, Sarah tentou se aproximar mais, indo para trás de uns caixotes vazios à direita da ruiva. Dali, ela ainda não tinha visão do outro lado do monte de destroços.

— Ah Eric, por favor. Eu só me preocupo com você.

— Se preocupa é?

Eles pareciam estar prestes a entrar em uma DR. Enquanto isso a filha de Íris esticava o pescoço para o lado. Um rabo vermelho e reptiliano começava a aparecer em seu campo de visão.

“Mas que m...?”

Sarah acabou colocando muito peso em um dos caixotes, sua mão afundou na compensado e ela acabou caindo e derrubando todas as peças de madeira no chão. A reação de surpresa dos dois deu tempo apenas para que a semideusa ficasse de pé.

— O que é isso? — Jazmin levantou as mãos como se fossem garras.

Sarah tentou pegar sua caneta-espada.

— Não! — Eric estendeu o braço direito e uma cobra voou na direção da tatuada.

O animal mordeu o ombro da garota antes mesmo que ela conseguisse tirar sua mão do bolso e, no mesmo instante, a filha de Íris enrijeceu, todos os seus movimentos ficaram duros e ela tombou lentamente para a frente. A queda foi feia, a garota acabou batendo com o rosto no chão e sua boa agora tinha gosto de sangue. Ela ainda conseguia respirar e mover os olhos, mas todas as suas outras articulações pareciam ter congelado, até falar era impossível.

— Ora ora ora... — A voz feminina se aproximou. — Uma semideusa! — Jazmin virou Sarah de barriga para cima a empurrando com um dos pés. — Pois saiba, sua nojentinha, que você tem muita sorte. Se fosse humana, você teria morrido com o veneno antes mesmo de chegar a encostar no chão.

A ruiva entrou em seu campo de visão e, com isso, foi que Sarah percebeu que ela não era uma mulher normal. Mesmo com as curvas sensuais de seu corpo e o traçado fino e bonito de seu rosto, seu cabelo ruivo na verdade eram chamas, seus olhos eram totalmente brancos, um pequeno par de chifres negros brotava de sua testa, as mãos da mulher tinham garras enormes no lugar das unhas, seu andar era bem estranho e dentes caninos protuberantes saltavam para fora da boca quando ela sorria. Era uma Empousa.

— Ou talvez — Ela de agachou perto da tatuada. — Você não tenha tido tanta sorte assim.

Jazmin passou seu indicador suavemente no braço de Sarah, o que acabou abrindo um rasgo fino em sua pele. Com toda certeza o veneno apenas tinha tirado seus movimentos, porque a filha de Íris viu estrelas ao sentir a dor latejante que o toque da criatura lhe causava. Gritar também não era uma opção, por isso grunhiu o mais alto que pôde. Jazmin riu.

— Jazmin! — Eric chamou do topo do monte de entulhos, aparentemente ele permanecia na mesma posição, agachado. — Você vai acabar o acordando.

— Ah, faça-me o favor Erictônio! — A ruiva protestou com raiva. — Quando você pode se divertir tudo bem. Explosões pra cá, explosões pra lá. Mas quando eu arranjo um brinquedinho novo não pode!

A Empousa abaixou e fincou as cinco garras no ombro da filha de Íris com tanta raiva que atravessou pele, carne, ossos, tudo. A menina urrou e, dessa vez, quase desmaiou.

— Existe uma grande diferença. — Ele ainda mantinha o tom sereno e calmo.

— Claro! Toda a diferença. Muita diferença! — A menina dos cabelos de fogo retirou suas garras, lágrimas escorriam dos olhos de Sarah. — Ah, olha! Ela está chorando... — Jazmin passou o polegar no rosto de Sarah secando suas lágrimas, mas as garras enormes acabaram abrindo outro talho da bochecha da garota. — Ups... Hihihihihihi...

A filha de Íris se esforçou ao máximo para conseguir mexer qualquer músculo, só um, qualquer que fosse, mas tudo em vão.

— Jazmin...

— Aaaah — A mulher levantou completamente revoltada. — Jazmin, Jazmin, Jazmin... Você só sabe reclamar?

E, logo depois de seu ataque de fúria, o movimentar de algum mostro bastante grande pôde ser ouvido dentro da sala, o que quer que fosse que Eric estava observando, agora estava se mexendo.

— Parabéns Jazmin — Ele ainda continuava com seu tom calmo e sereno, pelo visto nada conseguia abalar aquele homem. — Você realmente conseguiu o que queria.

Sem conseguir se mexer para ver o que era, Sarah apenas escutou passadas pesados, um grito animalesco de monstro, um barulho de chamas, uma explosão próxima e, por fim, um bater de asas. Foi então que o monstro entrou em seu campo de visão: Se tratava de uma enorme serpente alada, uma mistura de dragão com cobra, mas com muito mais características ofídias. O bicho deveria ter cerca de 7 ou 8 metros de comprimento, era todo coberto por escamas vermelhas, possuía dois bracinhos musculosos de dragão, asas enormes também rubras, uma cabeça triangular, olhos amendoados e com a íris fina, uma língua que ia e vinha catando o ar e uma pequena penugem rubi na ponta de sua calda.

O monstro passou voando por sobre uma Sarah paralisada -tanto de medo quanto magicamente- e alcançou os céus de Nova York, mas, antes que ela se perdesse de vista, um pequeno ponto branco podia ser visto agarrado em sua calda: Era Eric.

— Ai ai... — Jazmin se aproximou de Sarah e sentou no chão ao lado da garota. — Agora somos só nos duas.

Sarah sentia um formigar na ponta do dedão do pé esquerdo. Será que o efeito do veneno estava passando? Ou será que o conjurador precisa estar perto para que o efeito continue?

— Sabe... — A Empousa fazia “carinho” no braço da semideusa. — Erictônio as vezes pode parecer um pouco maluco e obcecado com serpentes, mas no fundo, eu o entendo. — Ela deu uma pausa. O formigamento de Sarah estava chegando ao joelho. — Convenhamos, né? O pobrezinho foi esquecido pelo pai e abandonado pela própria mãe. Você acredita que ela, aquela megera, até mesmo largou uma cobra dentro do cesto da criança para que ele fosse mordido e morresse?

Agora tudo fazia sentido, era óbvio, Sarah tinha acabado de lembrar de onde ela conhecia esse nome: Eric, mais conhecido como Erictônio de Atenas, o filho de Atenas com Hefesto. Na história diz que Atenas, um dia, acabou se interessando pelas armas forjadas por Hefesto e se aproximou do Deus da forja que, convenientemente, se encontrava abalado e triste por ter descoberto que Afrodite, sua esposa, estava tendo um caso com Ares, o Deus da Guerra. Hefesto acaba se apaixonando pela Deusa da Sabedoria e a persegue, mas Atenas foge e, quando ele consegue agarra-la, a Deusa não permite o ato sexual e o Deus ejacula em sua coxa. Enojada, Atenas se limpa jogando o sêmen na terra, e daí nasce Erictônio.

Após Erictônio ter nascido, Atena o criou escondido dos outros deuses, o colocou em um baú, o entregou a Pândroso, filha de Cécrope I, e a proibiu de abrir o baú. Mas suas irmãs, curiosas, o abriram e viram uma serpente enrolada no bebê. Elas acabaram mordidas pela serpente, enlouqueceram e se jogaram de um penhasco.

Erictônio era visivelmente um amante e domador de serpentes. Estaria ele atrás de criaturas maiores para conseguir vingança?

— Pois então mocinha, cansei. — As palavras da Empousa fizeram Sarah acordar de seu devaneio. — E também estou com fome. Tudo bem que eu prefiro beber o sangue de jovens rapazes, bonitos e viris, mas o seu deve servir para um tira gosto.

O formigamento de Sarah chegava em seu cotovelo. Jazmin debruçou sobre o corpo paralisado da garota, abriu uma enorme boca cheia de dentes afiados e se aproximou do pescoço da filha de Íris que urrava o máximo que conseguia. O hálito da mulher-demônio era nojento, seus cabelos de chamas quase queimavam o rosto da semideusa, algumas gotas de baba escorriam pelo seu queixo e os olhos da garota tatuada estavam cheios de lágrimas. As presas pontiagudas fizeram contato com o pescoço da menina.

CLICK

Sarah conseguiu apertar a caneta em seu bolso, fazendo com que sua ponta se transformasse em um fio de espada monocromático e tanto rasgasse a lateral de sua calça quanto furasse a barriga da mulher-demônio.

— Sua... — Jazmin cuspiu um pouco de sangue. — Vadiazinha.

— Vá para o inferno!

Sarah recuperou suas forças e, com um giro, ela rasgou a Empousa no meio. A mulher começou a gritar histericamente e a queimar por completo.

A filha de Íris ficou de pé, soberana, observando sua oponente queimar em chamas e depois se transformar em pó dourada, só para ter a certeza de que ela não voltaria à vida.

“Evan!!”

A preocupação veio à tona, seu coração acelerou e ela correu, tinha que encontrar seu parceiro e ter certeza de que ele estava bem.

• • •

Sarah nunca tinha ficado tão preocupada assim. Já estava de volta ao acampamento, os ferimentos de Sarah estavam todos enfaixados, o relatório já tinha sido entregue à Quíron e a filha de Íris já tinha até batido boca com Antony, o filho de Ares. Mas Evan ainda estava no leito hospitalar e não tinha acordado.

Horas já tinham se passado, o dia começava a raiar e, mesmo assim, Sarah não conseguia -e nem queria- sair do lado da cama do filho de Eros. Passara a noite acordada, preocupada e com o coração apertado. Ora andava de um lado para o outro, ora segurava a mão do menino.

E foi quando o primeiro raio de Sol entrou pela janela, iluminando parte do leito, que Evan abriu os olhos vagarosamente e chamou.

— Sarah?

Os olhos da filha de Íris encheram-se de lágrimas, mas, dessa vez, acompanhados de um sorriso acolhedor.


Equipamentos:
Croma-Sparti - Uma caneta que muda de cor constantemente, brilhando nas cores do arco-iris. Ao ser pressionada se transforma em uma espada de prata que brilha nas cores do arco-íris, deixando o oponente levemente tonto pela mudança constante das cores. [Presente de reclamação]
Poderes Passivos Intencionais:
Nível 01
Perícia com Espadas - Os Filhos de Íris possuirão uma habilidade destacável na manipulação de espadas, fazendo movimentos incríveis sem ao menos ter tocado em alguma na vida.

Nível 04
Paciência Gloriosa - O filho da Deusa possui uma paciência inabalável, assim nenhum insulto o atingirá, nem mesmo dos filhos de Ares, e ele prosperará harmonia.

Nível 05
Beleza Incomum - Íris era retratada como uma bela deusa jovem. Seus filhos puxaram a beleza da mãe, não é algo que se compare a um filho de Afrodite, mas eles possuem uma beleza diferente das outras pessoas.

Nível 09
Velocidade Hiper-Humana - Você se torna tão rápido quando os filhos de Hermes. Assim como o deus dos ladrões, sua mãe também é uma mensageira, e por isso é muito veloz.
Sarah Gray Mentalistas de Psique
avatar

Mensagens : 76

Data de inscrição : 16/09/2018

Idade : 18

Localização : Acampamento Meio-Sangue


Ficha do Semideus
Vida Vida:
180/260  (180/260)
MP MP:
110/260  (110/260)
Nível Nível: 17

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em em Ter Out 23, 2018 10:39 am

Heroes of Olympus

Que emoção! Adorei a aventura de vocês, teve de um tudo um pouco e confesso que gosto disso. Não foi uma leitura monótona, com enrendo corriqueiro. Fui pega de surpresa muitas vezes durante a narrativa. Encontrei alguns errinhos, pontuação e outros que provavelmente são de digitação. Mas nada que gere preocupação, talvez um pouco mais de atenção da próxima vez. Estão de parabéns pelo trabalho!

Ortografia – 4/5
Criatividade – 5/5
Coerência – 5/5
Ações realizadas – 5/5

- Evan
500 XP
500 Dracmas  
- 30 energia
- 25 HP ( Decorrente da batalha)


- Sarah
500 XP
500 Dracmas  
- 30 energia
- 25 HP ( Decorrente da batalha)



_________________
Hécate
Hécate Deuses Menores
avatar

Mensagens : 90

Data de inscrição : 30/09/2018

Localização : Nas sombras


Ficha do Semideus
Vida Vida:
100000/100000  (100000/100000)
MP MP:
100000/100000  (100000/100000)
Nível Nível: Divino

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [BMO - Evan A. Finley e Sarah Gray] Os dois lados de um caminho. publicado em

Conteúdo patrocinado
Conteúdo patrocinado

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissoes deste sub-fórum
Você não pode responder aos tópicos neste fórum